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"CIDADE MARAVILHOSA" RENASCE NO CARNAVAL

Em Fevereiro, o Rio de Janeiro transforma-se para acolher o Carnaval. A cidade não pára nos quatro dias que antecedem a Quarta-feira de Cinzas, que marca o início da Quaresma, este ano, com uma atracção adicional: a recém-inaugurada Cidade do Samba para acolher as principais escolas de samba do Carnaval carioca ao longo de todo o ano.

Texto e fotos: Alexandre Coutinho

Pão de Açúcar Já considerada como uma futura "Disneylândia" do Carnaval, esta área de 97 mil metros quadrados - equivalente a dez campos de futebol - está dotada de pavilhões para alojar as 14 escolas de samba do Grupo Especial: Beija-Flor, Portela, Salgueiro, Unidos da Tijuca, Mangueira, Imperatriz e Vila Isabel, só para citar as mais conhecidas. De uma passarela externa, colocada a oito metros de altura, os visitantes percorrerão todas as "fábricas" assistindo à montagem dos carros alegóricos, espectáculos de samba e ensaios das fantasias. Trata-se de um investimento no valor de 102 milhões de reais (cerca de 45 milhões de euros) na reconversão do antigo parque de manobra dos comboios que serviam o porto do Rio de Janeiro, no coração da Gambôa. Além dos pavilhões e das futuras lojas de cada escola, existe uma praça central equipada para espectáculos e exposições, quatro "lanchonetes" e módulos sanitários.

Cidade do Samba No Sambódromo situado na avenida Marquês de Sapucaí, o desfile de Carnaval realizar-se-á nas noites de domingo e segunda-feira (26 e 27 de Fevereiro), das 21h às 6h00 da manhã do dia seguinte. Cada escola dispõe de um tempo de desfile que pode variar, entre os 80 minutos para as do Grupo Especial (que chegam a ter 5000 participantes) e os 30 minutos, para as escolas menores (que não chegam a reunir 300 elementos). Um camarote VIP para 12 pessoas pode custar até 200 mil reais (cerca de 70 mil euros) e um simples lugar de 80 euros na arquibancada pode elevar-se ao dobro no mercado negro. O Carnaval do Rio de Janeiro é o terceiro espectáculo mais assistido do mundo (através da televisão), tirando o Mundial de Futebol e os Jogos Olímpicos, mas estes só se realizam de quatro em quatro anos.

Copacabana mais "democrática"

Copacabana Menos concorrida que Santa Mónica, na Califórnia, mais deslumbrante que a marginal de Luanda, mas menos histórica que o The Bund, em Shanghai, Copacabana retém no entanto toda a atmosfera que a celebrizou nos anos 60 e 70: docemente tropical, nos cheiros a terra, mar e praia. O calçadão das praias de Copacabana e de Ipanema é um dos espaços mais democráticos do mundo, com ciclistas e praticantes de "jogging" de todas as idades e condições sociais, velhos ricos reformados (alguns de cadeira de rodas empurrados por enfermeiras) e gays musculosos e reluzentes.

Copacabana Palace Até às 10h da manhã, o fluxo de carros na avenida Atlântica corre num só sentido para facilitar as chegadas aos empregos. Aos domingos, no Verão, três das vias são cortadas ao trânsito e entregues aos peões e aos inúmeros carrinhos de vendedores ambulantes (chapéus de sol, hawaianas, cangas, protectores solares, óculos, etc…). Segundo o jornal "O Estado de S. Paulo", o ritmo dos negócios nas praias do Rio de Janeiro regista movimentos diários de cinco milhões de reais (1 milhão e 800 mil euros), criando ocupações informais para mais de 4000 pessoas e ajudando, assim, a combater o crime. Como é proibido cozinhar na praia, há quem alugue apartamentos em Ipanema como base de logística, sendo os pedidos feitos por telemóvel e depois entregues por estafetas.

Nos quiosques há todo o tipo de comes e bebes, sumos, colas, água de coco e "chopps" (cerveja à pressão), que se podem saborear nas mini-explanadas instaladas no calçadão. Alugam-se cadeiras de praia e, ao fim do dia, também é possível tomar um duche de água doce nos chuveiros alimentados por pequenas bombas de água. Em Copacabana, a areia é fina e o mar é geralmente calmo, mas as suas águas estão muitas vezes interditas aos banhistas pelas ondas de poluição. Recomenda-se, por isso, as praias do Arpoador, Ipanema e Leblon, para não falar da cada vez mais concorrida Barra da Tijuca, com as suas águas quentes, cristalinas, de cor verde-esmeralda.

Cariocas redescobrem nudez

Ipanema «Quando o batel chegou à boca do rio, eram ali 18 ou 20 homens, pardos, todos nus, sem nenhuma cousa que lhes cobrisse suas vergonhas», pode ler-se na carta de Pêro Vaz de Caminha sobre o achamento do Brasil, datada de 1 de Maio do ano de 1500. Seguiu-se um período em que os padres católicos quiseram vestir toda a gente mas, agora, cinco séculos volvidos sobre a chegada dos primeiros navegadores portugueses à Baía de Santa Luzia, junto da foz do Rio de Janeiro, os cariocas estão a redescobrir a sua própria nudez. Em 2003, a praia do Abricó (para lá da Barra da Tijuca) foi oficialmente consagrada como a primeira praia de naturismo do Rio de Janeiro, depois de vencidas algumas resistências, entre as quais a da própria Governadora do Estado, Rosinha Garotinho. Hoje, a praia do Abricó é frequentada por famílias inteiras (com muitas crianças), alguns estrangeiros e grupos de gays, mas ainda desperta muita curiosidade entre os adolescentes que espreitam os homens e mulheres nus através da cortina natural de rochas que a separa da vizinha praia de Grumari. «É naturismo!», esclarecia um rapaz mais avisado sobre estas "modernices". O melhor transporte para lá chegar é mesmo o táxi, pois não há transportes públicos para estas praias, bem mais seguras que as de Ipanema ou Copacabana.

