Cidade Proíbida - Pequim - China
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MISTÉRIOS DA CIDADE PROÍBIDAQuem não se recorda das belíssimas imagens do filme "O Último Imperador" rodadas por Bernardo Bertolucci nas praças e palácios da Cidade Proíbida? A vida daquele que foi o último Grande Imperador da China, Puyi, pode ser igualmente percorrida a pé pelos visitantes do denominado Museu do Palácio Imperial, o maior dos complexos reais que escaparam às guerras e à devastação dos últimos séculos.
Texto e fotos: Alexandre Coutinho
A Cidade Proíbida ocupa uma área de 72 hectares em pleno centro de Pequim (um rectângulo com 760 metros, de Este para Oeste e 960 metros, de Norte para Sul), rodeados por um muro com 10 metros de altura e um fosso de 52 metros de largura, numa extensão de 3800 metros. Dispõe de quatro torres de vigia em cada canto e de quatro portas de entrada, igualmente, dotadas de torres: a Porta do Meridiano (a Sul, no eixo central da cidade), a Porta da Vontade Divina (a Norte) e as portas Floridas de Este e de Oeste. Os antigos imperadores acreditavam viver no centro do Universo e que a linha do meridiano passava pelo meio da Cidade Proíbida.
Ao longo de praticamente cinco séculos (491 anos), viveram na Cidade Proíbida um total de 24 imperadores - 14 da Dinastia Ming e 10 da Dinastia Qing -, com as suas cortes de eunucos, esposas e concubinas.
Puyi, o Último Imperador, que subiu ao trono com 2 anos de idade (em 1908) foi derrubado pela revolução republicana de 1911. Abdicou no ano seguinte, mas ficou autorizado a viver nos palácios da Cidade Proíbida até 1924, onde chegou a mandar construir um campo de ténis (ainda hoje existente), na mais pura tradição britânica que lhe era ministrada pelo seu perceptor inglês. O recinto só foi aberto ao público em 1949.
Um milhão de operários A construção da Cidade Proíbida iniciou-se ao quarto ano de reinado do Imperador Yongle, o terceiro da Dinastia Ming, completando-se 14 anos depois, em 1420. De acordo com algumas estimativas, envolveu cerca de um milhão de operários, dos quais 100 mil artesãos especializados. A madeira necessária para a construção da grande maioria dos palácios e pavilhões, foi transportada do Sul do país, sobretudo, das províncias de Sichuan, Hunan e Guizhou. As pedras vieram do Distrito de Fangshan, não muito longe de Pequim.
O amarelo é a cor predominante na Cidade Proíbida e era quase exclusivamente usada pelos imperadores. Para os seus antepassados, os cinco elementos do universo eram o ouro, a madeira, a água, o fogo e a terra, a principal, à qual atribuiam a cor amarela. Apenas a biblioteca real tinha uma cobertura negra (cor atribuída à água), como forma de proteger o edifício dos riscos de incêndio. Muitos dos edifícios foram reconstruídos diversas vezes, pelo que, a maioria dos actualmente existentes, data do século XVIII.
Quase totalmente construída em madeira, a Cidade Proíbida vivia no pavor dos incêndios, geralmente, provocados por descuidos com lampiões, fogos de artifício, raios (os primeiros pára-raios só foram instalados em 1953) ou premeditados por eunucos e oficiais que enriqueciam à conta das obras de reconstrução. A título de prevenção, foram colocados centenas de largos vasos de ferro (18 dos quais recobertos a ouro) nos diversos pátios, usados para armazenar água em caso de incêndio. No Inverno, acendiam-se fogueiras para impedir a água de congelar.
No eixo central da Cidade Proíbida, encontram-se três grandes pavilhões - o Pavilhão da Harmonia Suprema (igualmente conhecido pelo "Pavilhão do Trono"), o Pavilhão da Harmonia Central (reservado para um descanso ou ensaios de discursos do Imperador) e o Pavilhão da Harmonia Preservada (vocacionado para banquetes e exames) -, conhecidos pela Corte Exterior, onde o Imperador recebia as autoridades provinciais e conduzia os destinos do país. O Imperador, as suas mulheres e concubinas viviam na Corte Interior, nos palácios da Pureza Celestial, Tranquilidade Terrestre e da União Celeste e Territorial. Seis palácios a Este e outros seis, a Oeste, completavam a disposição dos edifícios, que alojavam 70 mil eunucos e cerca de três mil concubinas. As pessoas comuns estavam proíbidas de entrar na cidade. No topo Norte da cidade, figurava o jardim imperial, com 12 metros quadrados e construído na mais pura tradição chinesa e um excelente local para descansar depois de uma longa visita.
