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A CIDADE DO FUTURO

Recomendações e conselhos úteis para empresários, gestores, quadros superiores e outros visitantes ocasionais da capital angolana

Em Luanda, a esperança saiu à rua nas semanas a seguir ao 30º aniversário da Independência do país e ao apuramento da selecção nacional angolana de futebol para o Mundial de 2006 onde, curiosamente, vai ter a sua estreia num jogo frente a Portugal. Vive-se uma sensação de optimismo, de que há mercado para todos neste país em crescimento económico acelerado, mas em que o poder de compra de alguns aumenta escandalosamente por contraste com a miséria que grassa nas ruas.

Texto e fotos: Alexandre Coutinho

Luanda está povoada de vendedoras de fruta, peixes e legumes, que descem à cidade vindas do mercado Roque Santeiro (um dos maiores mercados a céu aberto do mundo), com alguidares à cabeça recheados de suculentas mangas, ananases ou carapaus. Ao fim da tarde, quando aumenta o trânsito nas ruas congestionadas da capital e não há lugar para estacionar e ir à padaria, surgem os convenientes sacos de pão fresco para levar para casa. Todos estes vendedores são geralmente afáveis e humildes, sem assediarem demasiado os passantes, como em certos países do Norte de África. Apenas não gostam que lhes tirem fotografias, por medo de represálias por parte da polícia, que passa o dia a persegui-los de um lado para o outro. Só as vendedoras de frutas e legumes beneficiam de alguma tolerância e condescendência.

Milhares de desempregados encontram na venda ambulante uma solução de recursos para os seus problemas de sobrevivência. Estão, na sua maioria, ao serviço de comerciantes libaneses, indianos e chineses, que os abastecem a partir dos seus armazéns. Tudo se vende e tudo se compra nas ruas de Luanda: cabides de plástico ou de madeira, malas com as ferramentas mais diversas, acessórios de automóveis, bicicletas para criança, isqueiros para o fogão, sapatos desportivos, jornais e revistas, tapetes, candeeiros de quarto, tábuas de passar a ferro, malas de viagem e os inevitáveis relógios e óculos de sol.

Surpreendentemente, não se vê artesanato à venda. Num país que ainda recebe muito poucos turistas, a oferta de artesanato é limitada a dois ou três mercados na ilha e nos arredores de Luanda e a uma ou duas lojas no centro.

Apesar de estarmos num dos países mais pobres do mundo, ninguém se surpreende com os modelos topo de gama que circulam em Luanda: dos Porsche, Mercedes e BMW, aos novíssimos Hummer e jipes japoneses importados directamente do Dubai por 50 mil dólares. Por força do afluxo de capitais decorrente das vendas de petróleo e diamantes, Luanda tornou-se numa cidade estupidamente cara - ao nível das mais dispendiosas do mundo - onde não é possível comer num restaurante por menos de 50 dólares por cabeça, mesmo se o estabelecimento for tipicamente angolano. Ligada à Marginal por um aterro, a Ilha de Luanda converteu-se na "cidade dos ricos": aqui se concentra a melhor oferta de bares e restaurantes, com magníficas esplanadas viradas para a baía ou para o mar.

Musseques a perder de vista

Mas o mais impressionante para o viajante que aterra em Luanda, é a extensão a perder de vista dos bairros de musseques nos arredores da capital. Este mar de favelas foi crescendo desordenadamente e sem o mínimo de condições de salubridade durante os anos de guerra, à medida que as populações do interior procuravam refúgio dos combates e da fome na grande cidade. Hoje, vivem em Luanda mais de quatro milhões de habitantes (cerca de um terço da população do país), a grande maioria dos quais são jovens sem qualquer tipo de raízes nas províncias de origem dos seus pais e avós.

Caminhar pelas ruas pode ser uma experiência angustiante para os viajantes habituados a andar de carro com motorista, da saída do hotel ao restaurante ou ao escritório. Como não há turistas e todos os expatriados que trabalham em empresas instaladas em Luanda usam carro próprio, não há praticamente táxis na cidade. Esta é dominada pelos chamados "candongueiros", carrinhas Hiace de cor azul e branca, com condutores que correm como loucos pelas ruas, servindo os bairros periféricos não cobertos pelos transportes públicos oficiais.

O trânsito, como é de esperar numa cidade africana, é caótico. Impera a lei do mais forte nos cruzamentos - há um privilégio tácito para os jipes e veículos de gama alta - e quem circula nas rotundas não tem necessariamente prioridade. As ultrapassagens fazem-se pela esquerda, como pela direita e todos os espaços livres são preenchidos num afã por chegar mais cedo. Esta prerrogativa esbarra inevitavelmente nos constantes engarrafamentos que ocorrem nas ruas de Luanda a qualquer hora do dia - apenas de manhã, bem cedo (6h00) se consegue circular sem constrangimentos da Baixa para o aeroporto. Mas, a esta hora, todos os cuidados são poucos e o risco de acidentes é redobrado.

A maior dificuldade para quem circula a pé é atravessar as ruas. Escasseiam as passadeiras e os sinais luminosos que, no entanto, são respeitados ao contrário do que sucede noutros países africanos. Outro desafio é o de evitar pôr "a pata na poça" dos esgotos a céu aberto que correm nalguns passeios ou conseguir traçar o seu caminho no dédalo de carros estacionados em cima do passeio, evitando as crateras causadas pela degradação dos mesmos ou a ausência de tampas nos buracos de esgoto (só os que estão entupidos até ao cimo, não representam perigo).

