logo:jipes S. Jorge - Açores Logo: Jipes
A ILHA DO DRAGÃO ADORMECIDO

Qual um dragão gigante adormecido na superfície do mar, a ilha de S. Jorge exibe
as suas costas e falésias verdejantes no meio do azul mais profundo do Oceano Atlântico, 40 milhas a Sul da Graciosa, 20 milhas a Norte do Pico e 30 milhas a Leste do Faial.

Texto e fotos: Alexandre Coutinho

Ponta dos Rosais A cabeça deste magnífico dragão é encimada pelo farol abandonado da Ponta dos Rosais, numa das regiões menos povoadas da ilha e digna de um parque natural. No outro extremo, o Ilhéu do Topo, completa a cauda deste gigante de 56 quilómetros de comprimento e oito de largo, com uma superfície total de 246,2 quilómetros quadrados a descoberto. «Esta ilha esguia, que parece um grande bicho à tona de água, mostra-me no focinho penedos aguçados como dentes», escreveu Raúl Brandão.

A sua forma alongada é o resultado de três violentas erupções vulcânicas ocorridas a milhares de anos de intervalo. O planalto central da ilha de S. Jorge situa-se a uma altitude média de 700 metros, caindo abruptamente para o mar em determinadas zonas, especialmente no Norte, onde existem falésias com mais de 400 metros. O Pico da Esperança (1053 metros) é o ponto mais alto da sua espinha dorsal.

S. Jorge Considerada uma das ilhas mais verdes dos Açores, S. Jorge está povoada, aqui e além, de castanheiros, faias, pinheiros, eucaliptos e acácias, que se misturam com os vestígios da floresta laurissilva existente antes do povoamento. O cedro e a urze são relíquias da vegetação existente no Sul da Europa e no Norte de África há mais de 15 milhões de anos.

A ilha-dragão que tomou o nome do cavaleiro S. Jorge deve, provavelmente, a sua designação ao dia da sua descoberta (23 de Abril). Num mapa catalão datado de 1375, a ilha é referenciada de San Zorze, encontrando-se despovoada de habitantes ou gado de espécie alguma. As primeiras cartas de povoamento datam de 1439 e 1443, tendo a ilha sido doada a Vasco Annes Corte Real em 1450. O seu filho, João Vaz Corte Real, foi o primeiro capitão donatário, em 1483.

Caminhada até à Fajã do Santo Cristo

Fajá de Santo Cristo Pela sua forma característica, S. Jorge é uma das ilhas açoreanas que melhores caminhadas costeiras oferece. Destaque para o trilho que serpentea pela encosta por entre o arvoredo e conduz às fajãs dos Cubres e do Santo Cristo. Para os bons andarilhos, pode ser percorrido em cerca de duas horas. As fajãs resultam dos desprendimentos de terra da falésia, que se estendem até ao mar e são transformadas pelo homem em fertéis campos de cultivo. Curiosamente, a pequena caldeira da Fajã do Santo Cristo abriga o único viveiro natural de ameijoas de todo o arquipélago. Mas suas ondas também são procuradas pelos mais entusiastas surfistas, que não hesitam em empreender longas viagens de barco ou a pé (os dois únicos meios de ali chegar) com as suas pranchas para disfrutar das excelentes condições oferecidas para a prática da modalidade.

Fajá do Ouvidor Igualmente, visitada pelos turistas é a estância de férias da Fajã do Ouvidor, situada em Norte Grande e onde se tomam memoráveis banhos de mar. Em dias de boa visibilidade, avistam-se as ilhas da Graciosa e da Terceira.

Quem sair de Velas (a mais importante sede de concelho) e seguir a costa até ao morro da Ponta das Eiras, descobre uma paisagem deslumbrante a partir do miradouro da vila. O fascínio de Velas reside na sua arquitectura e na sua posição geográfica, assente num belo porto de mar construído em 1647. Hoje, Velas está igualmente dotada de um aeroporto com uma pista de 1200 metros, no curato da Boa Hora. Além das suas igrejas, destaque para o jardim situado no centro da vila, dotado de um característico coreto é ponto de encontro ou de passagem obrigatória dos jovens nas quentes noites de Verão.

O trilho para a Fajá dos Cubres Um dos percursos mais admirados nesta região parte de Velas direito à baía de Entre Morros, passando pelo Parque Florestal das Sete Fontes, a já referida Ponta dos Rosais, a Fajã da Ponta Ferrada e Urzelina, com regresso a Velas. Aos verdes matizados e frescos das pastagens, juntam-se as manchas azuis das hortênsias, os maciços de fetos, os jarros e as beladonas - também conhecidas por «meninas-vamos-à-escola» por florescerem em Setembro, no início das aulas - que cobrem as encostas. Pelo Sul, num percurso paralelo ao canal, avista-se sempre ao fundo a ilha do Pico, com o seu magnífico cone quase sempre rodeado de uma coroa de nuvens. Sucedem-se panoramas sempre diferentes, passando pelas fajãs dos Lourais, de Vimes e de São João. Na vila da Calheta (segunda sede de concelho), construída paralela ao mar, existe um conjunto de piscinas naturais talhadas nas rochas negras que fazem as delícias dos banhistas. O Topo, primeiro ponto de desembarque dos descobridores, é hoje uma pequena vila com um pitoresco porto de pesca e, naturalmente, um farol vermelho e branco.

