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O ROCHEDO DO VULCÃO

Poucos são os portugueses que já lograram desembarcar na Ilha do Corvo, a mais pequena das ilhas do Arquipélago dos Açores e um dos mais recônditos locais do país. Além do carácter emblemático, apenas os viajantes mais persistentes, os turistas mais curiosos ou os apaixonados dos Açores visitam a ilha.

Texto e fotos: Alexandre Coutinho

Quando se avista a ilha a partir das Flores, em dias de céu limpo, o Corvo atrai pelo verde vivo da vegetação que recobre as suas encostas montanhosas«Pedra negra, areia negra e um mar esverdeado, que de Inverno assalta, vagalhão atrás de vagalhão, este grande rochedo a pique, com fragas caídas lá no fundo e que as águas corroem num ruído incessante de tragédia. Céu muito baixo, nuvens esbranquiçadas. Braveza, solidão e negrume» Raul Brandão, em «As Ilhas Desconhecidas», 1924

Quando se avista a ilha a partir das Flores, em dias de céu limpo, o Corvo atrai pelo verde vivo da vegetação que recobre as suas encostas montanhosas. No Topo, distinguem-se as casas de Vila Nova do Corvo, a mais pequena e menos populosa vila de Portugal. Para quem se mete ao mar e se dirige à ilha num dia mais nebulado, o Corvo surge como um rochedo de pedra, qual «Ilha Negra» das aventuras de Tintin.

Não é fácil chegar ao Corvo. Primeiro, há que contar com a bondade dos elementos, especialmente o estado do mar. O desembarque é feito no porto, no interior do molhe de abrigoO desembarque é feito no porto, no interior do molhe de abrigo. Não muito distante, está igualmente o aerodrómo, onde aterram pequenos aviões da SATA duas vezes por semana. Além de um passeio a pé pelas ruas estreitas de Vila Nova do Corvo, uma visita à Igreja de Nossa Senhora dos Milagres e um refresco na esplanada do Café Primavera, pouco mais há para fazer. O melhor é encontrar alguém disponível para percorrer o trajecto até ao Monte Grosso e ao Caldeirão, numa estrada que serpenteia pela encosta até uma altitude máxima de 718 metros.

O branco do casario descrito nos folhetos turísticos deu lugar a uma certa degradação das habitações. Devido à emigração, muitas casas permanecem fechadas no Corvo ao longo de quase todo o anoO Caldeirão, apenas visível em dias descobertos de nevoeiro, constitui a grande atracção da Ilha do Corvo. É a imensa cratera que resta do fenomenal vulcão que esteve na origem da ilha, onde repousa agora um lago tranquilo, povoado por ilhotas em que muitos reveêm sete das nove ilhas do arquipélago. Retomemos a obra de Raul Brandão… «lá no fundo reluz um lago com algumas ilhotas verdes - o ilhéu do Morcego, o ilhéu do Mato, as ilhas do Manquinho, do Braço, do Bracinho e do Marreca, que figuram o arquipélago. Nem uma árvore, só erva verde e tosquiada e junco vermelho (…) O nevoeiro cor de pérola desce devagar dos bordos, arrasta-se pelas paredes deixando-as todas molhadas, entranha-se e afoga o Caldeirão, transformando-o numa grande fantasmagoria». A cratera tem um perímetro de 3400 metros e uma profundidade de 300 metros.

Alguma agricultura (milho) e gado bovino (carne, leite e queijo) constituem as principais actividades económicas e a fonte de subsistência dos corvinos desde os primeiros anos de povoamento (meados do século XVI), mas a ilha é muito pobre. A maioria dos visitantes apenas permanece um dia, pelo que o turismo não se encontra ainda muito desenvolvido. É, no entanto, possível pernoitar numa casa de hóspedes.

O fim do romantismo

Longe vai o romantismo que Raul Brandão encontrou no Corvo em 1924: «Velhas de lenço e, sobre o lenço, o xaile escuro, homens de barrete, descalços e de pau na mão»Longe vai o romantismo agreste que Raul Brandão encontrou no Corvo em 1924 e que tão bem descreve em «As Ilhas Desconhecidas»: «Uma única povoação de meia dúzia de ruelas fétidas, lajeadas do burgo, algumas com meio metro de largura, onde se fabrica o estrume. A igreja, um largozinho, e, logo por trás do povoado, o monte severo, erguido em socalcos e caído a um lado (…) Velhas de lenço e, sobre o lenço, o xaile escuro, homens de barrete, descalços e de pau na mão».

Há pouco mais de dez anos, ainda as gentes do Corvo desciam ao porto para receber os forasteiros que se atreviam a atravessar o canal de barco a partir das Flores. Então, só existiam na ilha dois carros e um tractor, as portas não tinham fechaduras e não havia ladrões.

