Clube Nissan 4X4 em Marrocos
A CARAVANA DO DESERTO

O Clube Nissan 4X4 propôs, este ano, aos seus membros mais entusiastas uma expedição a Marrocos para acompanhar as primeiras etapas africanas do Paris-Dakar e, naturalmente, dar algum apoio aos concorrentes portugueses inscritos no mais duro raid de todo-o-terreno do mundo.

Texto e fotos: Alexandre Coutinho

O Clube Nissan 4x4 Liderada por José Megre, a caravana reuniu quatro dezenas de participantes, para um total de 18 veículos Patrol e Terrano, enquadrados pela logística da equipa do Clube Aventura e o apoio do Entreposto Comercial.

Sempre em andamento vivo até Errachidia, a expedição chegou ao palco da primeira especial do Dakar em solo marroquino, no dia 3 de Janeiro, um dia antes dos concorrentes. Estes desembarcaram no porto de Nador, percorrendo uma etapa de 613 quilómetros de pista tipicamente marroquina, dos quais 247 de prova especial, que terminou em Talsinnt.

Enquanto aguardávamos a chegada dos primeiros concorrentes, fomos verdadeiramente tomados de assalto pelos míudos da povoação, que acorreram às dezenas em busca de uma eventual dádiva de mais um grupo de «turistas». Dos tradicionais pedidos, «Monsieur, donne moi um stylo!», «des cadeaux ou des dirham», à tentativa de abrir as portas do jipe, tudo valia para «sacar» alguma coisa.

À noite, dormimos em tendas, no acampamento do Paris-Dakar, ponto de encontro e de confraternização com os pilotos portugueses e não só. Nos «bivouacs» do Dakar, a azáfama é grande em torno da mecânica dos veículos, prolongando-se em muitos casos até às primeiras horas da madrugada. Na zona das motos, para além do gerador que trabalhou toda a noite, não é de estranhar que algum piloto se lembre de experimentar, ao vivo e em directo, os últimos ajustes feitos no motor às três ou quatro da manhã.

Os «pilotos de fábrica», profissionais contratados pelas principais marcas (Mitsubishi, Nissan, Toyota, etc...) e alguns «privados» assitidos pelos preparadores das suas viaturas (Dessoude, Espitallier, Sonauto, etc...), limitam-se a comunicar aos mecânicos as principais anomalias sentidas na etapa do dia e os detalhes que gostariam de ver corrigidos para o dia seguinte.

Depois do jantar, seguem logo para um hotel (nas localidades onde este pequeno luxo alternativo) ou para as suas tendas, para dormir um sono reparador e se apresentarem «como novos» à partida do dia seguinte. Algumas equipas, em particular, os japoneses da Isuzu não dispensam os serviços de um massagista.

Acompanhámos os concorrentes ao enorme refeitório/self-service e jantámos, nesse dia, um prato de «spaghetti» à bolonhesa, precedido por uma sopa e uma pequena entrada de «terrine provençale». No dia seguinte, em Ouarzazate, serviram arroz à valenciana, queijo e maçã assada. Não se come mal no Dakar, pelo menos ao jantar e ao pequeno-almoço, onde não falta o sumo de laranja natural, ovos estrelados, iogurtes e os indispensáveis café, leite e chá.

De manhã, a denominada «ração de combate» é distribuída às equipas. Geralmente, cada pacote contém uma mini-refeição em lata, paté, queijo, compota de maçã, fatias de pão tostado, frutos secos, fruta cristalizada, um pacotinho de leite condensado e um chocolate.

Às 21 horas, Hubert Auriol, director da prova e Patrick Zaniroli, dirigem-se ao pequeno estrado improvisado no meio do recinto, para o indispensável «briefing» sobre a etapa do outro dia. São lançados alguns avisos à navegação, conselhos para a transposição das dunas e recomendações de segurança.

