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ARCO-ÍRIS SOBRE A GARGANTA DO DIABO

No coração das maiores cataratas do mundo, onde se precipita o curso principal do Rio Iguaçu, forma-se a temida Garganta do Diabo. A sua queda de água despenha-se de uma altura de perto de 80 metros, num ruído ensurdecedor, libertando uma nuvem de vapor de água visível a quilómetros de distância. Quando os primeiros raios de sol da manhã a atravessam, formam-se os arco-íris mais deslumbrantes que algum homem jamais admirou.

Texto e fotos: Alexandre Coutinho

«Divinamente infernal: um privilégio vê-las, uma temeridade enfrentá-las», exclamou o conquistador espanhol Álvar Nuñes Cabeza de Vaca, em 1541, à frente do primeiro grupo de ocidentais que avistou as Cataratas do Iguaçu, então baptizadas de Saltos de Santa Maria. Cabeza de Vaca, governador da Colónia da Prata, descia o Rio Iguaçu de piroga em busca de uma passagem para Assunção, no Paraguai, quando o fragor das águas o preveniu da grandeza daquelas quedas e o fez deter, ainda a tempo, a marcha das embarcações.

Passados quatro séculos, a beleza selvagem e a força das águas das Cataratas do Iguaçu continuam a fascinar os visitantes dos quatro cantos do mundo e a servir de palco para a rodagem de filmes como "A Missão", de Roland Joffé. Realizado em 1986, o filme retrata a época em que portugueses e espanhóis lutavam pela posse da região, pelo controlo do tráfego de escravos e pelo predomínio da influência dos jesuitas. Na sua primeira missão de evangelização, o padre jesuita interpretado por Jeremy Irons, escala uma das mais espectaculares cascatas vizinhas da Garganta do Diabo, ao encontro dos indios guarani. Iguaçu, significa "águas grandes" em dialecto guarani.

Hoje, é possível percorrer tranquilamente a pé um trilho de dois quilómetros, na margem brasileira do Rio Iguaçu, para admirar toda a beleza das cascatas situadas do lado argentino. O percurso prolonga-se num passadiço sobre as águas que conduz a pontos bem próximos das cataratas e obriga ao uso de um impermeável, para não se ficar completamente molhado. Também é possível subir o rio em botes de borracha até à base das quedas de água (uma experiência que desafia a força de qualquer jacuzzi) ou sobrevoar as quedas de água de helicóptero, a uma altitude de uns escassos 150 metros.

As Cataratas do Iguaçu são constituídas por cerca de 270 quedas de água (dependendo do nível das águas), de alturas

até aos 80 metros, que se estendem por quase três quilómetros ao longo de uma gigantesca falha aberta no planalto, há três milhões de anos. A descarga das águas é de, aproximadamente, cinco mil metros cúbicos por segundo. O Rio Iguaçu nasce em Curitiba e percorre 1320 quilómetros até se precipitar nas cataratas e ir de encontro ao Rio Paraná, que nasce da fusão dos rios Grande e Paranaíba, na fronteira dos estados de Minas Gerais, S. Paulo e Mato Grosso do Sul.

O «spray» de vapor projectado pelas quedas de água proporciona as condições ideais para o desenvolvimento da floresta tropical que as rodeia e constitui o Parque Nacional do Iguaçu. Criado em 1939, foi inscrito pela UNESCO como património mundial, em 1986. O parque, com uma área superior a 170 mil hectares, situa-se na região fronteiriça entre o Brasil e a Argentina e abriga muitas espécies protegidas de fauna (papa-formigas gigantes, lontras, onças pintadas, macacos-prego e jacarés de papo amarelo) e flora (figueiras bravas, cedros, pau-marfim, pau-rosa, palmitos). Destaque para a timbaúva, uma árvore de tronco generoso, tradicionalmente escolhida pelos indios para a fabricação
de canoas. Fácil de cortar e de escavar, o seu tronco ganha, uma vez seco, uma dureza e resistência à água que superam qualquer outra árvore. Para mais, extrai-se da sua casca uma droga que consome o oxigénio da

