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O FORMIGUEIRO HUMANO

O Bangladesh é, hoje, um país islâmico moderado e em pleno desenvolvimento, com pessoas muito simpáticas, humildes e trabalhadoras. Mas, atenção! É, também, um país feito de disparidades gritantes, com uma classe rica e abastada a viver paredes meias com uma extrema pobreza e uma classe média praticamente inexistente.

Texto e fotos: Alexandre Coutinho

No centro da cidade de Dhaka, uma das mais populosas do mundo (dez milhões de habitantes), o trânsito é incessante e ruidoso. A buzina é usada profusamente, tal como as campainhas dos "rickshaws". Basicamente, não há prioridades. Tudo se rege pela lei do mais forte e ninguém respeita os peões, sejam eles homens, velhos ou mulheres com crianças. Segue-se (pela ordem da menor prioridade) a bicicleta, o carrinho de mão, o "rickshaw" de carga, o "rickshaw" de passageiros, a motorizada, o "baby-taxi" (triciclo motorizado), o automóvel e o autocarro ou camião.

Os engarrafamentos nos cruzamento geram, por vezes, violentas discussões entre condutores.

"Agarrem-me, senão mato-o", parece dizer o mais exaltado, depois de rasgar a camisa do outro, mas a maioria dos presentes limita-se a assistir à cena sem intervir, tal como os polícias, que preferem manter a sua respeitabilidade acima de querelas.

Ao contrário de países como Marrocos, é possível circular nas ruas em total segurança e sem ser constantemente incomodado por vendedores. Apenas os "wallahs" ou puxadores de "rickshaw" oferecem os seus serviços, supreeendidos por verem um ocidental a caminhar a pé pelas ruas poerentas. Os "rickshaws" podem transportar até três pessoas ou famílias inteiras de três adultos e duas crianças e tudo o mais o que a imaginação ou a necessidade ditarem.

A primeira vez que andei num "rickshaw" foi na China, em 1992. A sensação foi de um certo desconforto e mal-estar, por assistir, do banco de trás, ao esforço quase desumano do condutor a pedalar ao ritmo do trânsito das avenidas de Pequim. Em Dhaka, o número de "rickshaws" é muito superior (mais de meio milhão) e estes são usados diariamente por 90% da população. Toda a gente anda de "rickshaw", que são, na sua grande maioria conduzidos por jovens "wallahs", fortes e vigorosos e, também, muito ageís no meio do trânsito caótico do centro da cidade. As minhas apreensões esvaneceram-se de imediato e não hesitei em embarcar no primeiro "rickshaw" que esperava à porta do hotel.

A decoração dos "rickshaws" e dos "baby-taxis" é festiva e colorida, procurando naquela multidão, atrair o cliente pela diferenciação. Os motivos focam invariavelmente as vedetas do cinema e da canção locais ou os desejos mais profundos dos seus proprietários: uma bela casa ou uma quinta numa paisagem campestre, junto a um rio ou com piscina; sob um céu sempre azul ou um pôr-do-sol; um barco, um avião ou um comboio; um monumento de uma grande cidade ocidental, nomeadamente, Londres.

A cidade de todos os cheiros

Dhaka é, também, a cidade de todos os cheiros e a sua mistura não é, propriamente, das mais agradáveis. Na época seca, o pó, os fumos e os gases de escape de automóveis e motorizadas é uma constante (recomenda-se o uso de máscara); o lixo espalha-se pelas ruas; há esgotos a céu aberto; esterco, mijo, águas estagnadas e putrefactas; cheiro a sabonetes, incenso e perfume à porta das lojas da especialidade; suor humano; lâmparinas a queimar kerosene; criolina nos passeios; e, por fim, especiarias, frutas e legumes frescos nos mercados.

Há famílias a viver em barracas sem luz, mesmo por debaixo de grandes "outdoors" de conhecidas marcas de automóveis, publicitando os seus últimos modelos. Outras vivem nas ruas, abrigadas em pequenos abrigos improvisados com madeira e cartão, mesmo na zona das embaixadas e dos edifícios de escritórios de vidros espelhados e gabinetes com ar condicionado, onde executivos engravatados trabalham tranquilamente nos teclados dos seus computadores portáteis de última geração.

Pedintes esfomeados à porta de lojas de computadores e das mais modernas "coffee-houses", geladarias e restaurantes de "fast-food" americanos (o frango parece ser mais popular do que o hamburger), coexistem as mais asquerosas bancas de rua, onde são amassadas e fritas diversas espécies de pastéis, panquecas e almôndegas.

Cabras e vacas esqueléticas nos passeios, deitadas no pó e amarradas a postes. Mais à frente, um bando de corvos debica o cadáver esventrado de um gato. Não muito longe, os talhos exibem com orgulho as suas melhores peças de carne em pleno passeio. À chegada, estas situações provocam sempre um certo impacto. Depois, o visitante habitua-se ou fica irremediávelmente deprimido.