Receio de atentados
Ao todo, existem 800 edifícios com 9999 quartos e meio no conjunto de palácios da Cidade Proíbida e este facto insólito deve-se à exclusividade do número 10000 ser atribuído ao Imperador, a título de desejo de longevidade. De igual modo, nenhum edifício de Pequim podia exceder em altura o do Pavilhão da Harmonia Suprema (a maior estrutura chinesa em madeira ainda de pé). O Imperador considerava-se a si próprio como o filho do Paraíso, nascido para governar o país e, logo, ocupando a posição mais elevada. Esta é, também, a razão pela qual não existe qualquer árvore na maior praça da Cidade Proíbida - frente ao Pavilhão da Harmonia Suprema, com uma área de 10 mil metros quadrados -, além do receio de um atentado a partir de uma emboscada nas árvores. Para mais, uma árvore numa praça representava a palavra "problema" e o Imperador era supersticioso ao ponto de acreditar que poderia trazer problemas sem fim ao seu reinado.
Apesar de fortemente guardado e de governar no poder mais absoluto, o Imperador vivia obcecado com a ideia de ser assassinado e trocava de quarto praticamente todas as noites. Só os eunucos mais próximos sabiam onde dormia no final de cada dia.
Os pavilhões reservados aos aposentos privados do Imperador Qianlong e da Imperadora Regente Cixi, são hoje utilizados para expor os tesouros e jóias da família real. Os objectos expostos constituem, apenas, uma ínfima parte do espólio outrora existente no palácio. Estima-se que a maior parte tenha sido desviada pelos japoneses, durante os anos de ocupação e para Taiwan, em 1949, pelos adeptos do Kuomintang, na véspera da tomada da China pelos comunistas.
BLOCO NOTAS: País: China - República Popular da China (Zhonghua Renmin Gongheguo - 1/10/1949)
Área: 9561 mil km2
População: 1200 milhões de habitantes
Capital: Pequim
Moeda: Renminbi (dinheiro do povo), expresso em yuans (câmbio médio:
1 yuan = 22$00)Idiomas: Mandarim (Norte) e cantonês (Sul), além de numerosos dialectos locais
Vacinas: Nenhuma obrigatória; febre amarela e prevenção da malária recomendada para determinadas regiões, nomeadamente, do Sul do país
Documentos: Passaporte e visto
Hora: GMT mais 8 horas
Destino: Cidade Proíbida, no centro de Pequim, com entrada na Praça Tian'an men. A cidade-museu está aberta das 8h30 às 17h, mas recomenda-se que reserve um dia inteiro para a visita. Além dos pavilhões e palácios do eixo central, apenas se pode visitar um terço da Cidade Proíbida. O preço do bilhete de entrada é de 40 Yuan.
Guias: China - A Travel Survival Kit - Lonely Planet (www.lonelyplanet.com)
Acesso: De táxi ou de bicicleta.
Clima: Temperado ao longo de grande parte do ano, contudo, bastante mais frio e húmido nos meses de Inverno. Outono e Primavera são, provavelmente, as melhores estações do ano para visitar Pequim.
Equipamento indispensável: Nenhum, em particular.
Endereços úteis:
Chinahttp://china.muzi.net/travel www.chinaetravel.com www.chinatoday.com www.insidechina.com http://darkwing.uoregon.edu/~felsing/cstuff/travel.html
Pequimwww.flashpaper.com/beijing/ www.lonelyplanet.com/dest/nea/bei.htm
Cidade Proíbidawww.chinavista.com/beijing/gugong/!start.html www.intel.com/apac/eng/virtualcity/index.htm http://pasture.ecn.purdue.edu/~agenhtml/agenmc/china/scenfc.html http://china-window.com/beijing/tour/city/zijincheng.html www.warriorstours.com/cityguides/beijing/forbidden.htm
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