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O CASTELO DOS TEMPLÁRIOS

Edificado numa pequena ilha do Tejo, entre Vila Nova da Barquinha e Praia do Ribatejo, o Castelo de Almourol é, sem dúvida, uma das mais belas e originais fortalezas existentes em Portugal. Basta descer à margem do rio para avistá-lo em toda a sua grandiosidade. Nos meses de Primavera e Verão, há sempre um barqueiro para assegurar a passagem para a ilha em poucos minutos. Após o desembarque, uma pequena vereda conduz-nos à entrada principal.

Texto e fotos: Alexandre Coutinho

Ao atravessar a porta flanqueada por dois torreões semi-circulares, entra-se num cenário romântico e misterioso que nos transporta de imediato para o tempo dos reis e cavaleiros medievais. Vem-nos à memória filmes como "Excalibur" ou "Joana d'Arc" e, por momentos, ouvimos os sons metálicos das armaduras e das espadas, os gritos dos soldados e o tropel dos cavalos.

Frequentemente envolto pelas brumas matinais ou por densos nevoeiros nocturnos, prendem-se a este castelo lendas amorosas de princesas encantadas, príncipes mouros e cavaleiros cristãos. Na época da reconquista (séculos IX ou X), Almourol tinha por dono D. Ramiro, um senhor feudal de origem goda, com fama de bom guerreiro, mas rude e cruel. Um dia, no regresso de uma batalha, matou a mãe e a irmã de um jovem mouro que acabaria por levar para o castelo como pagem. Tendo jurado vingança do crime perpetrado por D. Ramiro, o mouro envenenou a mulher deste e planeava, igualmente, matar a sua filha, D. Beatriz, quando por ela se apaixonou. O pai repudiou o namoro e os jovens acabaram por fugiram para parte incerta. D. Ramiro não resistiu ao desgosto e à solidão, morrendo pouco depois.

Para que o mesmo não sucedesse, o príncipe mouro que habitou de seguida o Castelo de Almourol mandou "pear" (prender uma corda à perna e a um outro objecto) a sua filha Ari, para impedi-la de fugir com o cavaleiro cristão de que estava enamorada. Com a história de Ari peada surgiu Arripiada que, com o passar dos tempos, resultou em Arripiado, nome de uma pitoresca aldeia à beira Tejo.

Mais tarde, seria a vez do cavaleiro Palmeirim de Inglaterra libertar Miraguarda e Polinarda, duas formosas damas de nobre linhagem, que o gigante Almourol mantinha aprisionadas nas suas muralhas. O esforçado cavaleiro teve de lutar horas sem fim contra o Cavaleiro Triste, apaixonado de Miraguarda, quando o gigante Dramusiando acorreu em seu auxílio. Libertou as donzelas e Palmeirim encontrou nos braços de Polinarda o remédio para as suas feridas e atribulações.

O tesouro dos Templários

As raízes históricas da edificação do Castelo de Almourol apontam para o século II Antes de Cristo. O castelo terá sido erguido no local de um primitivo castro lusitano conquistado pelos romanos durante a ocupação da Península Ibérica. Posteriormente, foi ocupado pelos Alanos, Visigodos e Mouros. A fortaleza de "Almorolan" (do árabe pedra alta) foi conquistada aos mouros no reinado de D. Afonso Henriques (1129) que a doou a Gualdim Pais, mestre da Ordem dos Templários, encarregue da defesa da zona do Tejo.

Entre 1160 e 1171, o Castelo de Almourol foi reedificado e terá sido várias vezes restaurado nos reinados seguintes. Esteve na posse dos Templários até 1311, num ponto vital de comunicação das províncias do Norte e do Alentejo com a capital, nomeadamente, no comércio de azeite, trigo, madeiras, carne de porco e frutas.

Em escavações efectuadas no interior e no exterior foram encontrados vários vestígios da presença romana (moedas, uma inscrição numa coluna e restos de alicerces) e, naturalmente, do período medieval (medalhas, dois colunetes de mármore, etc...), mas nada do fabuloso tesouro dos Templários que a tradição popular diz estar escondido na ilha.

Uma arquitectura exemplar

Apesar da irregularidade do maciço granítico que lhe ditou as formas, é um exemplo notável de arquitectura militar da Idade Média. Trata-se de um castelo de 310 metros de comprimento, 75 de largura e 18 metros de altura acima das rochas escarpadas, que obedece a uma planimetria quadrangular dividida internamente em dois recintos: um exterior e voltado a montante, com "porta de traição" e muralhas reforçadas por nove torres circulares, altas e esguias; no interior, numa zona mais elevada rodeada por panos de muralhas, ergue-se a torre de menagem de três pisos, da qual restam como elementos originais as sapatas onde assentava o vigamento.

Diversas portas de cantaria comunicam com as diferentes partes do castelo e várias escadas dão acesso ao adarve apoiado em cachorros. As muralhas são coroadas de merlões quadrangulares e seteiras quadradas. Por cima da porta de entrada, duas lápides alusivas à reedificação de Gualdim Pais e, sobre a janela aberta na torre de menagem uma cruz patesca, primitiva insígnia dos Templários. No terraço, o olhar do visitante perde-se na deslumbrante paisagem, muito para além das margens do rio.


BLOCO NOTAS

Localização: No rio Tejo, entre Vila Nova da Barquinha e Praia do Ribatejo, frente a Tancos.

Acesso: EN 365/118, a quatro quilómetros de Vila Nova da Barquinha.

Tipologia: Arquitectura militar romana, românica, gótica e revivalista. O castelo medieval, com 310 metros de comprimento, 75 de largura e 18 de altura (acima do aglomerado granítico) foi muito adulterado no século XIX, sendo difícil discernir a sua feição primitiva.

Época de construção: século II A.C.

Materiais: Cantaria de granito aparelhada conjugada com cantaria rústica e alvenaria argamassada.

Intervenções realizadas: Reedificação (1160 a 1171); reconstrução (século XIX); restauros e consolidações (1939, 1958, 1959, 1960, 1964 e 1996); instalação de rede eléctrica (1955).

Propriedade: Pública, estatal (Ministério da Defesa).

Utilização inicial: Militar (castelo).

Utilização actual: Cultural/turismo. Monumento Nacional desde 1910 e ex-libris do Concelho Vila Nova da Barquinha (9118 habitantes).

Outros monumentos e locais de interesse histórico na região: Igreja Matriz de Atalaia, Igreja Matriz de Tancos, Igreja da Misericórdia e Capela de Nª. Srª. dos Remédios.

Alojamentos:

  • Quinta de Santa Bárbara (turismo de habitação) - Constância - Tel.: 249739214
  • Casa do Patriarca (turismo rural) - Atalaia, Vila Nova da Barquinha - Tel.: 249710581
  • Gastronomia: Peixe de rio (fataça de caldeirada, fataça frita, barbos de molhata, lampreia, molhata ou ensopado de enguias, sável frito, açorda e sopa de sável), carne de porco (cachola), cabrito frito e sobremesas (bolo de ferradura, doce de pão e miga doce).

    Restaurantes:

  • Almourol - Tancos - Tel.: 249720100 - restaurante@almourol.com
  • Soltejo - V. N. Barquinha - Tel.: 249720150
  • A Palmeira - V. N. Barquinha - Tel.: 249710513
  • Artesanato: Olaria, bordados, trabalhos em cortiça e madeira, pintura a óleo e pintura em gesso.

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