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A RAINHA DO DANÚBIO

Convite para uma viagem em que poderá visitar duas cidades pelo preço de uma: Buda e Peste são como a cara e a coroa de uma mesma moeda e formam juntas a capital da Hungria, um dos 10 novos Estados membros da União Europeia desde Maio de 2004.

Texto: Alexandre Coutinho
Fotos: Ofício do Turismo Nacional Húngaro

A primeira face, Buda, erguida desde os tempos da Idade Média sobre as colinas sobranceiras ao Danúbio, conserva os testemunhos de um passado glorioso feito de castelos, igrejas e palácios; o verso da moeda, Peste, mais moderna e traçada a régua e esquadro numa superfície plana, é a zona comercial e de entretenimento por excelência. Até 1873, as duas eram, de facto, duas vilas separadas. A dividi-las, o majestoso Danúbio azul, atravessado por diversas pontes, com destaque para a Ponte das Correntes, a primeira ligação permanente construída sobre o rio, corria o ano de 1849; a Ponte Elisabeth, baptizada em honra da rainha de Inglaterra; a Ponte da Liberdade; e a Ponte Margit, que liga a ilha do mesmo nome às margens do Danúbio. Considerada o pulmão da cidade, a Ilha Margit é o resultado da fusão de três ilhas mais pequenas (Spa, Pictor e Coelhos) que existiam há dois séculos no meio do rio. Os seus 100 hectares de espaços verdes interditos ao trânsito automóvel, são como um oásis de tranquilidade no coração de Budapeste. Podem alugar-se bicicletas, fazer percursos pedestres ou relaxar nos banhos públicos ao ar livre do Palatinus Lido ou na piscina Alfred Hajós.

O diálogo permanente entre Buda e Peste, traduz-se também por um contraste único e rico de arquitectura, com edifícios em estilo românico, gótico, barroco, neoclássico e Art Nouveau húngaro. Não é por acaso que Budapeste é conhecida por "Paris da Europa de Leste", dotada com uma certa luz de "fin-de-siècle" imperial.

Património mundial

Comece o seu périplo pela colina do Castelo e pelo bairro histórico, proclamado património mundial pela UNESCO em 1988. O meio de transporte mais original para lá chegar é recorrendo ao funicular, uma linha inaugurada em 1870. Na zona Sul da colina, situa-se o Palácio Real, erguido no século 19 em estilo barroco, pela imperatriz Maria-Teresa, no local do primitivo castelo medieval destruído nas batalhas contra os invasores turcos. O palácio foi totalmente arrasado durante a Segunda Guerra Mundial, mas foi reconstruído e abriga, hoje, os museus de História de Budapeste e de Arte Contemporânea, bem como a Galeria Nacional Húngara.

Dos sete torreões do Bastião dos Pescadores, que deve o seu nome à guilda encarregue de defender este trecho da muralha na Idade Média, desfruta-se de uma das mais belas panorâmicas da cidade. A colina do Castelo é um dos bairros mais pitorescos e românticos de Budapeste, conservando a atmosfera das suas ruas e vielas, casas de fachadas coloridas, pracetas e igrejas. Na Praça da Trindade, situa-se a Igreja Catedral Mátyás, nome do seu principal mecenas, o Rei Mátyás, que nela se casou por duas vezes. Quase tão antiga como o Palácio Real foi reconstruída em estilo neo-gótico e palco de diversas cerimónias de coroação. Mesmo ao lado, a fachada envidraçada do Hotel Hilton reflecte a variedade de cores dos frisos da Igreja e incorpora as ruínas de um antigo colégio jesuíta do Século 18. Uma obra feliz do arquitecto Béla Pintér.

Para obter uma visão de conjunto de todas estas maravilhas, suba à vizinha colina Gellért, avista-se o bairro histórico, a Catedral Matthias, o Bastião dos Pescadores, o Palácio Real e, naturalmente, o Danúbio e as suas pontes. É mais um esforço, mas a vista compensa o esforço. No topo, está a Fortaleza da Cidadela e dos monumentos à independência do país. Mais abaixo, situa-se o conhecido Gellért Hotel, construído em 1918 em estilo Art Nouveau, com as suas termas e spa. É como tomar banho numa catedral, dizem os felizes banhistas deslumbrados com a beleza da piscina interior do Gellért. Além da piscina de ondas (que data de 1927) e da piscina de "bolhas de champagne" (1934), os terraços para naturistas são muito procurados entre os meses de Abril e Setembro.

Vista do anfiteatro de Buda, a margem de Peste é dominada pelo belo edifício do Parlamento Húngaro, visivelmente inspirado no seu homólogo britânico. A construção, em estilo neo-gótico, foi confiada em 1885 ao arquitecto Imre Steindl, levando 17 anos a ser concluído. Com uma superfície de 15 mil metros quadrados, tem um comprimento de 265 metros e uma largura máxima de 123 metros, com uma cúpula de 96 metros de altura. A decoração interior, com mármores, talhas douradas, vitrais, estátuas, tapeçarias e pinturas murais, rivaliza com a aparência exterior do edifício.

Cultura dos cafés

A Praça Vörösmarty, sempre muito concorrida por habitantes locais e turistas, é considerada o centro da cidade e nela se situam (a par da rua Liszt Ferenc) alguns dos mais populares cafés de Budapeste, como os famosos Gerbeaud, Angélika, New York e Ruszwurm, aberto em 1827. Daqui, parte igualmente a rua Váci, a primeira rua pedestre da cidade e, naturalmente, uma das mais comerciais. Além das lojas de marca, alguns vendedores ambulantes de artesanato vindos da província e músicos de rua. Aliás, a música é uma constante todo o ano em Budapeste. Não deixe de visitar a Academia de Música Franz Liszt, adjacente à casa em que o compositor viveu os últimos cinco anos da sua vida (é hoje um museu recheado de pianos e partituras) e o edifício neo-renascentista da Ópera, onde a beleza da sala de espectáculos ofusca qualquer representação em palco.

