logo:jipes Açores Logo: Jipes
A VOAR SOBRE AS ÁGUAS

Velas abertas ao vento, os escuteiros dos Açores reviveram durante uma semana a bordo do navio-escola inglês "Prince William" a epopeia dos grandes navegadores oceânicos.

Texto e fotos: Alexandre Coutinho

O vento começava, agora, a soprar com mais intensidade e numa direcção mais favorável para quem queria rumar do Faial para S. Miguel, contornando a ilha do Pico por oeste. Na ponte de comando, o capitão Bob Stephenson sorriu perante a perspectiva de proporcionar uma boa tarde de vela à sua jovem tripulação de escuteiros marítimos e terrestres. Deu ordem ao imediato, Mike Lovegrove, para içar velas e este tratou de mobilizar o contramestre ("bosun"), Ben Wheatley e os três "watch leaders" (chefes dos quartos de serviço) - Rob Whyatt, Barbara Boon e Brendan Hanvey - para preparem os seus homens para a tarefa.

«Todos aos seus postos ("bracing stations")!» gritam os altifalantes a bordo, perante a azáfama dos marinheiros. Quem estava a dormitar, acordou sobressaltado; e os que estavam na messe arrumaram as canecas nas prateleiras ("racks") para não caírem durante as manobras. No convés, os tripulantes de serviço já tinham o arnês de segurança e estavam prontos a subir aos mastros e às vergas para soltar as velas.

«Two, six… heave; two, six… heave», o grito tradicional dos que içam as velas nos veleiros ingleses remonta ao tempo em que os dois marinheiros mais fortes (o 2 e o 6) eram chamados a levantar os canhões depois do disparo e voltar a colocá-los em posição de tiro. «More sex… please; more sex… please», não tardaram a inventar os portugueses mais imaginativos, numa alusão ao facto do sexo ser estritamente proibido a bordo.

Num veleiro com o porte do "Prince William", todas as mãos não são de mais para carregar o pano em menos de uma hora. Tudo à força de braços, pois neste navio-escola não existem meios mecânicos para puxar pelas adriças, os cabos utilizados para içar a vela grande e as gáveas baixa e alta. E, para soltar esta última, há que içar a própria verga!

O navio enfrentava então as ondas com mais ímpeto, cortando-as ao meio. Mas o comandante queria mais velocidade, aproveitando ao máximo a brisa que soprava de noroeste e mandou içar as velas de sobre e o joanete nos dois mastros. Pouco depois, seria a vez das quatro velas de proa, das três velas de entre-mastros e da vela de carangueja, à retaguarda. O "Prince William" navegava, agora, com todo o velame aberto, bom vento e um mar pouco agitado.

«É quando olho para ele assim, que eu amo o meu navio», confessa Ben Wheatley, o contramestre, aos comandos do semi-rígido que foi lançado à água para que todos os tripulantes pudessem observar o veleiro e fotografá-lo com o pano todo aberto. Ao longo do dia, avistaram-se igualmente vários golfinhos - que acompanhavam o navio com vários saltos junto à proa - e, mais ao longe, duas baleias ou cachalotes.

«Todos vão ter a sua hora ao leme do "Prince William" - promete o imediato do navio, Mike Lovegrove - é o único momento em que podemos gritar para o comandante. Ele ficar a saber que ouvimos a ordem e que esta foi executada». O capitão é Bob Stephenson, de 55 anos e oficial de marinha mercante há mais de 30 anos, 20 dos quais ao serviço da Tall Ships Youth Trust.

O "Prince William" é um brigue de dois mastros, 493 toneladas e 60 metros de comprimento construído em 2001 nos estaleiros britânicos de Devon, tomando como modelo um veleiro do século 18. Deve o seu nome ao filho de Carlos e Diana, embora este nunca tenha estado a bordo, nem no dia do baptismo. Além das suas 18 velas com uma área total de 1050 metros quadrados, o navio está dotado de dois potentes motores Mercedes de 330 cavalos cada, que lhe permitem navegar mesmo quando o vento teima em não soprar. Apesar do seu aspecto rústico, dispõe no seu interior de camarotes e beliches dignos de um iate, bem como de uma messe e uma cozinha equipadas com tudo o que é necessário para levar uma vida normal a bordo. Ar condicionado e um sistema de dessalinização para produzir água potável, bem como os mais modernos equipamentos de radar, sonar, GPS e comunicações na ponte de comando, completam o seu apetrecho.

