logo:jipes Auckland (Nova Zelândia) Logo: Jipes
A MECA DA VELA

Velas desfraldadas ao vento, veleiros de competição, iates dignos de reis, muita animação e toda uma parafernália de souvenirs, das t-shirts aos artigos mais especializados para os profissionais da vela, tornam-se rapidamente na face mais visível de Auckland, a maior cidade da Nova Zelândia, catapultada para as bocas do mundo quando, a partir do ano de 2000, acolheu a maior competição de vela do planeta, a America's Cup.

Texto e fotos: Paula Carvalho Silva

Auckland espraia-se ao longo de avenidas largas onde as lojas aparecem porta sim, porta sim, nos rés-do-chãos de prédios modernos ou concentradas em centros comerciais. Queen Street, a principal artéria da cidade é assim. Espaçosa, cheia de luz do dia complementada pelo brilho dos néons dos placards publicitários. As pessoas apressam-se cima a baixo ao longo de todo o dia, parando apenas para um olhar mais atento a um qualquer artigo exposto numa montra ou para comer num dos muitos restaurantes e snacks de fast food que oferecem desde os tão vulgares hambúrgueres aos pratos exóticos da longínqua Índia.

É aqui também que se podem adquirir os souvenirs mais baratos, mas também mais comuns, relacionados com a designação pela qual é conhecida Auckland: "a cidade da vela". Proliferam milhares de t-shirts com dizeres alusivos a este desporto, fatos de banho, miniaturas de embarcações, enfim, um sem número de artigos que só terminam nas lojas para profissionais onde a corda X e a bússola Y, ou outros items incompreensíveis para os mais leigos, são facilmente adquiríveis.

Mas é quando se desce a avenida e depois de se atravessar a Customs Street, que se chega à Quay Street e ao local por excelência da Meca da vela, o porto de Waitemata. Para trás e para a esquerda ficaram alguns prédios de arquitectura mais arrojada onde hotéis, instituições bancárias e empresas encontraram o seu lugar. Virado para o mar e para a imensa baía fica o edifício a partir do qual se podem apanhar os ferries para o outro lado da enseada a caminho de Devonport ou das ilhas de Waiheke ou Rangitoto, entre outras. Inaugurado em 1912 e construído em pedra arenosa, tijolo e granito, alberga no piso térreo um café-restaurante com esplanada com vista para a água onde se pode aguardar agradavelmente o barco para o destino pretendido.

Com o mar sempre à direita o passeio vai-se desenrolando pelos cais de Prince's Wharf e Hobson Wharf em direcção à zona onde acostam e se concentram veleiros de todo o mundo. As velas, aqui arriadas, as bandeiras dos países a que pertencem dão-lhes um colorido muito próprio rematado pelos desenhos e pinturas dos patrocínios de marcas bem conhecidas e pelo brilho dos metais. A pé, pelo America's Cup Village admira-se o cuidado extremo das tripulações na conservação das embarcações, mas também as esplanadas dos cafés e restaurantes que, virados para a baía, oferecem um ambiente descontraído. Poiso de marinheiros e velejadores é o famosíssimo Loaded Hog, onde a ementa despretensiosa e interessante é complementada por uma variedade imensa de cervejas.

Não sendo possível visitar uma grande parte da área que se encontra acessível apenas aos donos dos iates e veleiros, uma visão mais geral está ao alcance de todos através das inúmeras empresas que, ali mesmo na baía, oferecem desde experiências com uma duração de duas horas a bordo de um veleiro de competição, até aos passeios em pequenos barcos amarelos com flutuadores ou em barcos-táxi. Esta opção é muito agradável e consoante a escolha que fizer pode ficar a preços razoáveis.