Durante a noite, os mecânicos da equipas de fábrica desmontam grande parte dos carros para verificar o estado e o funcionamento dos orgãos vitais do motor, suspensão e direcção, substituindo os componentes que sofreram maior desgaste, limpando os filtros e mudando os óleos. Em muitos casos, com os «bólides» ainda de rodas no ar, os navegadores aproveitam para introduzir calmamente as coordenadas («way points») da próxima etapa no GPS (Global Posicioning System), um sistema de orientação que substituiu as mais rudimentares bússolas e permite aos concorrentes percorrer longas extensões de deserto sem a mínima hesitação quanto ao rumo a seguir.

Nas dunas do Erg Chebbi

O prato forte do nosso segundo dia com os concorrentes do Paris-Dakar estava nas dunas do Erg Chebbi, a Sul de Rissani, onde ocorreram os primeiros «atascansos» dos concorrentes menos prevenidos para a necessidade de baixar a pressão dos pneus na areia. E alguns, como o de Pierre Lartigue, na sua «pick-up» de apenas duas rodas motrizes, foram dignos de ficar para a história, tal a dificuldade e o tempo perdido a sair dos buracos que as enormes rodas motrizes do Protruck cavaram.

Ainda a passagem dos concorrentes ia a meio, já o cenário à entrada das dunas se apresentava desolador, com uma boa meia dúzia de carros atascados em todas as situações possíveis, para gaúdio dos muitos fotógrafos e assistência presentes. Do controlo da pressão dos pneus ao recurso às placas de desatascamento, às pás e, até, às próprias mãos, tudo foi válido para tentar retomar o percurso sem grandes demoras.

Uma pista de areia Esta especial de 344 quilómetros terminou em Tazzarine, onde passámos a acompanhar os concorrentes no percurso de ligação de 176 quilómetros até Ouarzazate. A terceira etapa em solo marroquino foi a mais longa de todo o rali (1031 quilómetros), com uma especial de 354 quilómetros, com ínicio em Foum-Zguid e final em Foum El Hassan, num local privilegiado para trocar impressões com os pilotos, ouvir as histórias das suas peripécias e observar atentamente a preparação dos respectivos veículos.

Após a despedida dos concorrentes do Paris-Dakar e uma noite em Tata, a expedição do Clube Nissan 4X4 voltou às pistas do Sul de Marrocos. De Foum-Zguid até ao lago Iriki (novamente seco, depois das primeiras chuvas de Inverno), percorremos uma parte da especial do Dakar, rumando depois em direcção ao Erg Chegaga, para entrar numa pista de areia bastante rolantee exigente em termos de condução. Não foi preciso baixar muito a pressão dos pneus (30 libras) e quase todos chegaram ao local do almoço sem atascar.

Mesmo no meio do deserto, a presença humana é uma constante, desta vez, as filhas de uma família de nómadas acampados a curta distância, que regressaram às suas tendas com os aventais e os bolsos repletos de alimentos e brinquedos.

À tarde, deixámos a areia para regressar às pistas duras de pedras armadilhadas de valas rasgadas pelos «oueds» que, nos dias de chuva torrencial, descem das encostas das montanhas do Atlas, até às dunas do deserto.

Em território Glaoui

A aldeia de Â.t Benhaddou Depois de uma dormida em Zagora e de uma nova passagem por Ouarzazate, percorremos a chamada «pista das Kasbahs», que se inicia junto à aldeia abandonada de Âït Benhaddou, célebre por ter sido cenário de muitos filmes como Lawrence da Arábia, a Jóia do Nilo ou Jesus de Nazaré.

Esta pista de montanha segue ao longo do vale do rio Ounila, até Telouèt e às ruínas do imponente palácio da família Glaoui, que dominou a região no final do século passado. A pista termina bem perto do colo de Tizi-n-Tichka (a 2260 metros de altitude), a «porta» de passagem para a vertente Norte do Alto Atlas, já na estrada que nos conduziu a Marrakech para um merecido dia de descanso e de inevitáveis compras de artesanato local, antes de regressar à Europa.