Forte, palácio e igreja

O forte Lalbagh é um oasis no meio da confusão das ruas e ruelas da Velha Dhaka. Este imenso jardim fortificado, com uma pequena mesquita, um palacete transformado em museu e o templo de Pari Bibi (filha do Vice-Rei mughal, Shaista Khan), serve agora de refúgio aos casais de namorados, que procuram algum recato na sombra das arcadas mas, apenas para conversar...

Construído em 1678, o palacete mughal estava dotado de um balnerário revestido a ajulejos, com piscina de água fria, banheira de água quente (aquecida na cozinha situada no piso inferior) e vestiário. O museu, embora pobremente iluminado, expõe uma grande variedade de armas da época (punhais, espadas, espingardas); escudos, cotas de malha, armaduras e peitorais; finíssimos tapetes de lã; porcelanas chinesas; riquíssimos exemplares do Corão e outros livros com iluminuras; alguns retratos pintados; e uma curiosa galeria de cartas, contratos e mensagens da época.

Nas margens do rio Buriganga, ergue-se o, outrora, sumptuoso pálacio cor-de-rosa dos últimos nabados de Dhaka (o último, Salimullah Bahadur, morreu em 1915). Caído em desleixo, apesar da reconstituição dos principais quartos e salas, é hoje um palácio mal conservado e mal iluminado. Merece, contudo, uma visita.

A Igreja do Santo Rosário de Tescão (hoje, Tejgaon), construída pelos mercadores e Padres Agostinhos portugueses que se fixaram no Bengal, em 1580, é a mais antiga do sub-continente asiático. Este templo, que revela influências cristãs, indus e muçulmanas na sua fachada, foi completamente reabilitado no ano 2000, com um financiamento da Fundação Calouste Gulbenkian. Na ocasião, as pedras tumulares foram removidas do chão (onde se encontravam já muito danificadas) e transpostas para as paredes da nave central.


BLOCO NOTAS

País: Bangladesh (República Popular - 16/12/1971)

Área: 144000 km2

População: 130 milhões de habitantes

Capital: Dhaka

Moeda: Taka (câmbio em Março de 2001: 1 taka = 4 escudos)

Idiomas: Bangla. Algumas pessoas compreendem o Inglês

Vacinas: Nenhuma obrigatória. Recomenda-se a profilaxia da malária, especialmente na época das chuvas e fora de Dhaka

Documentos: Passaporte, visto (tirado no aeroporto, à chegada) e seguro de viagem

Hora: GMT - 6

Destino: Dhaka

Acesso: Por avião. Três voos semanais da British Airways, a partir de Londres. Aeroflot e Biman Airlines (companhia área do Bangladesh).

Mapas e Guias:

  • Bangladesh - Travel Survival Kit - Lonely Planet
  • Bangladesh Guide Map - The Mappa (Dhaka)
  • Dhaka City Guide Map - The Mappa (Dhaka)
  • Clima: Subtropical, com uma estação seca (Inverno, de Novembro a Fevereiro) com temperaturas moderadas inferiores a 30º; dois meses de temperaturas muito altas (40º) em Abril e Maio; cinco meses de monções com chuvas tropicais (de Junho a Setembro) e um grau de humidade que pode chegar aos 95%; e uma época propícia a ciclones (Outubro a Novembro).

    Vestuário: Roupas leves, T-shirts e calções (excepto senhoras), sapatos leves, chapéu, óculos de sol, canivete suíço, bolsa de primeiros socorros, protector solar, máscara boca e nariz (para usar no centro de Dhaka), máquina fotográfica e câmara de vídeo.

    Código de conduta: Tratando-se um país islâmico muito pouco visitado por turistas, abster-se de usar vestuário que possa ofender a população local. Especialmente, no caso das senhoras, recomenda-se o uso de saias compridas, túnicas e saris (embora não seja necessário cobrir a cabeça), camisas de manga comprida e calças. Ao contrário de outros países islâmicos, a grande maioria das pessoas adora ser fotografada, especialmente as crianças. No entanto, peça autorização antes de fazê-lo. Apesar da prática local, transporte todo o lixo consigo até encontrar um recipiente apropriado.

    Endereços úteis:

  • www.virtualbangladesh.com
  • http://bangladesh.cc/links/index.shtml
  • http://venus.gsu.edu:8008/~mir/bangla/tourism.html
  • www.bol-online.com/newspages/travel/dhaka.html
  • www.bangladeshonline.com/gob/mofa/country_profile.htm
  • www.eia.doe.gov/emeu/cabs/bangla.html
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