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À SOMBRA DO PASSADO COLONIAL

Longe o bulício da grande cidade de Havana e do cosmopolitismo turistico de Varadero, uma cidade cubana preserva ainda toda a sua identidade colonial, resistindo à passagem do tempo: Trinidad, uma cidade-museu de visita indispensável.

Texto e fotos: Alexandre Coutinho

À entrada da Fábrica de Charutos Trinidad é uma daquelas cidades onde o tempo parou, permitindo-lhe conservar toda uma atmosfera própria do período aúreo dos engenhos de açúcar e, naturalmente, da revolução cubana deste século, que possibilitou a ocupação de algumas casas senhoriais por parte da população. Mas é curioso observar a consciência e carinho posto pela grande maioria dos que habitam em casas do século XVII, no sentido de preservarem o património que lhe foi confiado. Em 1988, Trinidad foi declarada património mundial pela UNESCO.

A melhor forma de visitar a Trinidad é fazê-lo a pé, calcoreando as suas ruelas empedradas, espreitando pelas janelas para observar o interior das casas apalaçadas, visitar a fábrica de charutos (Calle Antonio Maceo), entrar nas mercearias (onde estão afixados os quadros de racionamento de alimentos para a semana), conversar com os vendedores ambulantes, etc...

Plaza Mayor A Plaza Mayor é o coração da cidade, onde poderá apreciar o rendilhado dos bancos e das cercas do jardim e visitar a Iglesia Parroquial Mayor e os principais museus: Arqueologia, Arquitectura Colonial (na antiga residência da família Sánchez, que data de 1735), Museo Romántico (instalado na antiga casa da família Brunet) e Museo Histórico Municipal. Não muito longe, recomenda-se o curioso Museo de La lucha Contra Bandidos. Igualmente, na Plaza Mayor (nº 43), encontra-se a Casa del Regidor (presidente da Câmara), construída no ínicio do século XVIII.

Algumas ruas e casas merecem um destaque especial como, por exemplo, na Calle Rosario, a morada do inquisidor-mor de Trinidad, Fernandez de Lara (nº 3), erigida em 1732, à frente da qual foram queimados vários acusados de bruxaria e magia negra; a Casa de los Curas (nº 79); e a Casa de la Cultura Trinitária (nº 406), instalada na antiga residência de outro magnata do açúcar de cana. Na esquina da Calle Cristo com a Calle Piro Guinart, ergue-se o Convento de San Francisco de Asís, construído em 1731.

Calle Real del Jigüe A casa reportada como a mais antiga da cidade (século XVI), situa-se na Calle Real del Jigüe (nº 90) e dela ainda permanece uma ala não afectada pela reedificação da casa da família Pablo-Vélez, no século XIX. Precisamente, na praça do mesmo nome, recomendo o restaurante El Jigüe, instalado numa antiga casa colonial e conservando toda a sua atmosfera característica, com boa comida e preços muito em conta. Muitas casas de Trinidad foram pintadas de azul claro ou amarelo pelos seus proprietários, para evitar a reflexão mais agressiva dos raios de sol em paredes brancas.

Em Trinidad, os turistas são menos assediados do que em Havana, mas não faltarão guias de ocasião e candidatos a guardar e lavar o carro por um dólar. Se precisar de guia, a melhor opção é a de tomar a inciativa e escolher um míudo de dez ou doze anos. É natural que lhe peçam uma T-shirt ou um «bolígrafo» (esferográfica), mas recuse dar boleias para Havana, onde ele iria engrossar a fileira de desempregados que vivem à custa de expedientes gerados pelo turismo.

A cidade foi fundada em 1514, pelo «conquistador» espanhol Diego Velázquez e, em 1518, foi ponto de partida da armada de Cortés que colonizou o México. Trinidad cedo ganhou fama com o cultivo da cana de açúcar, gado e tabaco e, no final do século XVI, a sua função estratégica de cidade portuária foi suplantada pela sua função económica e industrial. De acordo com o recenseamento de 1795, o Valle de los Ingenios dispunha de 82 moinhos de cana, onde trabalhavam 2676 escravos para uma produção de 60 mil arrobas de açúcar, mil barris de aguardente e 700 urnas de melaço. A capital colonial do açúcar (terceira maior cidade da ilha) manteve a sua opulência e riqueza até ao ínicio do século XX.


BLOCO NOTAS

País: Cuba (República de Cuba)

Área: 110992 km2

População: 10,9 milhões

Capital: Havana

Moeda: Pesos e dólares norte-americanos ($1 = 23 pesos)

Idiomas: Castelhano e crioulo

Vacinas: Nenhuma obrigatória, prevenção contra o paludismo recomendada

Documentos: Passaporte e seguro de viagem; taxa de partida: $15

Hora: GMT menos 5 horas

Destino: Trinidad, na costa Sul, a 337 quilómetros de Havana.

Mapas:

  • Cuba — Cubanacan (1:1750000)
  • Guias:

  • Cuba — Insight Guides — Apa Publications
  • Acesso: Uma das melhores formas de chegar por estrada a Trinidad, vindo de Havana (337 quilómetros) ou de Varadero, é tomar a «autopista», passar por Cienfuegos (a 82 quilómetros de Trinidad) e seguir pela estrada junto à costa. Outra alternativa, é a de seguir pela «autoestrada» até Santa Clara (a 133 quilómetros de Trinidad), passando pelas povoações de Mataguá, Manicaraguá, Guinia de Miranda, Topes de Collantes (um importante centro de turismo termal) e atravessar a Sierra de Escambray (770 metros), sobranceira à cidade de Trinidad. O percurso é mais sinuoso, mas incomparavelmente mais interessante.
    Recomendo que os percursos sejam feitos durante o dia (por razões de sinalização e segurança rodoviária) e uma especial atenção ao combustível, já que as estações de serviço não abundam e uma ou outra podem estar em ruptura de «stock»

    Clima: Subtropical e quente, ao longo do ano inteiro, mas com chuvas mais frequentes de Maio a Outubro. A humidade é geralmente mais elevada (75 a 95 por cento) nesse período.

    Equipamento indispensável: Roupas leves de algodão e linho, impermeável, sapatos leves, chapeú, óculos de sol, cantil, canivete suíço, bolsa de primeiros socorros, protector solar, binóculos, máquina fotográfica e câmara de vídeo. Dada a escassez de alguns bens de consumo em Cuba, recomenda-se que vá fornecido de sabonetes, pasta de dentes e outros artigos de higiéne pessoal e medicamentos. Os serviços médicos são muito bons e os primeiros socorros gratuitos para os visitantes.

    Código de conduta: Lembre-se que as populações locais têm os seus próprios hábitos e costumes. Peça autorização antes de fotografá-las; transporte todo o lixo consigo.

    Endereços úteis:
    Cuba

  • www.infohub.com/TRAVEL/TRAVELLER/SOUTH_AMERICA/cuba.html
  • www.cubaweb.cu/pueblo/people.html
  • www.wtgonline.com/data/cub/cub.asp
  • www.latinworld.com/countries/cuba/
    Trinidad
  • http://caribbeansupersite.com/cuba/trinidad.htm (alojamentos, restaurantes, transportes)
  • www.ovpm.org/ovpm/sites/etrini.html (Organização das Cidades Património Mundial)
  • www.periferia.org/history/trinidad.html (arquitectura)
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