"Manhattan" africana

Todavia, o surto de construção civil que se verifica, actualmente, em Luanda vai alterar completamente a paisagem da capital angolana, transformando-a nos próximos anos numa verdadeira "Manhattan" africana. Junto à famosa marginal, estão a ser erguidas novas torres com mais de 20 andares de escritórios das companhias petrolíferas Esso e Sonangol; a seguradora AAA já inaugurou o seu novo edifício sede, com dez andares; um investidor senegalês está a construir a Tour Elysée; e está prevista a construção de cinco novos hotéis.

No entanto, o maior dos arranha-céus de Luanda, com 25 andares de escritórios, habitação e espaços comerciais, vai ser construído pela Escom Imobiliária no bairro Miramar, dominando a cidade e a baía. E, mesmo ao lado, vão nascer duas torres de apartamentos com 18 andares. No segmento da habitação, prevê-se um grande desenvolvimento na zona de Luanda Sul, com a construção de residências para a classe alta e média-alta, enquanto o Governo procura realojar em bairros construídos pelos chineses, as populações que habitam os musseques construídos em pleno centro da capital e os ocupantes de prédios não acabados.

Os chineses estão, igualmente, a construir o futuro aeroporto internacional de Luanda, no Bom Jesus, a cerca de 30 quilómetros da capital (será construída uma autoestrada de ligação). Vai ser dotado de duas pistas e deverá estar concluído dentro de três anos.


BLOCO NOTAS

País: República de Angola (11/11/1975).

Área: 1246700 km2.

População: 14,5 milhões de habitantes.

Capital: Luanda.

Moeda: Kwanza (1 euro = 95 kwanzas).

Idiomas: Português e dialectos locais (kikongo, kimbundo, umbundu, chokwe, mbunda e oxikuanyama).

Vacinas: Febre amarela (obrigatória) e profilaxia da malária. Mas, também não esqueça um protector solar.

Hora: GMT +1.

Documentos: Passaporte com visto (a obtenção do visto na Embaixada de Angola em Lisboa pode demorar três semanas) e seguro de viagem.

Acesso: Por avião, com as companhias de bandeira portuguesa e angolana, respectivamente, TAP e TAAG. Reserve as passagens com, pelo menos, um mês de antecedência (os lugares em classe Executiva são os primeiros a ser vendidos).

Alojamentos:

  • Hotel Trópico (****) - Rua da Missão, 103 - Tel.: 244 - 2 - 370070.
    Localizado no centro da cidade, é considerado o principal hotel de Luanda para homens de negócios (as reservas devem ser feitas com muita antecedência).
  • Hotel Alvalade (****) - Av. Comandante Gika - Tel.: 244 - 2 - 327470.
    Excelentes condições, relativamente perto do aeroporto, mas longe do centro.
  • Hotel Continental (***) - Rua Manuel Fernando Caldeira, 2 - Tel.: 244 - 2 - 334241.
    Recentemente remodelado e com vista para a baía de Luanda, este simpático hotel constitui uma boa alternativa.
  • Restaurantes: Os melhores restaurantes situam-se na Ilha de Luanda: Caribe, Coconuts (tel.: 222 309241), Clube Naútico (tel.: 222 309447), Cais de Quatro (tel.: 309430), os dois últimos com uma magnífica vista da baía de Luanda, especialmente à noite; no centro da cidade, recomenda-se o Tambarino (tel.: 222 396884), o Pimms (tel.: 222 326290) e o Pinto's (tel.: 222 335322). Para provar especialidades angolanas (que os locais só comem ao fim-de-semana): Ponto Final, na ponta da Ilha de Luanda e o "buffet" das quintas-feiras, ao almoço, no restaurante Zambeze do Hotel Alvalade (tel.: 244 - 2 - 327470).

    Clima: Apesar de se localizar numa zona sub-tropical tem um clima que não reflecte esta condição, devido à confluência de três factores: a corrente fria de Benguela, o relevo do interior e a influência do deserto do Namibe. Em consequência, o clima de Angola é caracterizado por duas estações, a das chuvas (de Outubro a Abril) e a do Cacimbo (de Maio a Agosto), mais seca e com temperaturas mais baixas.

    Conselhos úteis: Atenção! O país ainda não está preparado para o turismo. Muitos angolanos olham com espanto para quem tira fotografias e há pessoas que ainda dizem ser proibido tirar fotos em Angola. Abstenha-se de fotografar edifícios oficiais (militares e governamentais), bem como esquadras da polícia e, pasme-se, quartéis de bombeiros! Os polícias podem interpelar os fotógrafos exigindo-lhes as necessárias autorizações.
    Dar "gasosa" (suborno) ainda é prática corrente para muitos angolanos, embora o sistema comece a cair em desuso nos procedimentos de embarque e desembarque no aeroporto.
    A criminalidade é real, geralmente constituída por pequenos roubos por esticão (malas, telemóveis, máquinas fotográficas), embora possam surgir situações originais como o roubo de cabelos!
    Evite comprar grandes peças de artesanato fora das lojas oficiais, já que as mesmas têm de levar um selo (no valor de 50 kwanzas) que é obrigatório apresentar no dia do embarque.
    Evite, igualmente, levar fruta em grandes quantidades ou colocar ananases na bagagem (já foram confundidos com bombas!).
    Não precisa de trocar dinheiro em moeda local, porque poderá pagar praticamente tudo em dólares (pode é receber o troco em kwanzas). Gaste todos os kwanzas antes de partir, dado que é proibido exportar a moeda local e os montantes encontrados podem ficar retidos no aeroporto.

    Endereços úteis:

  • www.embaixadadeangola.org
  • www.angola.org.br
  • www.angolapress-angop.ao
  • www.sambangola.info
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