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O FASCÍNIO DAS SERRAS E ALDEIAS

As actividades de todo-o-terreno são um meio privilegiado de partir à descoberta do País e de efectuar percursos fora dos circuitos turísticos tradicionais.

Texto e fotos: Alexandre Coutinho

No último fim-de-semana de Fevereiro (de 27/2 a 2/3/97), reeditou-se mais um Raid Transportugal Andersen Consulting - Microsoft, desta feita, na Região Centro do País, com saída de Tomar e passagens por Castelo Branco, Covilhã e Curia, vindo a terminar no Pinhal de Leiria. Todas estas etapas, com uma quilometragem da ordem dos 220 quilómetros, colocaram à prova as capacidades de orientação e leitura de «roadbook» da maioria dos participantes: uma centena de jipes e 57 motos, entre as quais uma dezena de «quads».
Foto: Jipes em Piodão Inspirada na competição (característica das suas primeiras edições), a Transportugal afirma-se como um passeio TT competitivo, com controlos de passagem e hora limite de chegada (19 horas), onde cada participante é livre de escolher a sua janela de saída (entre a 8 e as 10 horas da manhã) e o seu ritmo de andamento, escapando às intermináveis filas e não prejudicando os condutores mais rápidos.
No primeiro dia, o verdadeiro ínicio da etapa Tomar-Castelo Branco só começaria após Figueiró dos Vinhos, com a subida dos primeiros corta-fogos, numa região outrora densamente florestada, mas hoje, muito depauperada pela violência das chamas. Das margens do rio Zêzere, às proximidades das Minas da Panasqueira, sempre por pistas de cumeada a mais de mil metros de altitude.

E se o tempo primaveril foi do agrado da generalidade dos participantes, muitos foram os que lamentaram a ausência de neve na travessia da Serra da Estrela e, até, de alguma chuva, que retivesse a poeira e proporcionasse mais zonas de lama. Neste capítulo, o ponto alto consistiu na travessia da ribeira do Freixo, junto ao Rosmaninhal, cujo leito estava a ser desviado para construção de uma ponte.

Foto: Sortelha

Os «motards» deram espectáculo com alguns atascanços e os primeiros jipes ainda conseguiram passar sem problemas de maior. O lamaçal foi-se, naturalmente, acentuando e os mais atrasados depararam com mais dificuldades para ultrapassar este obstáculo.

A etapa prosseguiu, depois, junto da fronteira com Espanha, em direcção às Termas de Monfortinho, onde o almoço era servido pela equipa do camião Porta da Ravessa. De um lado, Salvaterra do Extremo, do outro, o Castillo de Penafiel e, de premeio, o rio Erges, que faz fronteira nestes confins da região Raiana. Na tarde desse dia, o percurso contemplou passagens por algumas das mais tradicionais aldeias das Beiras, como Penha Garcia, Monsanto e Sortelha, antes de terminar na Covilhã. Cedo pela manhã, ainda se fazia sentir algum frio na subida de Verdelhos às Penhas da Saúde, passando por Manteigas. Neve, só nos pontos mais elevados, como o Cântaro Magro. A descida até

Foto: Serra do Açor

Unhais da Serra, foi feita pelo famoso Caminho do Viriato. No sopé, começava um percurso de ligação de 30 quilómetros, por estrada de alcatrão, até ao reínicio do todo-o-terreno, em Balocas.

Daqui até ao Piodão, quase todos seguiram em navegação à carta, num percurso com dois postos de controlo escondidos. A travessia da Serra do Açor, pela cumeada, ligando diversos marcos geodésicos levou os concorrentes a Góis e, mais tarde, aos moinhos da Serra da Atalhada. O adiantado da hora, levou a organização a cancelar o percurso na Serra do Buçaco e a encaminhar os concorrentes directamente para Hotel Palace da Curia.

O último dia, ninguém escapou a um «roadbook» muito trabalhoso, pontuado por distâncias curtas e pelo atravessar de zonas densamente povoadas. Apenas, a visita às aldeias perdidas na Serra da Lousã - Casal Novo e Talasnal - e uma descida delicada até à povoação de Pé do Esquilo, ficaram na memória. O dia seria, no entanto, concluído com

Foto: Monsanto

chave de ouro, no Pinhal de Leiria. Em substituição de uma incursão às dunas, a equipa de José Megre propôs um percurso labiríntico de orientação à carta e por azimute, com três controlos secretos, que pôs quase toda a gente às aranhas antes do jantar.

