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RAFTING EM ÁGUAS BRAVAS

Referenciado como o maior e um dos poucos rios norte-americanos sem açudes ou barragens, o Salmon River revela-se ideal para a iniciação ao «rafting» e à canoagem. No Verão, os rápidos que encontramos ao longo da descida de 54 milhas no Lower Salmon (cerca de 86 quilómetros) são, na sua grande maioria, de classe I e II, existindo alguns de classe III, mas todos a distâncias razoavelmente espaçadas, permitindo recuperar o fôlego e reagrupar os barcos.

Texto e fotos: Alexandre Coutinho

Entre Hammer Creek e o ponto onde conflui com o Snake River, o Salmon atravessa quatro «canyons» - Green, Cougar, Snow Hole e Blue Canyon - onde a largura do seu leito estreita e passa por escarpas rochosas, onde se formam a maioria dos rápidos.

 O «lodge» de Hot Springs, uma pousada magnificamente enquadrada no vale do rio, a poucos de quilómetros de Riggins, constitui um ponto de partida ideal para uma descida do Salmon River. Em Hammer Creek, uma tarde de exercícios no rio proporciona o primeiro contacto com os barcos de borracha utilizados no «rafting», os indispensáveis coletes de salvação, remos, capacetes para os rápidos mais perigosos e todo o restante equipamento. Geralmente distribuídos em equipas, os participantes revezam-se ao leme para aprender a manobrar a embarcação recorrendo às vozes de comando («forward», «back paddle», «turn left, left back», «half stroke», etc...).

Uma descida de cinco dias pode ser composta por três barcos tripulados por cinco ou seis elementos e outros três barcos preparados para transportar bagagens pessoais, a cozinha de campo, arcas isotérmicas com alimentos, tendas, sacos estanques, uma «green box» (sanita portátil obrigatória em parques naturais) e até mesas e cadeiras de campismo!

Os dias começam com um suculento pequeno-almoço à americana, servido entre as sete e as oito da manhã. Desmontado o acampamento e ultimados os preparativos para a largada, cada grupo embarca nos respectivos botes rio abaixo, atentos às vozes de comendo dos guias e de olhos postos nos movimentos das outras tripulações.

Nestas águas desconhecidas dos confins do antigo território dos índios Nez Percé, os rápidos anunciam-se a uma certa distância pelo fragor das águas revoltas, pelo súbito aumento de intensidade da corrente que nos transporta ou pelas paisagens de rochas que se avistam nos pontos onde o rio estreita e afunila, formando os característicos «V» que nos indicam as melhores passagens.

Os nomes atribuídos aos rápidos não são menos sugestivos: Rollercoaster, Demons Drop, Big Foot Island, Lorna's Lulu e Eagle Creek, são bons exemplos. Alguns destes rápidos requerem mesmo uma paragem e uma ida à terra para observação do melhor percurso e estratégia a seguir. É o caso do China e do Snow Hole, dois rápidos de classe III que se sucedem a escassos metros de distância e ambos numa curva do rio.

Uma vez na água, um momento de concentração, um leme certeiro e uma boa força de braços são suficientes para manter os barcos na boa direcção e evitar qualquer choque contra as rochas.

Os rápidos mais interessantes merecem sempre uma segunda visita. Para isso, há que apanhar os «eddies» mais próximos e aproveitar as correntes de retorno para, progressivamente e com uma boa coordenação de todos, subir o rio até ao rápido. Dez ou 15 segundos na crista ou na cova da onda formada no centro de um rápido valem bem o esforço dispendido e produzem emoções únicas e inesquecíveis.

Para reforçar a confiança e unidade da tripulação, praticam-se exercícios de descida de rápidos de olhos vendados (à excepção do guia e do timoneiro), em que uma rotação de 360 graus é suficiente para desorientar os remadores. A atenção às vozes de comando e uma pronta execução são factores-chave para o sucesso de uma manobra de «blind trust» deste tipo.