Vencer o medo das alturas

Neste cruzeiro de vela oceânica ("O Mar que Nos Une II"), realizado entre os dias 11 e 17 de Maio, participaram 54 escuteiros de sete ilhas dos Açores (S. Miguel, Terceira, Faial, Pico, S. Jorge, Santa Maria e Graciosa), rapazes e raparigas, com idades compreendidas entre os 16 e os 49 anos. Curiosamente, o mais novo e o mais velho dos tripulantes escutistas eram pai e filho, Emanuel e André Carreiro, ambos do Agrupamento 1197 do Corpo Nacional de Escutas de Ponta Delgada. André, também conhecido por "Cenoura" pelo seu cabelo ruivo, tinha medo das alturas desde o dia em que caiu de um muro com quatro metros. No entanto, vestiu o arnês e subiu ao mastro principal com toda a segurança, degrau a degrau, pelo seu próprio pé, até à última verga (Royal) por duas vezes. O topo do mastro está a 41 metros, o equivalente à altura de um prédio de seis andares.

«Quando ele vai lá para cima, estou sempre em cuidados. Depois, nem olho - confessa o pai, Emanuel Carreiro - o comandante também o elogiou quando ele estava ao leme. Sinto um certo orgulho. Eles crescem e a gente esquece-se que eles também evoluem intelectualmente. Para nós são sempre pequenos…».

Quase todos os escuteiros andaram no cimo dos mastros. Uns venceram os seus medos, outros alcançaram as metas a que se tinham proposto e outros ainda elevaram a sua fasquia para novos desafios. «Estou realizado, fui hoje aos dois "yards" (vergas) que me faltavam», revela Bruno Martins, escuteiro dos Arrifes, em S. Miguel. «Liguei para o meu pai e disse-lhe: já estive lá em cima! Já estive lá em cima! Afinal, era mais fácil do que eu pensava», confessou Ana Carina, escuteira do Pico e filha de um pescador que não acreditava que ela fosse capaz de subir ao mastro de um navio. «Diz à minha mãe que eu sou aquele pontinho lá em cima para ela não se assustar», pede por sua vez Ana Machado a uma amiga que lhe mostrava uma fotografia tirada com a sua câmara digital.

A segurança a bordo de um veleiro de grande porte é imprescindível. «Uma mão para o navio e outra para si próprio», assim o define Ben Wheatley, ao explicar a técnica de subida aos mastros e às vergas, sempre de arnês posto e devidamente amarrado aos cabos de segurança. E começando por mostrar à tripulação o seu próprio rabo de cavalo, recomendou aos jovens que mantivessem sempre o cabelo preso, que não usassem anéis, pulseiras ou colares - «já vi um homem ficar sem um dedo preso a um cabo por um anel» -, nem relógios caros no pulso. Luvas para puxar cabos, só das que não têm dedos; e sapatos com solas de borracha que não escorreguem em pisos molhados.

A formação em segurança foi tão completa que incluiu um ensaio dos alarmes de fogo e de abandono do navio, com demonstração do uso de coletes de salvação e um exercício prático de "homem ao mar" no canal entre as ilhas do Pico e de S. Jorge. Em caso de necessidade, o "Prince William" dispõe de oito salva-vidas insufláveis, cada um com mantimentos e capacidade para acolher 25 pessoas, duas barcas a remos e dois semi-rígidos que se lançam rapidamente à água.

Aos 24 anos, Ben Wheatley é um marinheiro nato - «comecei como "deck hand" e "watch leader" aos 17 anos. Sou "bosun" (contramestre) desde os 19 anos e já naveguei em diversos veleiros». Reconhece que é mais fácil trabalhar com escuteiros, do que com outros grupos de jovens, nomeadamente, os condenados a fazer serviço cívico que são embarcados contra vontade. «Não são más pessoas, apenas tiveram vidas difíceis e merecem uma segunda oportunidade», frisa o capitão Bob Stephenson. «Sabemos logo quando um escuteiro entra a bordo. Os valores escutistas são um crédito à forma como foram educados. É como voltar à Inglaterra de há 50 anos atrás (pátria onde o escutismo foi fundado por Lorde Baden-Powel em 1907)», corrobora Alan Kingston, um dos mais velhos tripulantes ingleses a bordo. O mais jovem da tripulação permanente do "Prince William" era o irlandês Noel Redmond, de 23 anos, segundo Imediato do navio. A juventude de Noel e Ben contrastava com os restantes membros da equipa, constituída por velhos marinheiros, já com uma longa experiência de mar. Daqueles que não enjoam facilmente. O mesmo não se pode dizer dos jovens aventureiros embarcados em Ponta Delgada. Dois terços ficaram indispostos logo no primeiro dia, mesmo tendo tomado comprimidos contra o enjoo, porque isto de navegar à vela com saltos de vento e mar agitado é muito diferente de viajar num paquete de cruzeiro. E era vê-los: uma série de gente em linha a vomitar borda fora (a de bombordo), bem na direcção do vento. «Primeiro, fica-se com medo de morrer; depois, com medo de não se ter morrido; e, por fim, rimo-nos dos outros», explica com razão o imediato. À sua maneira, os oficiais ingleses passam o dia a beber chá com leite, pelo vício associado à teína ou para não enjoar.

