Refúgios em Tempo de Guerra - II

Textos e fotos: Alexandre Coutinho

ver Parte I

Na senda dos primeiros destinos de férias seguros recomendados, o editor das "Viagens no Meu Planeta" volta à carga com quatro novas sugestões. As ilhas continuam a revelar-se como as melhores opções em tempo de guerra, não só pelo isolamento natural conferido pela sua localização, como pela reduzida importância estratégica da grande maioria. Atlântico (Madeira e Porto Santo), Mediterrâneo (Malta), Índico (Maurícia) e Pacífico (Hawaii), são os destinos eleitos para este segundo pacote de sugestões de "Refúgios em Tempo de Guerra". Esta diversidade geográfica constitui a prova que, ainda, é possível viajar para os quatro cantos do mundo em segurança, desde que a escolha do destino seja extremamente criteriosa e todos os cuidados e precauções habituais sejam devidamente reforçados.


Madeira e Porto Santo: As pérolas do Atlântico

Santana No caminho do Atlântico Sul, cerca de mil quilómetros do continente europeu e 800 quilómetros da costa africana, as ilhas da Madeira e de Porto Santo constituem paragem obrigatória desde os primórdios da navegação. Este arquipélago de origem vulcânica foi descoberto em 1419 e integra, ainda, dois grupos de pequenas ilhas inabitadas, as Desertas e as Selvagens, hoje transformadas em santuários de nidificação para aves marinhas.

O seu excepcional clima subtropical, com temperaturas médias entre os 16 e os 25º centígrados, aliado à beleza natural das suas paisagens de falésias e montanha, fazem destas ilhas um destino de eleição para muitos viajantes em busca de tranquilidade e repouso, longe dos destinos mais cosmopolitas.

Dois aeroportos internacionais facilitam as ligações com a Europa (voos diários a partir de Lisboa, com a TAP e a Air Luxor) e entre a Madeira e Porto Santo (15 minutos). De barco, a ligação entre as duas ilhas é feita em cerca de duas horas. A aproximação à costa Sul da Madeira oferece uma panorâmica inesquecível: montanhas cobertas de uma densa vegetação que terminam abruptamente em vales profundos, terraços verdejantes alternando com colinas povoadas por um branco casario.

Funchal Além da cidade do Funchal ("a mais florida da Europa"), a Ilha da Madeira encerra muito locais de interesse, onde o pitoresco se alia à tradição e costumes das populações. Destaque para os portos de pesca de Câmara de Lobos e do Machico; a aldeia de Curral das Freiras, no fundo da cratera de um vulcão há muito extinto; Porto Moniz e as suas piscinas naturais em recifes vulcânicos; Santana, com as suas casas típicas cobertas de colmo; as duas dezenas de cascatas do Paul da Serra, a maior das quais com uma queda de água de 100 metros; o artesanato em vime da Camacha; e as vistas do Pico do Areeiro e do Pico Ruivo (o ponto mais alto da ilha, a 1861 metros).

Por sua vez, a Ilha de Porto Santo ou "Ilha Dourada" oferece uma praia de areia branca longa de 9 quilómetros, num mar calmo e de águas límpidas e tépidas (entre os 18 e os 22º centígrados). Sendo uma ilha menos montanhosa, o clima de Porto Santo está, igualmente, sujeito a poucas variações de temperaturas, permanecendo seco e estável grande parte do ano.


Ilha de Malta: Na encruzilhada do Mediterrâneo

A meio caminho entre a Sicília e o Norte de África, a Ilha de Malta reflecte na sua história o resultado da sua posição geográfica, na encruzilhada das populações e culturas do Mediterrâneo. Ao contrário da vizinha ilha de Chipre (ver destinos a evitar), Malta revela-se um perfeito refúgio em pleno Mediterrâneo, com uma população acolhedora e um clima aprazível, condições ideais para um repouso mais ou menos prolongado.

Antiga possessão britânica (1814), a Ilha de Malta permaneceu integrada na Commonwealth até à data da sua independência, em 1964, tornando-se mais tarde numa República. Nos últimos 15 anos, tornou-se um ponto importante de "transhipment" portuário, um centro financeiro e um destino turístico.

