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A VILA DAS CASAS ENTRELAÇADAS

Em Marvão não se ouve falar de falta de planeamento urbanístico, nem de falhas na conservação de monumentos históricos, nem de arruamentos deficientes. Em Marvão, a beleza arquitectónica impera, a harmonia de um todo é bem visível, e a excelência da sua localização torna-a um ponto incontornável no mapa de Portugal.

Texto e fotos: Paula Carvalho Silva

Em tempos remotos Marvão foi um reduto defensivo vital e obrigatório. A sua localização estratégica no topo da Serra do Sapoio, a cerca de 850 metros de altitude, fez com que a vila fosse muito disputada ao longo dos séculos. Hoje é, sobretudo, um lugar de uma extraordinária beleza arquitectónica e paisagística. Os edifícios históricos e o aglomerado habitacional foram construídos numa plataforma rochosa totalmente rodeada por muralhas e à sombra do castelo.

A uma escassa distância de 12 km da fronteira de Galegos, a fortaleza foi edificada sobre uma crista quartzítica e começou por albergar cavaleiros, servos, soldados, artífices, entre outros. O crescimento demográfico foi assinalável durante o século XVI e o número de habitantes chegou aos 1452, numa contagem do ano de 1527.

A origem da Vila de Marvão perde-se no tempo. Pouco ou nada se sabe da história deste local, anteriormente à Reconquista Cristã. Também não existem certezas quanto à data exacta da sua conquista. Sabe-se apenas que entre 1160 e 1164 o morro de Marvão passou do domínio muçulmano para o domínio cristão, recebendo Carta de Foral em 1226 pela mão de D. Sancho II. Entre os séculos XIII e XIV alargaram-se as muralhas envolventes do casario que então passou a ocupar toda a cota de topo. Foi por esta altura que a Igreja de Santa Maria, hoje o Museu Municipal e o Convento de Nossa Senhora da Estrela foram construídos.

Uma herança a não perder

A história e o engenho humano deram-nos aqui a oportunidade de apreciar uma das mais belas heranças patrimoniais e arquitectónicas de Portugal. Para isso, basta que volte a habituar os seus olhos aos pormenores que acabam por passar despercebidos num grande centro urbano.

São muitos os sítios a visitar nesta encantadora vila medieval de casas encostadas entre si e alojadas em ruas estreitas e sinuosas. O castelo, datado do século XIII, conserva ainda hoje a cintura de muralhas e a torre de menagem com o seu tecto de abóboda. É a partir deste ponto, o mais elevado de Marvão, que se pode admirar, até perder de vista, as maravilhas da paisagem da região, as encostas da Serra do Sapoio e o Pico de São Mamede que se sobreleva a 1027 metros de altitude.

O Largo do Pelourinho surge no final da Rua das Portas da Vila. Aqui, para além deste marco jurisdicional, classificado como Imóvel de Interesse Público em 1933, encontra-se também o edifício dos antigos Paços de Concelho, ladeado pela torre do relógio e por uma torre sineira adossada à fachada poente e mais acima, a caminho do castelo, a Casa do Governador militar da praça, com as suas sacadas de ferro forjado do século XVII.

Mas, o que mais se destaca nesta vila é a harmonia da construção comum, dos edifícios nobres e das construções religiosas. Este facto é realçado pelas casas entrelaçadas entre si, criando uma massa compacta uniforme e muito agradável. Os casarios e as igrejas, com paredes em alvenaria de pedra agarrada com cal, quase se confundem pela falta de grandiosidade a que a Igreja nos habituou. Com formas góticas, renascentistas e barrocas, as estruturas das igrejas foram aqui "trazidas à terra", dando uma sensação de ligação à realidade.