Hoje, tudo mudou. Entre automóveis, «pick-ups», furgões e camiões, existem já 70 veículos no Corvo, para duas ruas e uma estrada de pouco mais de sete quilómetros até ao Caldeirão. Do desejo de quebrar o síndrome de dupla insularidade a que estão votados os habitantes do Corvo às obras públicas de retenção de terras nas levadas, muitas são as razões que conduziram a este aumento do parque automóvel. O que ninguém aparentemente pensou é qual o destino a dar a todo este ferro-velho, daqui a uns anos.

Além de um passeio a pé pelas ruas estreitas de Vila Nova do Corvo, uma visita à igreja e um refresco na esplanada do Café Primavera, pouco mais há para fazerQuanto aos ladrões, o lema agora é «trancas à porta»! Os amigos do alheio já chegaram ao Corvo. Depois de alguns roubos pouco significativos, chegou a vez da Casa do Povo local, que mereceu a visita dos gatunos em Junho de 1999. Muitas portas apenas dispõem de típicas fechaduras de madeira. Na verdade, muitas casas permanecem fechadas no Corvo ao longo de quase todo o ano. Recorde-se que a ilha já teve mais de 900 habitantes, entretanto reduzidos a cerca de um terço pelo apelo da emigração para os Estados Unidos. O branco do casario descrito nos folhetos turísticos deu lugar a uma certa degradação das habitações, a que se junta o cheiro nauseabundo das pocilgas que cada família teima em manter junto de casa e que se agrava, naturalmente, no Verão.

No topo, distinguem-se as casas de Vila Nova do Corvo, a mais pequena e menos populosa vila de PortugalNão é fácil chegar ao Corvo. Primeiro, há que contar com a bondade dos elementos, especialmente o estado do mar, já que o barco constitui o meio de transporte mais expedito e natural de abastecimento dos corvinos. No Inverno, o vento e a ondulação deixam a ilha isolada ao longo de várias semanas. Nos meses de Julho e Agosto, as condições meteorológicas revelam-se bem mais favoráveis, mas pode haver surpresas e os turistas poderão ficar retidos dois ou três dias nas Flores devido ao mau tempo. Em dias de mar chão, a travessia de 15 milhas (cerca de 25 quilómetros) realiza-se em menos de duas horas, mesmo em barcos de borracha do tipo semi-rígidos.

O problema é que nem sempre há barcos de partida para o Corvo e uma travessia pode estar dependente do número de inscritos ou da boa vontade do célebre Mestre Augusto, concessionário oficial das travessias Flores-Corvo. Mas importa sublinhar que os barcos do Mestre Augusto não são os únicos que podem levar pessoas ao Corvo. Existem, pelo menos, quatro barcos alternativos (Flores Subaquáticas e Hotel Ocidental) que oferecem os seus serviços para observação de baleias, mergulho desportivo e uma ocasional visita à Ilha do Corvo. Em último caso, é sempre possível telefonar para o Corvo e chamar um dos barcos ali fundeados, que têm todo o gosto em recolher visitantes na Ilha das Flores.


BLOCO NOTAS

Mapa da Ilha do CorvoIlha: Corvo - Arquipélago dos Açores (Região Autónoma dos Açores - República de Portugal), situada no Oceano Atlântico a 31 graus 05' de longitude Oeste e 39 graus e 40' de latitude Norte

Área: 17,13 km2

População: 300 habitantes

Sede de concelho: Vila Nova do Corvo

Hora: GMT menos 1 hora

Mapas: Direcção Regional de Turismo dos Açores e Publiçor - Publicações e Publicidade

Guias/Livros: Abreu, Maurício e Oliveira, Alámo - Açores, Edição do autor, 1987

Acesso: Por barco, a partir das Flores. Por avião, a partir de Santa Cruz das Flores (SATA Air Açores).

Alojamento: Casa de Hóspedes - Vila Nova do Corvo (092 56130 - 56132)

Alimentação: Café Primavera - Vila Nova do Corvo (092 56212)

Clima: Temperado no Verão e húmido e chuvoso no Inverno, com temperaturas médias que variam entre os 14 e os 20º centígrados. O Verão é a melhor época para visitar a Ilha do Corvo.

Equipamento: Para a travessia de barco, especialmente, em semi-rígido é indispensável o colete de salvação, um sistema de contactos rádio e um motor auxiliar. Recomendam-se comprimidos contra o enjoo e um impermeável ligeiro. Binóculos, máquina fotográfica e câmara de vídeo.

Código de preservação: Transporte o seu lixo consigo até encontrar um recipiente próprio (preserve os oceanos).

Endereços úteis:
Açores

  • www.multi.pt/azores
  • www.multi.pt/raa
  • www.geocities.com/TheTropics/2840/azoresp.html
  • www.virtualazores.com
  • www.drtacores.pt
  • www.viaoceanica.com
  • www.ciberacores.pt
    Corvo
  • www.geopages.com/TheTropics/2140/corvp_id.html
  • www.geopages.com/TheTropics/2140/corvo2p.html
  • www.nauticorvo.pt
  • http://thor.ins-france.com/acores
    Câmara Municipal do Corvo
  • www.terravista.pt/AguaAlto/1466
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