Da elegância ao kitsch

O bulício de uma grande metrópole nota-se bem no centro da cidade, mas outros bairros foram preservados e são hoje local quase de culto para os habitantes e chamariz para turistas. Parnell Road transpira elegância e charme com as suas casinhas de madeira ao estilo colonial do início do século XIX. Situado no cimo de uma colina este bairro há muito que se transformou no sítio obrigatório de passagem para quem gosta de lojas requintadas e galerias de arte, restaurantes íntimos e cafés decorados de cores quentes. Mas, é por trás da rua principal deste bairro que o emaranhado de ruas e ruelas escondidas pela fileira de casas se transforma num mini país das maravilhas onde Alice, a protagonista da história infantil, poderia aparecer de rompante vinda de trás de uma qualquer esquina. Becos, pátios interiores bem iluminados, passadiços de madeira e ferro e escadas, num intrincado labiríntico que suscita a curiosidade e que o levará na busca de pormenores que facilmente lhe escapariam noutro espaço menos distintivo.

As muitas lojas com características próprias e artigos de qualidade são, na sua grande maioria bastante caras, mas vale a pena entrar para simplesmente admirar algumas peças que são verdadeiras obras de arte, caso da Höglund Art Glass que detém uma colecção invejável de objectos em vidro, concepções do designer com o mesmo nome.

Para se chegar a esta parte da cidade e se visitar outros pontos de interesse o autocarro Link é o mais indicado, ou o seu percurso não tivesse sido estudado especialmente para servir os turistas. De Queen Street, Ponsonby Road, Karangahape Road, Newmarket, Victoria Park Market a Parnell Street, entre outras paragens, este meio de transporte a preços acessíveis permite percorrer as distâncias maiores entre as atracções poupando algum cansaço.

A atmosfera mais kitsch de Karangahape Road é caracterizada por um aspecto mais pobre mas também mais alternativo. Lojas de velharias, alguns artigos pseudo eróticos nalgumas montras, sex-shops e estabelecimentos que se dedicaram ao comércio de peças mais étnicas para decoração de casas e lojas de roupas vindas do continente asiático, bem como cafés, bares e restaurantes, alguns com ambiente bastante duvidoso, dão um ar muito eclético a esta zona da cidade. Conhecida durante o dia por ser uma rua privilegiada para compras, é à noite que surge a classificação mista de local de entretenimento para todos e de "zona vermelha". No café Verona, um dos oásis de bom gosto em Karangahape, jovens com um "look" artístico e intelectual juntam-se ao final da tarde para uma bebida e uma conversa amena num ambiente solto e descontraído. O olhar detém-se nalguns pormenores originais da decoração. Paredes pintadas a vermelho, um candeeiro gigante em forma de ventoinha com as pás desenhadas por fileiras de garrafas de vidro verde cada uma com a sua lâmpada, são exemplos da particularidade do local, enfatizada pela frase estampada nas t-shirts das empregadas - "at least we're not hairdressers" (pelo menos não somos cabeleireiras) - e pelas refeições ligeiras do menu, quase todas vegetarianas.

Uma vista do céu

Pedaços de terra de diversos tamanhos, tufos de nuvens, arranha-céus, grandes extensões de verde e o mar da Tasmânia a perder-se no horizonte, uma vista para apreciar do topo do mundo e a partir (quase) do céu. Está-se de volta ao centro da cidade e ao mais alto edifício do Hemisfério Sul. Do topo da Sky Tower, a terminar em formato de antena são 328 metros. Uma varanda circular a 270 metros dita a altura máxima a que se pode chegar, mas só com marcação antecipada, guias e material de segurança numa escalada que dura duas horas apelidada de Vertigo. Sempre em sentido descendente mas não de emoções e a partir do andar do restaurante "Observatory" a 192 metros de altitude vem o salto para o vazio, num teste aos limites da coragem e da adrenalina. Mas para quem não está disposto a grandes aventuras e queira experimentar uma vista maravilhosa existe sempre o elevador que leva os visitantes à varanda principal, a 186 metros. Igualmente circular este terraço fechado tem a particularidade de ter janelas de vidro no chão, suscitando algumas reacções caricatas dos turistas: passar ao lado, saltar, ou simplesmente hesitar antes de pisar, são os gestos mais comuns, acompanhados muitas vezes por risinhos nervosos. Depôs fica-se a saber que a espessura dessas janelas é de 38 milímetros o que as torna tão resistentes quanto o aço do painel ao lado, algo que não tranquilizará certamente os que possam sofrer de vertigens.