Nesta 8ª edição, a organização da Transportugal brindou os participantes com um percurso diversificado, quer no desenho das etapas, quer no desafio de não falhar os azimutes e os controlos de passagem (CP) secretos. Não totalmente isento de pequenos erros de pormenor, apraz registar o esforço colocado na elaboração dos «roadbook» e o grau de exigência requerido aos participantes apostados em completar o percurso sem falhas.

O 8º Raid Transportugal contou com os apoios da Andersen Consulting, Microsoft, Porta da Ravessa, Nissan, Mitsubishi, Correio da Manhã, Selecções do Reader´s Digest, Junta de Freguesia de Malpica do Tejo e Câmara Municipal de Arganil. A equipa das «Viagens no Meu Planeta» foi patrocinada pela BP/Mobil e pela Cheers/Unicer.


BLOCO NOTAS

Região: Centro (Beira Baixa e Beira Alta)

Percurso:
  • 1ª Etapa: Tomar — Castanheira de Pêra — Pampilhosa da Serra — Orvalho — Serra do Muradal — Castelo Branco
  • 2ª Etapa: Castelo Branco — Malpica do Tejo — Rosmaninhal — Salvaterra do Extremo — Termas de Monfortinho — Penha Garcia — Monsanto — Sortelha — Covilhã
  • 3ª Etapa: Covilhã — Verdelhos — Manteigas — Penhas da Saúde — Unhais da Serra — Piodão — Serra do Açor — Góis — Coimbra — Curia
  • 4ª Etapa: Curia — Pedrogão — Serra da Lousã — Serra do Rabaçal — Soure — Pinhal de Leiria — Leiria


  • Mapas:
  • ACP - Automóvel Clube de Portugal --- Mapa das Estradas (1:350000)
  • Michelin — Portugal/Madeira (1:400000)

    Acessos: Veículos automóveis de duas e quatro rodas motrizes, motos e «quads».

    Alojamentos:

  • Hotel dos Templários (Tomar — 049 321730)
  • Hotel Colina do Castelo (Castelo Branco — 072 329856)
  • Hotel Turismo da Covilhã (075 324545)
  • Hotel Palace da Curia (Curia — 031 512131).

    Clima: Fim de Inverno ameno, pouca pluviosidade a anunciar uma Primavera quente e solarenga.

    Equipamento indispensável: Pneus mistos para terra e alcatrão, bússola, cabo de reboque, luvas de trabalho, lanterna, fita americana, bolsa de primeiros socorros e sacos para o lixo.

    Equipamento facultativo: Terratrip, placas de desatascamento, pá, compressor, pesa-ar, segunda roda sobresselente, cintas de carga e pneus para lama e terra.

    Código de condução em todo-o-terreno: Respeite o meio-ambiente, não deixando lixo, páginas de «roadbook», etc... Circule nos caminhos ou trilhos existentes, respeitando a propriedade privada. Evite circular em zonas protegidas, dunas das praias e áreas cultivadas. Fazer corta-mato danifica a vegetação natural e pode ser perigoso para a sua viatura. Conduza devagar para poder ver os eventuais obstáculos no caminho. Seja simpático com os habitantes das zonas que visitar. Se os respeitar, serão certamente uns extraordinários anfitriões e... talvez tenham aquele tractor tão indispensável para o safar de um atolanço!

    Endereços úteis:
  • Organizações Aventura
    Tel.: 01 3953457/61 Fax: 01 3960577
  • FPTT - Federação Portuguesa de Todo-o-Terreno Turístico
    Tel.: 01 3871684 — 3871805 Fax: 01 3871651
  • Clube Land Rover de Portugal
    Tel: 01 3427717 Fax: 01 3427747
  • www.cibercafe.pt/clrporto
  • http://wgcar.ist.utl.pt/~rente/clrp
  • Revista «Todo-Terreno» (www.supra.pt/todo-terreno)
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