Porridge, bacon e ovos

A bordo, o dia começa cedo (6h00) para a equipa de cozinheiros - Ian Cox, Nicola Cunningham, Deodato Silva e os três escuteiros designados diariamente para trabalhar na messe. Pouco depois, acordam os que vão entrar de quarto e as tripulações permanente e voluntária, que têm assento no pequeno-almoço das 7h20 (o segundo é servido às 8h10). "Porridge" (papas de aveia), "ashbrowns" (ovo frito com batata e cebola), bacon, salsichas, tomate, ovos e feijão não são habituais na ementa matinal dos portugueses, mas estes logo se habituaram. Ao almoço e ao jantar, havia carne assada fatiada, rosbeef ou hamburgers, normalmente acompanhados por batatas, legumes e saladas. «Muitos rapazes ingleses chegam aqui e não gostam da comida que servimos porque já não comem isto em casa. Servimos à moda antiga, carne assada com cenouras e ervilhas», explica Nicola, a segunda cozinheira. Com os balanços da ondulação e para evitar o "efeito Charlie Chaplin", que leva dois tripulantes a comerem da mesma sopa, colocam-se redes de borracha nas mesas. «No mar tudo ganha vida», lembra Leonor Leça, escuteira dos Ginetes, em S. Miguel.

«Esta viagem é um sonho… esta viagem é um sonho - não se cansava de dizer Paulo Silva, escuteiro da ilha Graciosa - comer, dormir, tudo no veleiro. Sob um céu estrelado, não há melhor sítio para dormir. Sou pescador e, às vezes, quando vamos para o mar, a lua está tão grande… até parece que vai cair».

Era grande a expectativa antes da partida para esta aventura e como em todos os navios que se fazem ao mar, não faltaram as namoradas no cais a despedirem-se dos seus marinheiros. «Gostei muito do dia em que entrámos no navio, mas eu adoro o dia da chegada - confessa Nuno Pinheiro, de 29 anos e pai de dois filhos, o mais novo com apenas dois meses - custou-me imenso, foi mesmo por ser uma viagem única».

Mas nem tudo a bordo se resume a navegar e sonhar com os familiares em paragens distantes. Por volta das 9h00, é a chamada "happy hour", com uma limpeza geral ao navio, começando pelos chuveiros e casas de banho, terminando a esfregar o convés e a dar brilho aos metais. Tudo isto ao som da canção dos Monty Python "Always Look on the Bright Side of Life"…

«Are you happy?», perguntava então o "watch leader" Brendan Hanvey. E como não poderiam estar satisfeitos os tripulantes do "Prince William", com a magnífica paisagem da Graciosa à vista, a primeira ilha visitada nesta viagem. «A natureza é generosa para os açorianos e para os seus amigo», diz Susana Machado, dos escuteiros marítimos de Ponta Delgada. Em sinal de paz é costume os veleiros chegarem ao porto com os homens pendurados nas vergas dos mastros, sinal de que não estão prontos a disparar os canhões. E assim foi na Graciosa, com metade da tripulação a cantar canções escutistas e o hino da actividade no mastro da frente: «navegar, navegar, até à exaustão, partilhando experiências e criando união».

Da Graciosa, o "Prince William" seguiu para a ilha do Pico, passando ao largo de S. Jorge com o Faial à vista «É aqui que nos sentimos ilhéus. A ver as ilhas do mar, com as casinhas todas…», comenta Leonor Leça. No dia seguinte, já atracado na marina da Horta, no Faial, o capitão Bob recebeu a bordo Genuíno Madruga, o pescador açoriano que se tornou num herói nacional ao completar, em 2002, uma volta ao mundo de 19 meses em solitário no seu pequeno veleiro "Hemingway"; Jaime Alexandre, chefe dos escuteiros do Faial durante mais de 40 anos e figura emblemática da ilha; e José Henrique Azevedo, filho do famoso Peter (José Azevedo), fundador do mítico Café Sport da Horta.

