logo:jipes Cabo Sardão (Portugal) Logo: Jipes
O REINO DA CEGONHA-BRANCA

«Entalado» entre Almograve e a Zambujeira do Mar fica o ponto mais ocidental da costa alentejana. Guardado por um farol, sentinela do Cabo Sardão, este é um lugar de reconciliação absoluta com a paisagem terrestre e marítima.

Texto: Paula Carvalho Silva
Fotos: Alexandre Coutinho

Vista panorâmica do Cabo Sardão Não é possível ficar impávido perante as imponentes escarpas cavadas a pique em direcção a um mar possante e ao mesmo tempo sereno, ou confrontado com um horizonte de planícies infindáveis, cobertas por uma vegetação rasteira e verdejante.

Aqui, o mundo abranda até quase parar. A brisa diurna faz esquecer preocupações, correrias e más disposições. Aqui tudo é relativo. Só importa a comunhão dos sentidos. A beleza esmagadora e a paz inebriante vão "obrigá-lo" a uma introspecção, a um abandono do supérfluo, a uma demanda fácil da felicidade. Esqueça o tempo. Faça tudo ao ritmo do voo planado de uma ave, do ar ameno, do andar mole e relaxado dos habitantes. Enfim, adaptando um ditado já muito antigo, no Alentejo, faça como os alentejanos.

O Farol Já de noite o caso muda de figura... o vento aumenta de intensidade, o negro cai sobre a planície e os relâmpagos brancos do farol dão um ar um tanto ou quanto fantamasgórico às redondezas. Mas, não se deixe impressionar: a estar povoado por seres de outro mundo, eles serão, certamente, almas pacíficas que usam a voz do vento para lhe sussurrarem segredos, histórias de outros tempos.

Neste ambiente tão propício o céu é invadido por milhões de pontos brilhantes de luz, estrelas invisíveis na urbe, constelações mágicas.

O refúgio da águia-pesqueira

Para quem não conhece este é, se tanto, um sítio de passagem com uma tabuleta do lado direito, para quem faz a estrada costeira que liga Almograve à Zambujeira. A placa informa que logo ali fica a aldeia de Cavaleiro e o Cabo Sardão. Da próxima vez, ou se for a sua primeira vez, vire à direita, estacione na Praça do Cavaleiro, calçe uns sapatos confortáveis e dê um passeio a pé. Quando menos esperar vai perguntar nos vários cafés e mini-mercados da aldeia onde poderá ficar a dormir.

Caminhe até ao farol, construído em 1915, contorne a sua torre, de 17 metros de altura, quadrangular de alvenaria com casa anexa, repare da lanterna cilíndrica vermelha. Se quiser saber mais pormenores sobre o interior do edifício e a vida dos faroleiros ligue para a Capitania de Sines e marque uma visita guiada.

Dirija-se para a falésia, fique por ali durante algum tempo a admirar os veios cravados nas paredes rochosas, as ilhotas semeadas aqui e ali ao longo da costa, os muitos casais de cegonha-branca que só aqui e apenas nesta costa escolheram o seu local de nidificação. No resto da Europa poderá encontrá-las, mas mais para o interior. Entre as aves típicas desta região, e se estiver atento, verá também falcões-peregrinos, gralhas-de-bico-vermelho e mais raramente francelhos.

Na origem da criação do Parque Natural esteve, entre muitas outras razões, a existência do último casal de águia-pesqueira em Portugal. Infelizmente, a fêmea morreu em 1997 presa em redes de pesca, mas no ano de 2000 outra fêmea apareceu para se juntar ao macho solitário.

O esconderijo das praias desertas

Praia de Cavaleiro Regresse à entrada da aldeia e entre por um caminho de terra, ladeado por casas, que o vai levar até à praia de Cavaleiro. Com um acesso construído por uma íngreme escada de pedra, cimento e rocha e um corrimão de madeira, esta praia pequena e simpática, de areia branca e fina, tem a grande vantagem de ser pouco povoada por turistas. Rodeada por falésias, já adulteradas por pinturas "selvagens", feitas por elementos pouco amigos da natureza, é ainda assim um pequeno paraíso, mas preste atenção pois o sol esconde-se por volta das seis da tarde.

Se for um pouco aventureiro e não tiver crianças, vá um pouco mais além. Num passeio ao longo da escarpa, por um carreiro fácil de encontrar mas muito estreito nalguns pontos, encontrará outras praias idílicas e desertas, mas de muito difícil acesso. Para além das aves que nidificam nesta zona, só um número muito reduzido de pescadores à linha insiste em fazer destas paragens a sua casa. O impulso de descer até à areia vai ser quase irresistível, a água limpa e transparente lá bem em baixo e a convidativa privacidade de uma costa entrecortada por enseadas vão fazê-lo pensar em ver e viver tudo mais de perto, mas cuidado veja onde põe os pés.

Mesmo assim, o passeio vai valer a pena para conhecer uma das costas mais bonitas e agrestes de Portugal.


BLOCO NOTAS

Localização: No Concelho de Odemira, na área de paisagem protegida do Sudueste Alentejano e da Costa Vicentina, entre Almograve e a Zambujeira do Mar, junto à aldeia de Cavaleiro.

Acesso: EN 393, desvio na placa Cabo Sardão. Distância de seis quilómetros.

Tipologia do farol: Torre quadrangular de alvenaria com edifício anexo. Torre de 17 metros de altura. Lanterna de três relâmpagos brancos com um período de 15 segundos.

Localização do farol: Latitude - 37º 35,8' Norte; Longitude - 08º 48,9' Oeste.

Pormenores de construção: Pensado em 1883, sua construção e entrada em funcionamento data de Abril de 1915. Em 1950 foi instalada uma nova fonte luminosa de incandescência eléctrica e em 1984 foi ligado à rede pública de energia eléctrica.

Fauna: Nas falésias e ilhas rochosas vivem espécies como a cegonha-branca, falcões-regrinos, gralhas-de-bico-vermelho, francelhos e o último casal de águia-pesqueira de Portugal.

Flora: O planalto litoral, situado entre S. Torpes e Vila do Bispo, tem uma constituição essencialmente areanosa e, no passado, existiam grandes zonas cobertas com urzais hidrofíticos e juncais. Actualmente podem encontrar-se sargaçais, carrascais, urzais e ainda chorões.

Clima: Ameno, quente e ventoso no Verão; frio, húmido e ventoso no Inverno. Noites frias e ventosas a partir de meados de Setembro.

Alojamento: Monte da Moita Nova (turismo de habitação) - Cavaleiro - Dispõe de quatro apartamentos T1, totalmente equipados, jardim, actividades agrícolas/pecuária e criação de cavalos de puro sangue árabe. Preços: Entre os 10 e os 13 contos por dia e os 55 e 80 contos por semana. A proprietária dá aulas de equitação individuais e os cavaleiros com experiência podem ir passear a cavalo junto às falésias e nos campos circundantes. Tel.:283647357.

Restaurante e café:

  • Café Caravela - Praça do Cavaleiro;
  • Restaurante Rocamar - Rua das Palmeiras, 10 - Tel.: 283647563.
  • Outros locais a visitar:

  • Praias de Almograve, Vila Nova de Mil Fontes ou Zambujeira do Mar;
  • Passeios até aos moinhos de vento e de maré, a uma necrópole da Idade do Ferro, ou aos centros de artesanato, tudo no concelho de Odemira.
  • Viagem Anterior
    Canal Temático
    Topo da Página
    Página Principal
    Viagem Seguinte