água e garante uma boa apanha de peixe. O quati, um simpático roedor que come praticamente de tudo, será certamente o primeiro dos habitantes do parque a acolhê-lo por estas paragens, em busca de alguma comida que possa oferecer-lhe. Mais de 200 espécies de aves (tucanos, araras, beija-flores e tachãs) partilham a floresta com miríades de borboletas das mais diversas cores e outros insectos, por entre orquídeas e bromélias. É um verdadeiro paraíso na terra! As águas do rio são povoadas por muitas espécies de peixes, entre os quais o dourado, o surusi e a temível piranha.

x Um safari de jipe, pela floresta luxuriante, constitui um dos melhores passeios de ecoturismo, depois da visita às cataratas. Poço Negro, Salto do Macaco e Enseada Rio Branco, são algumas das sugestões, a par do Parque das Aves, uma área de 16,5 hectares (dos quais, quatro de viveiros), onde se podem observar mais de 500 espécies de aves do Brasil e de outros países.

A 40 quilómetros, o Lago de Itaipu e a praia artificial da Foz de Iguaçu, constituem outros atractivos. Este lago, um reservatório de 1350 quilómetros quadrados, represa as águas do Rio Paraná, onde foi construída a Barragem de Itaipu, a maior hidroeléctrica do mundo, com uma potência instalada de 12600 Megawatts, capaz de produzir 81,6 mil millhões de kW por hora. Esta unidade é responsável pelo fornecimento de 80% da energia eléctrica utilizada pelo Paraguai e 30% da consumida pelas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil.

Iniciada em 1975, ficou operacional em 1982, mas o projecto só foi concluído em 1991, com a entrada em funcionamento do 18º gerador. A Barragem de Itaipu tem cerca de oito quilómetros de extensão e uma altura máxima de 196 metros. Nesta zona existem duas pontes, a da Amizade, sobre o Rio Paraná e Tancredo Neves, sobre o Rio Iguaçu, ligam o Brasil ao Paraguai e à Argentina, respectivamente, numa zona de confluência de três países.


BLOCO NOTAS

Mapa da Foz do Iguaçu - clique aqui para ver em versão ampliada

País: Brasil (República Federal do Brasil - 15/11/1889)

Área: 8511965 km2

População: 158,7 milhões de habitantes

Capital: Brasília

Moeda: Real (câmbio médio, em Abril de 1999: 1 dólar = 1,67 reais)

Idioma: Português

Vacinas: Nenhuma obrigatória. Profilaxia da malária recomendada para as zonas tropicais

Documentos: Passaporte e seguro de viagem

Hora: GMT -5 (em Iguaçu)

Destino: Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu (Paraná)

Acesso: Por avião, de S. Paulo até ao aeroporto internacional Foz do Iguaçu. Por estrada, até ao Parque Nacional do Iguaçu. De barco de borracha, subindo o Rio Iguaçu, até à base das cataratas.

Clima: Sub-tropical húmido (71,4% de humidade relativa do ar). A temperatura média annual varia entre 9,5 graus centígrados (mínima) e 37,1 graus centígrados (máxima). A precipitação pluviométrica annual normal é de 1891 milímetros.

Equipamento indispensável: T-shirts, calções, sapatos de ténis/sandálias, impermeável ligeiro, chapéu, óculos de sol, canivete suíço, bolsa de primeiros socorros, repelente para insectos, protector solar, binóculos, máquina fotográfica e câmara de vídeo.

Código de preservação: Não fume ou apague cuidadosamente todos os cigarros. Não faça lume no Parque Nacional do Iguaçu e transporte todo o lixo até encontrar um recipiente próprio. Não compre artefactos proíbidos ou peles de felinos e nem pense em adquirir um papagaio ou um macaquinho.

Endereços úteis:
  • Parque Nacional do Iguaçu: www.iphan.gov.br/bens/web/p7.htm e www.unesco.org/whc/sites/355.htm
  • Foz do Iguaçu: www.pr.gov.br/celepar/seet/prtur/cidades/foz/index.html
  • Site oficial da Perfeitura da Foz do Iguaçu: www.iguassufalls.com.br
  • Governo do Município da Foz do Iguaçu: www.fozdoiguacu.pr.gov.br
  • Ecoturismo: www.foznet.com.br/users/rolim/ecoturismo
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