No total, esta expedição do Clube Nissan 4X4 percorreu perto de cinco mil quilómetros de grandes espaços, abrindo o apetite para uma série de iniciativas que o Clube Aventura se propõe levar a cabo em 1998: No final de Fevereiro, terá lugar mais uma Transportugal Sul; o regresso a Marrocos será já na Páscoa, para duas expedições, uma das quais para sócios do ACP; em Maio, disputa-se a segunda edição do Troféu Aventura Andersen Consulting-Microsoft; e em Julho, a equipa propõe-se levar a cabo uma grande expedição em África, da Cidade do Cabo a Nairobi.

No capítulo da competição, realizar-se-ão as já consagradas Baja Telecel 1000 e Baja Porta da Ravessa 500 Portalegre, fechando o ano com a primeira edição das 24 Horas TT Telecel. Para o ínicio de 1999, José Megre pensa já em reeditar a expedição Lisboa-Bissau ou Lisboa-Dakar, na senda dos concorrentes do próximo Paris-Dakar.

BLOCO NOTAS

País: Marrocos (al-Maghreb al-Aqsa) — Monarquia

Área: 750850 km2

População: 26 milhões

Capital: Rabat

Moeda: Dirham (câmbio médio em 1996: 1 Dirham = 18$00)

Idiomas: Árabe e dialectos berbéres

Vacinas: Nenhuma obrigatória; febre amarela recomendada para determinadas regiões

Documentos: Passaporte, extensão do seguro automóvel e seguro de viagem

Hora: GMT

Mapas:

  • Michelin 959 - Maroc (1:1000000)
  • Guias:

  • Morocco - A Travel Survival Kit - Lonely Planet (www.lonelyplanet.com)
  • Clima: A melhor estação do ano para viajar em Marrocos e, em particular, nas pistas do deserto é a Primavera. O Outono pode ser uma alternativa, mas mais imprevisível no tocante à pluviosidade. O Inverno pode tornar algumas pistas de montanha intransitáveis devido à neve e o Verão é de todo desaconselhável, pelas elevadas temperaturas

    Equipamento indispensável (pessoal): Sacos de viagem maleáveis, vestuário desportivo de cores claras, botas de «trekking» ou «randonnée», chapeú, óculos de sol, cantil, canivete suíço, protector solar, binóculos, máquina fotográfica e câmara de vídeo.

    Equipamento indispensável (veículo): Pneus mistos para terra e alcatrão, bússola, cabo de reboque, luvas de trabalho, lanterna, fita americana, compressor, pesa-ar, segunda roda sobresselente, cintas de carga, refrigerante motor, óleo motor, filtro de ar, fusíveis, jerrican de água, bolsa de primeiros socorros e sacos para o lixo.

    Equipamento facultativo:Terratrip, GPS (Global Positionning System), placas de desatascamento, pá, pontas de experiência com pinças de crocodilo, estojo de ferramentas, sobresselentes (câmara de ar, correias, óleo ATF, óleo travões), arame, corda, toalhetes, jerrican de combustível e tenda.

    Código de conduta: Lembre-se que as populações locais têm os seus próprios hábitos e costumes. Peça autorização antes de fotografá-los. Faça trocas ou retribua mediante pequenas ofertas. Respeite a sua cultura, sobretudo, em países de influência muçulmana.

    Endereços úteis:
    Paris-Dakar

  • www.dakar.com
    Marrocos
  • http://globale.net/~maroc/index.html
  • www.neosoft.com/~tm/club/mrocbd1.htm
  • http://i-cias.com/m.s/morocco/index.htm
  • www.solutions.net/rec-travel/africa/morocco/
  • www.dsg.ki.se/maroc/
  • www.city.net/countries/morocco/
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