Em mais uma paragem no circuito do Link, o mercado de Victoria Park, com as suas três fileiras de lojas à volta de um pátio revelou ser uma decepção. Entre roupas e artigos para casa perfeitamente banais e nalguns casos mesmo "rascas", apenas duas montras sobressaíram do conjunto pobre: Uma de malas em cabedal e outra de peças de vestuário, ambas com a entrada virada para o dito pátio. Enfim, uma deslocação evitável, principalmente quando ainda faltam alguns espaços interessantes para visitar. Dos museus disponíveis destaque para o Auckland Museum, para apreciar os tesouros dos Maori Taonga, os artefactos do Pacífico Sul e a cultura Maori durante os espectáculos que têm lugar três vezes ao dia e para o New Zealand National Maritime Museum, onde, para além das 14 exibições que lhe mostram a história marítima do país, terá a oportunidade de velejar no porto a bordo de um veleiro antigo ou fazer um pequeno passeio no deck de um barco a motor.

Diversidade e integração cultural

Auckland faz parte do território da Nova Zelândia constituído pela Ilha do Norte e pela Ilha do Sul. Outrora capital, estatuto que perdeu para Wellington, continua a ser, no entanto, a cidade que alberga mais habitantes sendo que um terço da população total do país (cerca de 1,3 milhões de pessoas) vive nesta região da Ilha do Norte. As gentes de Auckland dividem-se entre os 60% de descendência europeia, 13% de ilhéus oriundos do Pacífico, 12% Maoris e 10% de origem asiática.

A cidade é também conhecida pelo nome Tamaki-Makau-Rau que significa a cidade dos cem amantes, numa clara alusão a uma região que outrora foi desejada por todos e conquistada por muitos. Entalada entre três portos, duas cadeias de montanhas, 48 cones vulcânicos e mais de 50 ilhas, Auckland foi "adoptada" pelo povo Maori que há cerca de oito séculos se instalou aqui em pequenas vilas fortificadas, junto à boca dos vulcões. O famoso capitão Cook falhou a descoberta da existência do porto de Waitemata o que atrasou até 1820 a chegada do primeiro Europeu, Samuel Marsden, a esta região da Nova Zelândia.

A diversidade cultural e a importância da cultura Maori estão bem presente na sociedade neo-zelandesa, ao contrário do que acontece com os aborígenes na Austrália. Com peso em quase todos os quadrantes de actividades é na educação que se nota um aumento do número de Maoris que frequentam a universidade. A língua Maori é, apesar de quase só ser utilizada em cerimónias tribais, considerada uma língua oficial a par com o inglês.


BLOCO NOTAS

País: Nova Zelândia.

Cidade: Auckland.

População: Cerca de 1,3 milhões de habitantes.

Idioma: Inglês.

Hora: GMT +12.

Clima: Temperado e ameno sem grandes variações térmicas entre as estações do ano. Janeiro e Fevereiro são os meses de maior calor com as temperaturas a chegarem aos 30 graus centígrados. Durante o Inverno as temperaturas variam entre os 10 e 17 graus.

Como ir: A partir de Londres, com a Air New Zealand.

Hotéis:

  • The Heritage Auckland
  • First Imperial Hotel & Apartments - 131-39 Hobson Street; tel.: +64 (9) 3576770.
    Perto do centro tem 61 quartos com casas de banho privativas.
  • Auckland Central Backpackers - Cnr Queen Street & Darby, Level 3, 229 Queen Street; tel.: +64 (9) 3584877.
    Hotel para jovens e turistas de mochila às costas em prédio alto totalmente incaracterístico mas que oferece um sem número de serviços concentrados, casos da lavandaria, Internet, café e quartos que vão das camaratas aos quartos com cama de casal e casa de banho privativa. Nada de luxos, mas a preços muito económicos e num ambiente amigável.
  • Chalet Chevron - 14 Brighton Road, em Parnell; tel.: +64 (9) 3090291.
    Para quem pretende uma zona mais tranquila da cidade Parnell, esta pequena casa para hóspedes com excelente vista sobre o porto é uma excelente alternativa aos hotéis do centro.
  • Restaurantes:

