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A ILHA DAS CASCATAS

É uma das mais pequenas ilhas dos Açores, mas surpreende pela sua beleza deslumbrante. Curiosamente, reflecte, pelas suas características, um pouco de cada um das restantes oito ilhas do arquipélago, como se de um microcosmos ou um modelo à escala dos Açores se tratasse. Um pouco das lagoas de S. Miguel, das falésias de S. Jorge, das pastagens da Terceira, das rochas vulcânicas do Pico e das hortênsias do Faial, para não falar da Ilha do Corvo, ali mesmo ao largo.

Texto e fotos: Alexandre Coutinho

Farol da Ponta do Albarnaz, no extremo Norte da Ilha das Flores Todas as ilhas açorianas são conhecidas pelo verde das suas pastagens ou pelo azul das suas lagoas, mas nenhuma terá, porventura, tantas cascatas e cursos de água a serpentear pelas encostas, colinas ou falésias como as Flores. A Cascata da Ribeira Grande, na Fajãzinha, com uma queda de água de centenas de metros, é a mais impressionante de uma série de duas dezenas de cascatas ali existentes, muitas das quais se precipitam para o mar. Na Fajã Grande, a cascata do Poço do Bacalhau, liberta as suas águas de uma altura de 90 metros, pulverizando-se no ar antes de formarem uma deliciosa lagoa natural para deleite do que nela tomam banho.

Duas das muitas cascatas características da Ilha das FloresDuas das muitas cascatas características da Ilha das Flores Os melhores passeios nas Flores são feitos a pé, ao longo dos muitos percursos pedestres existentes, que permitem partir à descoberta dos mais pequenos recantos da paisagem. Da Ponta do Albernaz à Quebrada Nova dos Fanais; de Ponta Delgada à Fajã Grande; ou de Alagoa ao Ilhéu da Alagoa, três entre muitas sugestões dos roteiros pedestres elaborados por Pierluigi Bragaglia, um italiano radicado há vários anos na ilha (ver Guias/Livros). Outros percursos começam no Lajedo e terminam na Fajã Grande, passando por Mosteiro e Fajãzinha; ou da Fazenda a Lajes das Flores, passando por diversos moinhos de água. Junto às principais ribeiras, os primeiros povoadores construiram azenhas e moinhos de água, aproveitando da melhor forma a energia útil dos caudais para moer o trigo e o milho. Muitos ainda se conservam em bom estado de funcionamento, constituindo um museu vivo e um testemunho de outras épocas menos industrializadas.

Parede de cascatas junto à Fajãzinha, na costa Oeste Além das acolhedoras vilas (Santa Cruz e Lajes das Flores) e povoações (Fajã Grande, Fajãzinha, Lajedo ou Ponta Delgada), onde se podem saborear os melhores peixes e mariscos, muitas são as atracções naturais. Destaque para as sete lagoas situadas no seu planalto central, no lugar das crateras vulcânicas que deram origem à formação da ilha: a Lagoa Funda ou Verde, a mais funda (mais de 100 metros) e com margens revestidas de hortênsias; a Branca, a Seca, a Comprida, a Rasa; a Lomba, mais afastada e rodeada de pastos; e a Funda das Lajes, a maior e, talvez, a mais bonita.

A Rocha dos Bordões, na encosta Oeste da ilha, é um morro que resultou de um curioso fenómeno geológico originado pela solidificação do basalto em altas estrias verticais. Noutras áreas da costa, ocorreram outras formações basálticas semelhantes, mas sem a imponência da primeira.

Lagoa Funda das Lajes, a maior e, talvez, a mais bonita Na costa Norte, a maior atracção é a Gruta dos Enxaréus, apenas acessível de barco. É uma enorme cavidade vulcânica com cerca de 50 metros de comprimento e 25 metros de largura. A Gruta do Galo, na costa Leste, é outro ponto interessante de visita, recordando o tempo em que os navios de corsários e piratas ali procuravam abrigo. Nas proximidades, é possível adivinhar, num rochedo, o perfil de um garboso galináceo. No Morro dos Frades, por sua vez, duas rochas recordam a silhueta de um frade e de uma freira.

O ponto mais ocidental da Europa

Lagoa Rasa, uma das sete lagoas existentes no centro da ilha Dos vários ilhéus situados ao longo da costa das Flores, o mais emblemático é o Ilhéu de Monchique. Tudo, porque é o "pedaço" de terra mais ocidental da Europa, servindo nos tempos da navegação astronómica, como ponto de referência para acertar as rotas e verificar os instrumentos de navegação. Situada na rota de ligação entre a Europa e a América, é crescente o número de iates que faz escala nas Flores, atraídos pela sua posição geográfica e pelos serviços de apoio dos portos das Lajes e de Santa Cruz.