Os pastos, as vacas, o leite e os queijos

Tal como nas restantes ilhas dos Açores, a gastronomia é um prato forte de qualquer viagem a S. Jorge. Começando pelo queijo, grande, farto e generoso na sua pasta tenra amarelada e aroma levemente picante, chega a pesar entre 10 e 12 quilos e apresenta-se em formato de roda. É curado ao longo de três meses em salas onde é mantido a uma temperatura constante (10 a 14 graus centígrados e uma humidade relativa de 80 a 85%), adquirindo a sua cobertura cor-de-mel.

Gaspar Frutuoso, o mais antigo cronista açoreano, descreveu a ilha de S. Jorge no seu livro «Saudades da Terra» (1580-1590) observando a existência de «muito gado vacum, ovelhum e cabrum, do leite do qual se fazem muitos queijos em todo o ano, o que dizem ser os melhores de todas as ilhas dos Açores, por causa dos pastos», abundantes nas zonas de média e elevada altitude. Entre as características mais salientes, regista-se a existência nas pastagens das chamadas «ervas de misturas» (uma consociação de gramínias e leguminosas), cuja preponderância é indício do seu valor e importância para a produção leiteira.

A implantação e desenvolvimento da indústria de lacticínios deve-se, em grande parte, aos flamengos, que encontraram nas zonas altas de S. Jorge (entre 1450 e 1466) um clima semelhante ao da sua terra de origem. A produção annual de queijo, na região demarcada tem-se mantido estacionária, rondando as 1800 toneladas. Existem, actualmente, nove cooperativas de fabricantes, com cerca de 800 produtores de leite associados.

Além da expansão da pecuária e dos lacticínios, a ilha conta com a pesca e a indústria de conservas, com duas fábricas na Calheta, sem esquecer o artesanato em lã (colchas do tear) da Fajã dos Vimes e madeira de cedro na Ribeira Seca, bem como a construção de barcos de pesca na Calheta e no Topo. O marisco, com natural destaque para os cavacos (que chegam a pesar um quilo e meio) e as ameijoas da Fajã do Santo Cristo ocupam um lugar de honra numa boa mesa. Os primeiros são cozidos na água do mar, enquanto as segundas, maiores que as do Continente, castanhas no centro e acinzentadas nas extremidades, podem ser guisadas em lume brando com cebola, alho e coentros.

Entre os bolos e doces tradicionais, uma referência aos coscorões, esquecidos, espécies ou «bichos doces», rosquilhas de arguardente, bolo de véspera, bolos de coalhada e doce branco (idêntico à cavaca).


BLOCO NOTAS

Ilha: S. Jorge - Arquipélago dos Açores (Região Autónoma dos Açores - República de Portugal), situada no Oceano Atlântico a 28 graus 33' de longitude Oeste e 28 graus 24' de latitude Norte

Mapa da Ilha de S. Jorge. Clique aqui para ver em versão ampliada. Área: 246,25 km2

População: 10300 habitantes

Sedes de concelhos: Velas e Calheta

Hora: GMT menos 1 hora

Mapas: Câmara Municipal de Velas e Publiçor - Publicações e Publicidade.

Guias/Livros: Abreu, Maurício e Oliveira, Alámo - Açores, Edição do autor, 1987

Acesso: Por avião, a partir de Ponta Delgada e de Angra (SATA Air Açores). Por barco, a partir do Pico, do Faial e, ocasionalmente, de Ponta Delgada.

Alojamento:

  • Estalagem das Velas (****) - Velas (095 42736)
  • Hotel S. Jorge (****) - Velas (095 430100)

    Alimentação:

  • Restaurante Velense - Velas (095 42160)
  • O Tamanco - Velas (095 412802)
  • Café Restaurante Amigos - Calheta (095 46421)
  • O Garajau - Calheta (095 416596)
  • O Alberto - Fajã do Ouvidor (095 47219)

    Clima: Ameno, com temperaturas médias de 12º no Inverno e de 25º no Verão. A Primavera e o Verão são as melhores épocas para visitar S. Jorge.

    Equipamento: Nenhum verdadeiramente indispensável, mas um par de binóculos, uma câmara fotográfica e uma câmara de vídeo são altamente recomendados.

    Código de preservação: Respeite as regras dos parques naturais, não fume e não faça lume fora dos locais preparados para o efeito. Transporte o seu lixo consigo até encontrar um recipiente próprio.

    Endereços úteis:
    Açores

  • www.multi.pt/azores
  • www.multi.pt/raa
  • www.geocities.com/TheTropics/2840/azoresp.html
  • www.virtualazores.com
  • www.drtacores.pt
    S. Jorge
  • www.geocities.com/TheTropics/2140/sjorgep.html
  • www.lusaweb.com/comunidades/sip.cfm
  • www.virtualazores.com/sjr.html
  • www.saojorge.com/history.htm
    Associação da Juventude em Defesa do Património Histórico, Cultural e Natura de S. Jorge
  • www.multi.pt/bit9/sites/ajdphcnsj/index.html
    Trajos tradicionais
  • www.gzcah.pt/trajos/
    Queijo
  • União das Cooperativas Agrícolas de Lacticínio de S. Jorge (www.acores.com/uniqueijo)
    Surf na caldeira da Fajã do Santo Cristo
  • www.geocities.com/Pipeline/Dropzone/5626/
  • Viagem Anterior
    Canal Temático
    Topo da Página
    Página Principal
    Viagem Seguinte