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CAIRO: A JÓIA DO NILO

A História da humanidade marcou, para sempre, o Egipto e a cidade do Cairo, como um dos berços da civilização, guardiã de mais de dois mil anos de presença árabe, cristã, copta e judia. A "Cidade Triunfante", a maior do Médio Oriente e de África, com uma população de 16 milhões de habitantes, situa-se na encruzilhada das ligações entre três continentes: África, Ásia e Europa.

Texto e fotos: Alexandre Coutinho

Um passeio à Grande Pirâmide de Gizé - a única sobrevivente das sete maravilhas do mundo descritas pelos gregos - é como mergulhar na história de uma civilização imortal. Habituados a vê-la ao longe, nos filmes e documentários ou em fotografias de livros de história e revistas de viagens, estacar no sopé dos blocos milenares que a compõem e olhar para o topo, transmite-nos uma sensação de grandiosidade incomparável à de qualquer outra estrutura erguida pelo homem. Construída para preservar o túmulo de Chéops, faraó da IV dinastia (2575 anos antes de Cristo), a Grande Pirâmide tem uma altura de 146 metros e é constituída por 2,5 milhões de blocos de pedra, alguns dos quais pesando 15 toneladas!

A pirâmide de Chephren, construída a Sudoeste da do seu pai, é ligeiramente mais baixa (136 metros), com uma base de 215,5 metros quadrados, enquanto a pirâmide de Mycerinus, no mesmo alinhamento tem, apenas, 62 metros de altura. Junto à Grande Pirâmide, no flanco Este, jazem ainda três pequenas pirâmides dedicadas às suas mulheres ou parentes chegados. Os antigos egípcios erigiam as pirâmides como túmulos dotados de todas as condições para a vida no além, porque acreditavam na ressurreição e na imortalidade. Os corpos dos faraós eram transportados pelo Nilo em grandes barcos de madeira. Um deles, com 43,5 metros de comprimento foi recuperado e encontra-se exposto num museu próprio, junto à Grande Pirâmide.

Outros dos mais famosos monumentos do mundo é a Esfinge, uma estátua legendária de um corpo de leão com uma cabeça de homem, cujo rosto se assemelha vagamente ao do próprio Chéops. Tem 73 metros de comprimento, 20 metros de altura e ganha contornos fantasmagóricos, à noite, durante os festivais de som e luz para os turistas que ali se realizam diariamente.

Se tiver tempo, prossiga a viagem 24 quilómetros a Oeste do Cairo, até às ruínas de Memphis - erigida pelo Rei Menes, 3100 anos antes de Cristo, é a mais antiga capital do Egipto -, onde poderá ver a colossal estátua de Ramses II e até Saqqara - o mais velho cemitério do país -, com a pirâmide em escada construída em 2650 antes de Cristo pelo célebre arquitecto Imhotep, para o Rei Djoser e composta por seis "mastabas" sobrepostas no topo umas das outras. É o mais antigo monumento do mundo.

Não deixe a cidade sem, antes, visitar o Museu do Cairo, que abriga os mais fabulosos tesouros do Antigo Egipto (mais de 100 mil peças), nomeadamente, todo o recheio do túmulo de Tutankhamon, com a sua fabulosa máscara mortuária em ouro pesando mais de 10 quilos e os seus diversos sarcófagos. Apenas a múmia do faraó permanece no seu túmulo, no Vale dos Reis. Nas restantes salas do museu poderá admirar muitas outras múmias e sarcófagos de homens e animais (especialmente, gatos); colecções completas de artefactos que nos permitem imaginar com um realismo impressionante como era a vida no Egipto no tempo dos faraós; restos de sementes, outros alimentos e oferendas que acompanhavam os defuntos para o além - para espanto de muitos arqueólogos, foram descobertos potes com mel com mais de quatro mil anos em perfeito estado de conservação; e uma vasta galeria de estatuária greco-romana e egípcia de deuses, reis, príncipes e princesas de todas as dinastias.

Paciência de egípcio

Em qualquer civilização milenar que se preze e, muito à semelhança dos chineses, a paciência é a chave do segredo para fazer bons negócios no Egipto. Se tiver contactos com a Administração Pública local, marque os encontros e reuniões na parte da manhã, entre as 10h e as 13h, considerado o "período oficial" de trabalho. No sector privado, este horário é, geralmente, mais dilatado. Para evitar confusões e mal entendidos, cumprimente toda a gente com um aperto de mão (seja homem ou mulher). Fato e gravata são regra, para os homens; saia comprida (abaixo do joelho) e casaco ou vestido longo, para as senhoras e nada de cores muito vivas. Não se admire com a falta de pontualidade dos egípcios. Afinal, também, estamos em África...

Se procura uma aventura ao jeito do Indiana Jones, experimente uma corrida de táxi no trânsito caótico do Cairo. Quem conhece Marrocos, já fica com uma pequena ideia, só que, aqui, não se respeitam nem os sinais, nem os polícias de trânsito e muito menos os transeuntes. "Apanhar" um táxi não é difícil (são mais de 60 mil na cidade, velhos Fiat ou Lada, pintados de preto e branco). O pior é acertar o preço e ficar com a certeza que este será o mesmo no final da viagem, já que os taxímetros estão, regra geral, avariados ou desligados (tenha, por isso, dinheiro em notas pequenas). Os homens sós, deverão sentar-se no banco ao lado do motorista (o que, também, contribui para aumentar a adrenalina), deixando o banco de trás para as mulheres. E não se admire se o taxista "apanhar" mais alguém pelo caminho que siga na mesma direcção.