  • The Mexican Cefé - 67 Victoria Street West; tel.: +64 (9) 3732311.
    Clientela muito eclética num restaurante com ambiente alegre e descontraído, banda de música ao vivo para animar o resto da noite e preços muito acessíveis.
  • Hammerheads Seafood Restaurant - 19 Tamaki Drive, Okahu Bay; tel.: 64 (9) 5214400.
    Com uma vista espectacular sobre a baía que se pode admirar das janelas em estilo art deco, este restaurante é uma excelente paragem para quem aprecia marisco.
  • Bares:

  • Loaded Hog - 204 Quay Street, American Express Viaduct Harbour; tel.: +64 (9) 3666491.
    É o bar restaurante mais popular de Auckland onde velejadores, turistas e locais se reúnem para beber uma das muitas cervejas que menu. Construído em grande parte em madeira com uma esplanada virada para o mar, a animação é quase garantida.
  • Temple - 486 Queen Street; tel.: +64 (9) 3774866.
    Neste bar do centro da cidade pode-se assistir todas as noites à performance de bandas algumas de música kiwi.
  • Globe - Darby Street, Off Queen Street.
    Um dos bares mais populares para gente nova até porque fica situado lado a lado com a porta de um dos muitos hotéis de Auckland para turistas de mochila às costas (backpackers), o Auckland Central Backpackers.
  • Outros locais a visitar:

  • Waitomo Caves - A cerca de 200 quilómetros de Auckland, na região de Waikato, fica toda uma área onde as grutas abundam. Estalactites e estalagmites, rios subterrâneos e grandes salas debaixo da terra, paisagens espectaculares que só por si seriam suficientes para uma visita. É, no entanto, um fenómeno bem diferente que atrai milhares turistas e neo-zelandeses. Os "glowworm" estão na raiz de todo o bulício. Milhares de larvas que sobrevivem, até passarem ao estado de insectos, graças à luz intensa que emanam para atrair as suas presas (outros insectos) e aos fios finos e colantes que estendem como armadilha. Existem apenas na Nova Zelândia em locais de grande humidade. De resto são em número razoável as empresas que o tentam aliciar a aventuras mais empolgantes como rafting, rappel e natação em rios subterrâneos, tudo em diversos combinados que o cliente pode escolher conforme a sua vontade e grau de coragem.
  • Rotorua - Com quatro principais áreas termais, Whakarewarewa, Waimangu, Waiotapu e Hell's Gate, Roturua não engana ninguém sobre as suas origens vulcânicas. À medida que nos aproximamos o cheiro a enxofre é intenso, proveniente dos lagos de águas sulfurosas, dos geysers, das piscinas de lama borbulhante e da actividade vulcânica. É aqui que fica o maior geyser da Nova Zelândia, o Pohutu. Expele água a ferver a 25 metros de altitude por 10 a 25 vezes por dia e fica situado dentro do New Zealand Maori Arts & Crafts Institute. Para além dos fenómenos naturais pode ainda visitar as duas escolas de artesanato exclusivamente frequentadas por Maoris, que trabalham a madeira, a tecelagem e a cestaria. Noutra oficina transforma-se a madeira e o osso em belíssimas jóias. À noite e para quem queira pagar um extra, pode-se jantar e assistir a um espectáculo Maori na Wharenui (sala de reuniões). Danças e cantares, pinturas a imitar as ancestrais tatuagens e muita simpatia é o que se pode esperar de uma performance dirigida a turistas.
  • Viagem Anterior
    Canal Temático
    Topo da Página
    Página Principal
    Viagem Seguinte