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UMA VILA ESCULPIDA A GRANITO

Uma vila de granito. Um aglomerado de casas harmonioso e convidativo. Um castelo de encantar. Monumentos recuperados. Gentes hospitaleiras e de coração aberto. Gastronomia de fazer crescer água na boca. Já não existem lugares assim... Bem, talvez aqui o ditado «existem sempre excepções à regra» também se aplique...

Texto e fotos: Paula Carvalho Silva

São já poucas as vilas em Portugal que não estejam adulteradas por uma construção dita moderna e de poucos encantos. São também já poucos os locais que mantêm uma ligação estreita com um passado rico em história e arquitectura. Penedono é uma das excepções à regra. Aqui o traçado granítico das casas e dos edifícios históricos foi mantido e recuperado. De um lado e outro das avenidas e ruelas de uma das mais belas vilas portuguesas encontram-se em cantos e recantos pequenos pormenores que cativam a atenção do visitante, como é o caso do brasão joanino das armas do Reino que decora a fachada ocidental do edifício dos velhos Paços do Concelho, hoje, sede dos serviços da EDP.

Mas, é mesmo por detrás deste edifício que encontrará a jóia da vila, o castelo de Penedono. Qualquer alma gentil e dotada, facilmente transforma este pequeno, formoso e elegante castelo numa musa inspiradora de poemas de amor e de trovas que contarão histórias de valorosos cavaleiros em luta pela sua Pátria. Os corações mais românticos imaginam prisioneira, numa das torres, a dama do Magriço, o portucalense Álvaro Gonçalves Coutinho.

Esculpido num estilo românico/gótico e sobre uma base de granito e xisto, o castelo tem uma planta poligonal irregular e um interior quase inexistente, ainda a precisar de recuperação. A história conta que D. Flâmula terá doado o castelo no ano de 960 à sua tia Mumadona que logo o perdeu para os mouros em 987. É no século seguinte que Fernando Magno retoma as terras aos mouros e reconstrói o castelo. Finalmente, no século XIV, D. Fernando doa a fortaleza a D. Vasco Fernandes Coutinho, senhor do couto de Leomil, que o reconstruiu novamente.

Álvaro Gonçalves Coutinho, conhecido como o Magriço e neto do primeiro senhor da família a ser proprietário desta edificação, foi exaltado por Luís de Camões no Canto VI dos Lusíadas pelos seus feitos de galanteria e bravura, não só em Portugal como em Londres, França e Flandres.

Pérolas ao virar de qualquer esquina

Para enriquecer uma jóia é necessário complementá-la com outros adornos para além do reluzente ouro ou da simples prata. Aqui, em Penedono, as pérolas foram plantadas um pouco por todo o lado, formando um conjunto verdadeiramente admirável.

Logo ao fundo da escadaria que leva ao castelo, o pelourinho da vila e padrão simbólico da autonomia municipal desde o Século XVI (reconstruído e colocado no local original apenas há meio século atrás) impõe-se orgulhoso no centro da antiga praça. Elegante e colocado estratégicamente no local ideal, os degraus que rodeiam este altivo pelourinho de gaiola são agora um dos sítios mais aprazíveis para descansar um pouco enquanto se aprecia o resto da vila ou o castelo.

Um pouco mais ao lado no edifício que, em tempos, foi a casa dos Paços do Concelho, está instalada a renovada estalagem de Penedono. A traça original foi mantida e a necessária ampliação para albergar os visitantes foi efectuada com "pés e cabeça" tornando o resultado final num sucesso de planeamento arquitectónico e de integração na paisagem. É também no restaurante da estalagem que se pode provar as delícias das Beiras, com os pratos de enchidos em destaque.

Hoje em dia os Paços do Concelho bem como outras repartições camarárias encontram-se instalados na Casa dos Freixos, antiga residência da família dos Coutinhos, condes de Marialva. Restaurada recentemente, esta casa senhorial e imponente, apesar dos traços simples e discretos, guarda no seu pátio interior uma pedra de armas proveniente da anterior Casa da Câmara, do largo da Praça. Num nicho sobre o portal da capela da Casa dos Freixos existe, também digna de atenção, uma escultura em mármore, datada do século XVII, de S. João Baptista.