Por último, o Egipto é a pátria do "baksheesh" (gorjeta), obrigatório em quase todas as actividades ou serviços prestados. Para muitos, não se trata somente de uma gorjeta, mas de uma fatia muito significativa do salário dos taxistas, guias turísticos, empregados de mesa e de hotel. Para os ocidentais que não estão habituados aos pedidos constantes de "baksheesh", esta prática (que não se aplica só aos estrangeiros) poderá parecer estranha, mas acabará por entrar na rotina do dia-a-dia, tal como o assédio mais ou menos constante dos candidatos a guias, carregadores e vendedores ambulantes.

Não obstante os riscos de um atentado terrorista estarem sempre presentes na mente dos turistas ocidentais - recorde-se que o turismo egípcio levou quatro anos para recuperar dos sangrentos atentados de Luxor, em 1997 - o Cairo não é uma cidade perigosa para os estrangeiros. As medidas de segurança foram consideravelmente incrementadas em torno dos museus, hotéis e principais monumentos, sendo apenas de evitar, à noite, determinados bairros periféricos da cidade. A Lei islâmica é dura para os ladrões, mas não evita os furtos ocasionais e a actuação de alguns carteiristas que se aproveitam com os pertences "abandonados" dos turistas mais distraídos.

As doces tentações do "souk"

Depois dos negócios e das visitas de carácter cultural, surge o natural impulso de fazer compras e o Cairo é uma das cidades onde é mais difícil resistir às tentações. Do famoso "souk" (ou bazar) Khan el-Khalili, que se mantém praticamente inalterado desde o século 14 aos mais modernos centros comerciais com ar condicionado e lojas de marca, muitas são as ocasiões para comprar a bom preço especiarias, perfumes, tapetes, ouro, pratas, cobre e latão, vidros, cerâmicas e artigos em pele. Visite algumas das ruas mais comerciais, como a Wekala al-Balaq e a Mohammed Ali, esta última com muitas lojas especializadas em instrumentos musicais. Relativamente, às pretensas "antiguidades" e "papiros", saiba de antemão que são todos falsos e, na maior parte dos casos, reproduções grosseiras sem qualquer valor. E, mesmo que num incrível golpe de sorte, conseguisse comprar uma peça genuína, a peso de ouro, o mais provável é que esta ficasse retida no aeroporto, ao abrigo das leis que interditam a sua exportação para fora do Egipto sem uma licença das autoridades competentes. Teria, certamente, que a doar a algum museu local...

Prepare-se, desde já, para regatear (mesmo em lojas com os preços afixados). O montante pedido pelos vendedores aos turistas é, geralmente, quatro ou cinco vezes superior ao valor real do objecto pretendido e, além disso, uma boa negociação faz parte da cultura árabe de encontrar o "preço justo" em que todos ficam satisfeitos com a transacção. Não hesite em contrapor um valor irrisório, porque nenhum vendedor lhe venderá seja o que for por um preço abaixo de custo. O melhor momento do dia para fazer compras é.... à noite. Faz menos calor e a animação é maior. A cidade ganha uma nova vida e oferece um vasto leque de opções gastronómicas, com alguns dos melhores restaurantes do Médio-Oriente ou simples esplanadas de cafés. Para fechar uma estadia no Cairo, nada melhor do que um reconfortante jantar num restaurante flutuante do Nilo ao som das mais encantadas melodias das Mil e Uma Noites.


BLOCO NOTAS

País: Egipto (República Árabe Unida do Egipto - 1936)

Área: 997739 quilómetros quadrados.

População: 63 milhões de habitantes.

Capital: Cairo/Al Qahira (16 milhões de habitantes).

Moeda: Libra egípcia (1 euro = 4,73 libras egípcias).

Idiomas: Árabe.

Documentos: Passaporte, visto e seguro de viagem.

Vacinas: Nenhuma obrigatória, recomendada contra a febre amarela e a malária.

Hora: GMT+ 2

Acesso: Por avião, através da Egyptair, via Madrid ou British Airways, via Londres.

Clima: Ao longo de quase todo o ano, excepto nos meses de Inverno (18 a 20 graus centígrados), o Cairo é uma cidade quente e húmida. Na Primavera, entre Março e Abril, sopram ventos quentes e poeiras do deserto e no Verão, é um autêntico "forno", com temperaturas que sobem facilmente aos 35 e 38 graus centígrados.

Conselhos úteis: Os não-muçulmanos não podem visitar mesquitas durante as orações e, algumas delas, não recebem visitas de todo. Informe-se e descalce-se antes de entrar. Os homens não poderão entrar de calções e as mulheres, preferencialmente, de cabeça e braços cobertos, saias e vestidos longos. Beba muita água, mas apenas engarrafada.

Hotéis:

  • Mena House (*****) - Tel.: (202) 3833222
  • Semiramis Inter-Continental Cairo (*****) - Tel.: (202) 7957171
  • Hilton Nile Hotel Cairo (*****) - Tel.: (202) 5780444
  • Sheraton Cairo Hotel (*****) - Tel.: (202) 3369700
  • Cleópatra Palace Hotel (***) - Tel.: (202) 5759900
  • Restaurantes:

  • Aly Hassan El Hati - 8A July 26th St. - Tel.: (202) 3918829
  • Felfela - 15, Talaat Harb St. - Tel.: (202) 3901776
  • 4 Corners - 11, Rd. 18, Maadi - Tel.: (202) 3507189
  • Felfela Village - Mariouteya Canal St. - Tel.: (202) 861950
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