A ilha beneficia de um clima temperado, com Invernos brandos e chuvosos e um Verão quente e seco.

Além da vila fortificada de La Valetta, capital do arquipélago, destaque para as pequenas aldeias de pescadores, as igrejas barrocas, os núcleos arqueológicos e a famosa Gruta Azul. Mdina, no coração da ilha e antiga capital, é uma cidade museu no cimo de um maciço rochoso, que encerra nas suas muralhas um dédalo de ruelas estreitas, igrejas, conventos e um palácio.

A transportadora nacional Air Malta opera uma extensa rede de destinos com ligações aos principais aeroportos da Europa e da região do Mediterrâneo.


Ilha Maurícia: Paraíso do descanso e da boa vida

Situada a mais de dois mil quilómetros da costa de África e possivelmente descoberta pelo português Pedro Mascarenhas, em 1513, a Ilha Maurícia já seria conhecida dos navegadores árabes e malaios que sulcavam o oceano Índico desde o século XV. Os holandeses foram os primeiros a apoderarem-se do território, baptizando-o de Mauritzius, em homenagem ao Princípe Maurice de Nassau. Mais tarde, foi a vez dos franceses e dos ingleses a transformarem em colónia, até à data da sua independência, em 1968. Em conjunto com a vizinha Ilha Rodrigues, o arquipélago das Maurícias é, desde 1992, uma República.

Montanhas, crateras, planaltos, cascatas e plantações de cana de açúcar caracterizam as paisagens do interior da ilha, enquanto o litoral, com os seus 300 quilómetros de costa, oferece praias magníficas de areia fina, banhadas por águas mornas e protegidas por uma barreira de coral. É um paraíso vocacionado para o descanso e para os prazeres da vida.

Vocacionada como destino turístico de eleição, dispõe de ligações aéreas regulares com a Europa, África e Ásia, tal como à Austrália e a outras ilhas do oceano Índico, num total de 33 destinos cobertos pela Air Mauritius.


Hawaii: Esquecer Nova York em Pearl Harbour

Apesar de se tratar de um arquipélago dos Estados Unidos, os riscos de um novo ataque a "Pearl Harbour" perpetrado pelos seguidores de Bin Laden afiguram-se muito remotos. A sua posição geográfica, em pleno oceano Pacífico e nos antípodas do teatro de guerra do Médio Oriente, garantem à partida que o conflito se estenda até estas ilhas paradisíacas. Mas, o facto de constituírem parte do território dos Estados Unidos contribuiu para baixar drasticamente os preços das tarifas aéreas para o Hawaii - nalguns casos para um terço! -, fazem deste destino uma oportunidade a não perder.

Descobertas pelos navegadores polinésios, entre os séculos III e VII e, mais tarde, em 1778, pelo capitão britânico James Cook, o Hawaii tornou-se no 50º Estado Americano, em 1959. Honolulu, na Ilha de O'ahu, é a capital de um arquipélago que integra um total de 137 ilhas, em que as maiores são Ni'ihau, Kaua'i, O'ahu, Moloka'i, Lana'i, Kaho'olawe, Maui e Hawai'i.

Além do clima temperado (com humidade e ventos moderados), o som lânguido das guitarras hawaianas, a fragância das flores omnipresentes, o calor humano das suas gentes, as praias de areia branca, o sol e o apelo do oceano Pacífico criam uma euforia inigualável para os visitantes. As ilhas do Hawaii são um dos mais belos lugares do planeta.

O Hawaii dista cerca de cinco horas de voo da costa Oeste dos Estados Unidos, sendo o aeroporto de Honolulu a principal porta de entrada no arquipélago. Há, no entanto, ligações directas de outras ilhas para o continente, nomeadamente, Kaua'i, Maui e Hawai. A maioria das ligações inter-ilhas faz-se em menos de 30 minutos, sendo a mais longa, a viagem de Honolulu para Hilo (40 a 45 minutos).

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