Cascata do Poço do Bacalhau, junto à Fajã Grande Os pescadores e mergulhadores encontram nas Flores o seu paraíso, onde podem capturar belos exemplares de lírios, congros, rocazes, chernes, garoupas e pargos. A pesca da baleia e do cachalote já pertence ao passado, mas ainda é possível visitar nas Lajes as antigas caldeiras onde se recolhia o seu óleo e falar com os últimos baleeiros da ilha.

Quanto aos pontos mais altos - Morro Alto (914 metros), Pico da Burrinha e Pico dos Sete Pés - constituem magníficos miradouros para admirar as lagoas, vales, ribeiras e o perfil recortado da costa. Isto, claro, se o tempo o permitir...

Pelo facto de ser a mais ocidental do arquipélago (curiosamente, já situada na placa continental americana), a Ilha das Flores é a mais exposta aos caprichos do clima do Atlântico. Quando menos se espera, o viajante pode ficar retido durante uma semana na ilha, impedido de voar ou navegar para o exterior. A meteorologia também pode pregar algumas "partidas", privando os forasteiros da beleza paisagística das suas lagoas ou a vista sobre a costa a partir dos muitos miradouros.

Baía da Alagoa, uma praia de rocha paradisíaca, na Costa Leste Logo, os meses de Junho e Julho (fim da Primavera e início do Verão) são, geralmente, o melhor período para viajar até às Flores, não só pelo menor risco de situações de mau tempo, como pela exuberância da vegetação, dos pastos e, naturalmente, das flores. A ilha faz jus ao seu segundo nome de baptismo (inicialmente, foi denominada ilha de S. Tomás ou de Santa Iria), pela abundância das mais variadas flores que a povoam. Na Fazenda de Santa Cruz, o parque botânico proporciona bons momentos de descanso, num cenário calmo e repousante.


BLOCO NOTAS

Ilha: Flores - Arquipélago dos Açores (Região Autónoma dos Açores - República de Portugal), situada no Oceano Atlântico a 21 graus 59' de longitude Oeste e a 39 graus e 25' de latitude Norte

Área: 143,11 km2

População: 4300 habitantes

Sedes de concelho: Santa Cruz das Flores e Lajes das Flores

Hora: GMT menos 1 hora

Mapas: Câmara Municipal de Santa Cruz das Flores - 1:50000

Guias/Livros:

  • Bragaglia, Pierluigi - Concelho de Santa Cruz das Flores: Roteiro Histórico e Pedestre - Edição da Câmara Municipal de Santa Cruz das Flores, 1999
  • Bragaglia, Pierluigi - Walker's Guide to Lajes Old Footpaths - Edição da Câmara Municipal das Lajes das Flores, s/d
  • Matos, António Marinho - Flores, a Ilha dos Amores - Espaço xx1, 1998
  • Acesso: Por barco e por avião, a partir do Faial ou de Ponta Delgada.

    Alojamento:

  • Argonauta - Turismo de habitação (Fajã Grande)
  • Aldeia da Cuada - Turismo rural
  • Hotel Ocidental (Santa Cruz das Flores)
  • Clima: Como nas restantes ilhas, é temperado por influência da corrente do Golfo, oferecendo valores médios na ordem dos 17º C, mas é imprevisível no Inverno, podendo criar situações de isolamento da ilha.

    Equipamento: Botas de "trekking", cantil, canivete suíço, chapéu, protector solar, impermeável ligeiro, binóculos, máquina fotográfica e câmara de vídeo.

    Código de preservação: Transporte todo o lixo consigo até encontrar um recipiente próprio.

    Endereços úteis:
    Açores

  • www.indice-acores.com
  • www.drtacores.pt
  • www.azores.net
  • www.multi.pt/bit9/guiadosacores/port/index.htm
  • www.virtualazores.com
  • www.viaoceanica.com
  • www.ciberacores.pt

  • Flores
  • www.enjoyazores.com/port/flo/flo.htm
  • www.geocities.com/TheTropics/2140/floresp.html
  • www.virtualazores.com/flor.html

  • Argonauta
  • www.argonauta-flores.com/index.html

  • Aldeia da Cuada
  • www.aldeiadacuada.com

  • Flores Subaquáticas
  • www.ins-france.com/acores
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