Do outro lado da cidade, um edifício em forma de panteão romano abriga os últimos mil anos de História da Hungria, fruto de um invejável cruzamento de culturas. Budapeste acolhe a segunda maior sinagoga da Europa, com capacidade para três mil pessoas, construída em estilo românico no Século 19, para a comunidade de 30 mil judeus que habitavam em Peste. Visite, igualmente, a Basílica de São Estêvão, a maior da cidade - com lugares sentados para 8500 pessoas - construída em forma de cruz e dedicada ao fundador do Estado Húngaro, o Rei Estêvão. Do alto da sua cúpula de 65 metros, desfruta de uma belíssima panorâmica a 360º.

Mas Budapeste também é uma cidade cosmopolita e virada para a diversão e o entretenimento, com uma grande profusão de bares, restaurantes e discotecas. A primeira, surgiu timidamente no final dos anos 80, ainda nos tempos da famosa cortina de Leste e dava pelo nome de Estrela Vermelha. De dia, o Parque da Cidade, na zona Norte, é o ponto de encontro ideal para descontrair o espírito. A entrada faz-se pela Praça dos Heróis, dominada pelo monumento à revolta de 1956. O parque abriga o jardim zoológico, o Grande Circo Municipal, o castelo Vajdahunyad - no meio de uma das ilhas do lago que, no Inverno, constitui um dos pólos mais populares para a prática da patinagem no gelo. No Verão, pelo contrário, recomendam-se a piscina e os banhos Széchenyi. É um dos maiores complexos do género na Europa.

A tradição dos banhos em Budapeste remonta ao tempo dos romanos, cujas legiões ficavam aquarteladas em Aquicum - hoje, o antigo bairro de Óbuda, com as ruínas de um anfiteatro militar romano com capacidade para 15 mil homens. A abundância de águas termais e medicinais não tem igual no mundo, com um total de 118 fontes, que debitam até 30 mil metros cúbicos de água por dia, entre os 21 e os 38 graus centígrados. Os romanos usavam 14 dessas fontes; os turcos, em 1669, uma dezena; existindo actualmente 24 banhos, spas e piscinas (interiores e exteriores) abertas ao público.

Além das já citadas, destaque para os banhos Király, entre a Ilha Margit e a colina do Castelo, nas margens do Danúbio. Tem quatro piscinas, uma delas coberta por uma abóbada que data de 1570; e para os banhos Rudas, com um banho turco de 1566 e uma piscina octogonal construída em 1896 (foi a segunda piscina interior de Budapeste).


BLOCO NOTAS

País: Hungria (República da Hungria - 23/10/89).

Área: 93030 km2.

População: 10,1 milhões de habitantes.

Capital: Budapeste (2 milhões de habitantes).

Moeda: Forint (1 euro = 249,91 forints).

Idiomas: Húngaro (89,9%) e alemão.

Vacinas: Nenhuma obrigatória.

Hora: GMT +1.

Documentos: B.I. e seguro de viagem.

Guias: Hungary, Country Guides, Lonely Planet.

Clima: Temperado, na Primavera e no Outono, o que torna estas estações as mais aprazíveis para visitar Budapeste. O Verão é geralmente quente e o Inverno, frio e húmido.

Pontos de interesse: Colina do Castelo (Palácio Real, Bastião dos Pescadores, Praça da Trindade, Igreja Catedral Mátyás), colina Gellért (Fortaleza da Citadella), Ponte das Correntes, Ilha Margit, Parque da Cidade, Parlamento, Sinagoga, Basílica de São Estêvão, banhos públicos.

Alojamentos:

  • Danubius Hotel Gellert (*****) - Szent Gellért tér, 1 - Tel.: 36 (1) 3852200.
  • The Hilton Budapest (*****) - Hess A. tér, 1-3 - Tel.: 36 (1) 8896600.
  • Hotel Astoria (****) - V. Kossuth Lajos utca, 19-21 - Tel.: 36 (1) 8896091.
  • City Panzio Pilvax Hotel (***) - Pilvax koz, 1-3 - Tel.: 36 (1) 2267660.
  • Buda Center Hotel (**) - Csalogány utca, 23 - Tel.: 36 (1) 2016333.
  • Citadella Hotel (*) - Citadella sétány - Tel.: 36 (1) 4665794.

    Cafés e restaurantes:

  • Incognito - Liszt Ferenc tér, 3 - Tel.: 36 (1) 3421471.
  • Café Gerbeaud - V. Vörösmarty ter, 7 - Tel.: 36 (1) 4299000.
  • Feszek Muveszklub - Kertesz utca, 36 - Tel.: 36 (1) 3226043.
  • Gundel (cozinha tradicional húngara) - Állatkerti út 2, 1146 - Tel.: 36 (1) 4684040.
  • Új Sipos Halászkert (especialidades de peixe) - Fö tér, 6 - Tel.: 36 (1) 3888745.
  • Aranyszarvas (pratos de caça)- Szarvas tér, 1 - Tel: 36 (1) 3756451.
  • Alabárdos (cozinha tradicional) - Országház utca, 2 - Tel.: 36 (1) 3560851.

    Como chegar: De avião, com a TAP, que oferece semanalmente três ligações entre Lisboa e Budapeste (voo directo às terças e sextas; via Praga, às quartas) e ligações diárias, via Zurique, em operação conjunta com a companhia aérea húngara Malev.

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