O «flip-over», que consiste em virar o barco com toda a sua tripulação no meio de um rápido, é outro dos exercícios praticados com o objectivo de ensinar aos participantes as técnicas mais apropriadas para resolver uma situação deste tipo. Por acção de um ou dois membros, o «raft» regressa à sua posição inicial e todos são recolhidos no seu interior. No último dia da descida, esta operação é executada em menos de um minuto e meio.

Águias, veados e lontras

A meio da jornada, composta geralmente por cinco a seis horas no rio, escolhe-se um ponto de paragem para almoçar, pescar e, ocasionalmente, jogar um pouco de voleibol de praia com uma rede suspensa entre dois remos espetados na areia.

Na região de Pine Bar, é possível desembarcar para admirar as pinturas rupestres feitas pelos índios há mais de 200 anos e miraculosamente protegidas da chuva e outras intempéries por um alpendre natural de pedra.

A diversidade topográfica do «canyon» é propícia ao desenvolvimento de diversas espécies vegetais e animais, que aqui encontram um clima temperado no Verão e um Inverno menos rigoroso do que nas montanhas ou planícies circundantes.

Os salmões não abundam nesta época do ano e os únicos exemplares de «trash fish» capturados não se revelaram comestíveis. Nas margens do rio, avistaram-se lontras, alguns veados e uma carcaça em decomposição do maior predador que frequenta estas paragens: o puma.

Nos ceús, além de águias douradas («Golden Eagle») e dos falcões, são visíveis pequenos bandos de galinholas, perdizes, patos, pombos bravos, corvos, guarda-rios, mergansos e um solitário beija-flor. Com a montagem das tendas e a preparação do jantar, termina cada dia de «rafting». E se nada iguala a beleza dos voos razantes de um casal de águias douradas na encosta da montanha, não há nada mais celestial do que assistir ao nascer da lua no «canyon» do Salmon River ao som da música dos Madredeus.


BLOCO NOTAS

País: Estados Unidos da América (República Federal - 4/7/1776)

Área: 9629091 km2

População: 267,9 milhões de habitantes

Capital: Washington, D.C.

Moeda: Dólar (câmbio médio, em 1998: 1 dólar = 175 escudos)

Idiomas: Inglês

Vacinas: Nenhuma obrigatória

Documentos: Passaporte (visto obrigatório) e seguro de viagem

Hora: GMT -8 (em Idaho)

Destino: Salmon River, em Riggins (Idaho)

Acesso: Por avião, de Seattle até Lewinston. Por estrada, até Riggins e Hammer Creek. De «raft» ou barco de borracha até à confluência com o Snake River e daí, até Lewinston.

Clima: Temperado, com temperaturas diurnas de 20 a 38 graus, no Verão e nocturnas, de 12 a 25 graus.

Equipamento indispensável: T-shirts, calções em lycra, calções de banho, sapatos de ténis/sandálias, meias de neopreme, chapéu, protector solar, óculos de sol com elástico de segurança, colete de salvação, capacete, cantil, saco estanque, tenda, saco-cama, lanterna, canivete suíço, bolsa de primeiros socorros, botas de «trekking» ou «randonnée», binóculos, máquina fotográfica e câmara de vídeo.

Código de preservação: Não fume ou apague cuidadosamente todos os cigarros. Não faça lume (as fogueiras estão proíbidas, anualmente, de 1 de Julho a 15 de Setembro). Sempre que possível acampe em praias ou na margem do rio. Transporte todo o lixo até ao fim da descida - Livro de apoio: Meyer, Kathleen - How to Shit in the Woods - Ten Speed Press, Berkeley, 1989.

Endereços úteis:

  • OARS - Outdoor Adventure River Specialists, uma empresa com mais de 25 anos de experiência em «rafting», propõe diversas descidas (percursos e durações) no Salmon River, com destaque para a de cinco dias no Lower Salmon (http://oars.com)
  • The Lodge (at Riggins Hot Springs), Idaho - Tel.: (208) 6283785
  • State of Idaho Home Page (www2.state.id.us/)
  • Online Highways - Travel Guide to Idaho Riggins (www.ohwy.com/id/r/riggins.htm)
  • Salmon River (www.ohwy.com/id/s/salmonri.htm)
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