O trânsito no centro do Rio de Janeiro é indisciplinado, sem chegar a ser caótico. Há muitos autocarros (omnibus), já que o metro do Rio (apenas duas linhas) não serve todos os bairros da cidade. Com a crescente predominância de veículos a álcool e "flexi-fuel" (com mistura de gasolina e etanol), a poluição atmosférica não se faz sentir como noutras cidades da América Latina. Nos semáforos, malabaristas e cuspidores de fogo divertem os automobilistas a troco de algumas moedas.

Cristo Redentor A zona histórica do Rio de Janeiro (Lapa e Centro) vive estrangulada no meio do caos urbanístico das décadas passadas. E, apesar dos esforços visíveis de recuperação de alguns edifícios históricos, muitos não lograram escapar à condição de ruína (caso das antigas cavalariças reais). Não dispense uma visita rápida ao Real Gabinete Portuguez de Leitura, à Igreja da Nossa Senhora da Candelária, ao Paço Imperial (a casa branca que deu o nome aos cariocas), ao Mosteiro de São Bento e ao Arco do Telles, cujas esplanadas oferecem uma "happy hour" ao fim do dia. Em alternativa, para almoçar ou retemperar forças vá tomar chá à Confeitaria Colombo - para quem conhece Lisboa, uma pastelaria Versalhes em ponto grande, com café e salão de chá, no piso térreo e restaurante na mezzanine - fundada em 1894 por portugueses, um dos quais (Manoel José Lebrão) foi o criador da célebre frase «o cliente tem sempre razão».

Termine a sua visita ao Rio de Janeiro com uma subida de trem ao corcovado (710 metros), onde o Cristo Redentor abraça a Baía da Guanabara (uma das maiores do mundo); ou ao morro do Pão de Açúcar (396 metros), através do teleférico envidraçado que até já foi usado por James Bond!


BLOCO NOTAS

País: Brasil (República Federativa do Brasil - 15/11/1889).

Área: 8511965 km2.

População: 169 milhões de habitantes.

Capital: Brasília.

Moeda: Real (1 euro = 2,7 reais).

Idiomas: Português.

Vacinas: Nenhuma em particular, no Rio de Janeiro.

Hora: GMT -2.

Documentos: Passaporte e seguro de viagem.

Destino: Rio de Janeiro.

Acesso: Por avião (TAP e Varig), para o aeroporto António Carlos Jobim (Galeão).

Alojamentos:

  • Copacabana Palace (*****) - Av. Atlântica, 1702 - Copacabana - Tel.: (21) 2548-7070.
  • Pestana Rio Atlântica (****) - Av. Atlântica, 2964 - Copacabana - Tel.: (21) 2548-6332.
  • Restaurantes e bares:

  • Confeitaria Colombo - Rua Gonçalves Dias, 32 - Centro - Tel.: (21) 2232-2300.
  • La Fiorentina - Av. Atlântica, 458-A - Leme - Tel.: (21) 2543-8395.
  • Porção - Rua Barão da Torre, 218 - Ipanema - Tel.: (21) 3202-9150.
  • Forneria - Rua Aníbal Mendonça, 112 - Ipanema - Tel.: (21) 2540-8045.
  • Chega de Saudade (botequim) - Rua Dona Mariana, 81 - Botafogo - Tel.: (21) 2535-4572.
  • Rio Scenarium - Rua do Lavradio, 20 - Lapa - Tel.: (21) 3147-9005.
  • Clima: O Rio de Janeiro é uma cidade subtropical. O Verão estende-se de Dezembro a Março, com temperaturas variando entre os 25º e os 40º centígrados. No Inverno, de Junho a Agosto, cai para os 20º, de dia e os 16º, à noite.

    Vestuário: Poucos lugares exigem trajes formais, mesmo em horário de trabalho. Impera o vestuário e o calçado desportivos.

    Conselhos úteis: Apesar da fama e de, por todo o lado, serem visíveis as grades e portões nos condomínios, os seguranças nos centros comerciais e os carros com vidros fumados, o Rio de Janeiro não é uma cidade perigosa. Nas favelas e periferias pobres da cidade, a violência existe, mas na zona Sul, onde estão localizados os principais hotéis e praias, não é perigoso passear pelas ruas. No entanto e como em qualquer grande cidade, a possibilidade de um assalto está sempre presente, pelo que se recomendam alguns cuidados a observar:
    - Não ostente jóias, relógios ou máquinas fotográficas (transporte-as em bolsas discretas, sem referência a marcas).
    - Na praia, não deixe os seus pertences sozinhos na areia. Ao pôr-do-sol, caminhe pelo calçadão e não pela areia.
    - Não se vista como um turista típico (camisas e bermudas floridas), prefira uma T-shirt simples e discreta.
    - Evite andar com todos os seus documentos e cartões de crédito (deixe o passaporte, bilhete de avião, cheques e dinheiro no cofre do quarto). Uma fotocópia é suficiente para uma eventual identificação.
    - Evite retirar dinheiro de caixas automáticos que não estejam no interior de bancos ou centros comerciais.
    - Em caso de assalto, não reaja. Entregue tudo da forma mais rápida, evitando movimentos bruscos. Procure depois o polícia que se encontrar mais perto, que conhece geralmente bem a sua área de actuação. A probabilidade de recuperar os objectos roubados é maior do que dirigir-se a uma esquadra.

    Endereços úteis:

  • www.rio.rj.gov.br
  • www.riodejaneiro-turismo.com.br/pt/
  • www.rioconventionbureau.com.br
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