A Matriz de S. Pedro é a única das três igrejas paroquiais da idade média que está ainda ao serviço dos fiéis. Uma robusta torre sineira do século XVII eleva-se no flanco direito da fachada e a ela encostada um pequeno templo em forma de alpendre que alberga uma imagem de Nossa Senhora em mármore branco. Do interior da capela sobressai o altar e o retábulo joanino de talha dourada e o tecto de plaina formado por 35 caixotões com retratos de santos pintados a óleo.

Um futuro risonho

Mas nem só de história, de património arquitectónico e de turismo se vive em Penedono. O empenhamento na melhoria das condições de vida numa região conhecidamente agreste pelo seu clima e isolamento, reconhece-se na criação de outro tipo de insfraestruturas. Como testemunhos deste desenvolvimento são o novo Cine Forum, a Biblioteca e Piscinas Municipais e o recém construído Centro de Saúde. Em todos estes exemplos se nota que existiu uma preocupação em manter uma construção tradicional de granito no que resultou um todo francamente harmonioso.

Numa paisagem envolvente característica por relevos verdejantes pontilhados aqui e ali por rochas de todos os formatos e tamanhos, são muitas as razões para sair do conforto do lar e partir para um fim-de-semana que o levará a uma das regiões mais bonitas do interior do nosso país.


BLOCO NOTAS

Localização: Na Beira Alta a 65 km a Norte de Viseu. O melhor caminho a tomar é pelo IP5 até Viseu, seguindo depois pela EN 229 (65 km). Penedono fica a 357 km de Lisboa e a 199 km do Porto.

Alojamento: Estalagem de Penedono (Tel.: 254509120). Oferece 12 quartos e uma suite, bem como um restaurante e um bar.

Restaurante: Restaurante da Estalagem. Horário de funcionamento: De terça a domingo, aos almoços e jantares. Marcação de mesa e escolha de pratos é obrigatória. Ementa: Nos pratos destaque para os bolinhos de bacalhau com feijão-frade, moiro (morcela) com arroz de legumes ou o porco grelhado também com arroz de legumes; Nas sobremesas a escolha pode vir a ser difícil entre as natas do céu, o pudim de vinho do Porto, o arroz doce ou o folhado de amora, já para não contar com as restantes ofertas da lista.

Gastronomia: Os pratos típicos da região são o Marrã ou febras de porco da brasa e o cabrito assado no forno. Na doçaria vale a pena provar as cavacas de Castainço, as filhós e uma série de sobremesas confeccionadas com castanhas.

Artesanato: Destaque para as colchas e tapetes de lã em algodão de Castainço, as ceiras e capachos em junça de Beselga, as miniaturas em madeira de Póvoa de Penela e os linhos e bordados.

Feiras e romarias: Festas do concelho em honra de S. Pedro, no dia 29 de Junho; Nos dias 15 e 16 de Setembro festeja-se em Penedono, Sta. Eufémia.

Locais a visitar: Idas ao Castelo de Penedono de terça a sábado das 10h às 13h e das 14h às 18h, aos domingos das 14h30 às 18h30; As extintas minas de outro de Sto. António (freguesia da Granja); O Pelourinho e a torre do relógio do Souto; A ponte românica de Beselga; E a calçada romana de Ourozinho.

Desporto-aventura: Escalada e Rappel na Serra do Sirigo, situada entre a aldeia de Antas e a vila de Penedono. Percorra cerca de 2,5 km até passar o Menir de Penedono. A partir daí siga as indicações do lado esquerdo da estrada, que o conduzirão à placa informativa das vias de escalada.

Endereços úteis: Câmara Municipal de Penedono (Tel.: 254504150; email: cm.penedono@mail.telepac.pt).

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