A pé e de faca e garfo

Os percursos pedestres são a maneira mais agradável de conhecer a região e a área envolvente ao castelo. O passeio recomendado tem uma extensão de cerca de 7 km e uma duração de três horas mas vale a pena. Com partida no Largo das Almas, em Portagem, este início de caminhada desemboca numa ponte quinhentista, à torre do Século XIV que existe logo ali a 20 metros e à igreja. À saída da estrada alcatroada, em Portagem tem-se acesso a uma calçada medieval que nos vai levar de visita à Igreja do Convento de Nossa Senhora da Estrela. Após outro curto troço de estrada alcança-se outra calçada medieval que segue em direcção a Abegoa e, logo a seguir a Fonte Souto e às sepulturas medievais cavadas na rocha.

Se optar pelo percurso mais longo talvez possa esquecer a duração de três horas, aproveitar para levar uma manta leve e uma mochila com alguma comida para fazer um piquenique a meio do caminho. Aproveite para desfrutar da beleza natural da região.

Mas, para conhecer uma das mais bonitas rectas de Portugal, siga, de carro, pela estrada que vai passar em Portagem e pelo Clube de Golf de Marvão. Este caminho é ladeado por Freixos pintados com saias brancas reflectoras. O túnel formado por estas árvores vai deixá-lo verdadeiramente deslumbrado.

A gastronomia portuguesa é conhecida pela sua riqueza e variedade e o concelho de Marvão não foge à regra. Depois dos passeios, que lhe irão certamente abrir o apetite, deguste as várias especialidades da região como a sopa de castanha ou a de sarapatel (miúdos e sangue de borrego com fatias de pão, tudo mergulhado num caldo absolutamente divinal), o ratatau, a coelho de cachafrito, e a tomatada de galinha. Na mesa das guloseimas prove o arroz doce, os fedelhos e as boleimas de maçã.


BLOCO NOTAS

Localização: No Concelho de Portalegre, na área do Parque Natural da Serra de S. Mamede, a 12 km da fronteira espanhola e a 13 km da vila de Castelo de Vide..

Acesso: É na N 246-1, entre Castelo de Vide e Marvão que vai encontrar a recta com um túnel de Freixos.

Clima: Como é habitual em todas as vilas do interior do Alentejo e, sobretudo no Alto Alentejo, o frio faz-se sentir com bastante intensidade no Inverno e o calor chega a ser quase insuportável no pico do Verão, por isso, escolha uma altura com temperaturas mais amenas como a Primavera ou o Outono.

Artesanato: Bordados tradicionais com casca de castanha, escadas em castanho e a cestaria em madeiro de castanheiro. Para além do artesanato ligado a esta árvore pode-se ainda encontrar alguns objectos trabalhados em madeira, cortiça e barro.

Festas: No início de Julho, Feira de Artesanato e Gastronomia; Feriado Municipal a 8 de Setembro com festas em honra de Nossa Senhora da Estrela; 10 e 11 de Novembro, Festa da Castanha.

Alojamentos:

  • Pousada de Santa Maria, na Rua 24 de Janeiro, nº 7 - Tel.: 245993201
  • Albergaria El-Rei D. Manuel, no Largo do Terreiro - Tel.: 245909150
  • Pensão D. Dinis, na Rua Dr. Matos Magalhães - Tel.: 245993957
  • Casa da Árvore (Turismo Rural), na Rua Dr. Matos Magalhães, nº 3 - Tel.: 245993854

    Restaurantes:

  • O Sever, situado nas margens do rio com o mesmo nome, prolonga-se até à esplanada e está sempre aberto e tem todas as especialidades gastronómicas da região - Tel.: 245993318
  • O Mil Homens, tem a particularidade de ter uma loja "Aromas e Sabores" onde pode adquirir uma vasta gama de produtos regionais - Tel.: 245993122.
    Estão ambos localizados em Portagem.

    Outros locais a visitar: Castelo de Vide, Portagem, Escusa, Crato e Portalegre. E como os monumentos megalíticos são incontornáveis nesta região do Alentejo, não perca o Menir da Meada, o maior existente na Península Ibérica (7,5 m de altura). No caminho de volta para Castelo de Vide, perto de Póvoa e Meadas, visite ainda a Necrópole Megalítica dos Coureleiros.

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