No último dia, à chegada a S. Miguel, estiveram igualmente a bordo o director regional da Juventude, Emprego e Formação Profissional, Rui Bettencourt, a presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Berta Cabral, o comandante da Zona Marítima dos Açores, contra-almirante Rodrigues Cabral e o chefe regional dos escuteiros do CNE, Manuel Pires Luís, para quem esta iniciativa intitulada "O Mar que Nos Une", «representa uma oportunidade para juntar os escuteiros das várias ilhas, criando um espírito de região. É fundamental para a unidade regional». Uma tónica retomada por Luís Machado, chefe da actividade e do Agrupamento 1197 Jacques-Yves Cousteau de Ponta Delgada, que promove estes cruzeiros de vela oceânica com a Tall Ships desde 2002 e a estendeu nos últimos dois anos a um maior número de escuteiros, contando com o apoio do Governo Regional e da Marinha. «Estou satisfeito, o que não é fácil. Foi uma actividade que correu muito bem e juntou escuteiros de sete ilhas, com um bom espírito de serviço, animação e disciplina. Possibilitou aos participantes uma boa formação de vela e, acima de tudo, humana», afirmou. No "briefing" final, também o capitão Bob Stephenson elogiou o comportamento e a atitude dos escuteiros: «a primeira razão de terem sido uma tão boa tripulação é por serem escuteiros, é porque já escolheram ser escuteiros. Foi um prazer velejar convosco».

"CAPITÃO IGLO" NOS AÇORES

Quem navega no mar dos Açores pode cruzar-se com um verdadeiro "Capitão Iglo". O seu nome é Bob Stephenson, tem 55 anos e é comandante do navio-escola inglês "Prince William".

Foi em marinheiros como Bob Stephenson que os publicitários dos congelados se inspiraram para criar a figura do conhecido "Capitão Iglo". Tem barba e cabelo branco, uma cara redonda e um ar bonacheirão. E quando põe na cabeça o chapéu de capitão, todos revêem nele a inconfundível personagem televisiva reconhecida por nove em cada 10 crianças e por quatro em cada cinco mães. Tudo começou em 1967, quando John Hewer, director de pessoal na Iglo se lembrou de utilizar a sua própria imagem de velho lobo do mar para ajudar a vender os panados de peixe designados em Portugal por "Douradinhos".

O certo é que existem mesmo homens como o "Capitão Iglo" e 1967 marcou também o ano em que Bob Stephenson iniciou a sua carreira na marinha mercante como cadete. Conhece todos os oceanos, deu várias vezes a volta ao mundo e enfrentou tempestades com ventos de força 11 e 12, quando estes sopram a mais de 118 km/h. «Quando somos novos não pensamos muito nisso», admite.

Já como oficial, passou dos cargueiros para os "ferries" no Canal da Mancha e, mais tarde, para os navios-tanque de Giles W. Pritchard-Gordon, nas Caraíbas. «Trabalhava nos navios dele quando ouvi falar pela primeira vez na Tall Ships, da qual Pritchard-Gordon é um dos principais financiadores - recorda Bob Stephenson - em 1983, fui como voluntário no "Sir Winston Churchill" e, dois anos depois, era imediato no "Malcom Miller"». Conta que a situação de maior perigo porque passou ocorreu no mar Báltico, em águas dinamarquesas, «quando o veleiro adornou a mais de 40 graus e tivemos que cortar os cabos para soltar as velas, que voavam como se fossem bandeiras. O navio meteu água, mas conseguimos salvar a situação». As duas escunas da Tall Ships foram vendidas no ano 2000, com a chegada dos novos brigues "Prince William" e "Stavros S. Niarchos". Cada navio custou 9 milhões de euros.

No final dos anos 80, tirou um ano para voltar a estudar e especializar-se como "master", nomeadamente, em sistemas de electrónica e radares. Desde 1989, é "permanent master" nos veleiros da Tall Ships Sail Training Association que, por questões de marketing, mudou de designação para Tall Ships Youth Trust.

Há dez anos que navega no arquipélago dos Açores, mas só agora esteve no Pico pela primeira vez, no cruzeiro realizado em Maio com os escuteiros. Numa anterior visita, alguém se lembrou de dizer que ele era o verdadeiro "Capitão Iglo" e os mais novos acreditaram. «Perguntou-me qual a minha melhor experiência profissional: é fazer viagens com os escuteiros açorianos! Até já falam em erguer-me uma estátua como capitão Bob "Sea Wolf"», revela com satisfação. Bob Stephenson nutre um especial carinho pelos Açores, pelas ilhas e pelas suas gentes. Além de constituírem pontos de escala obrigatórios nas suas travessias atlânticas, são frequentemente escolhidas para uns repousantes dias de férias. «Como marinheiros, não temos muitas oportunidades de fazer amigos, mas aqui tenho amigos verdadeiros».

ESCOLA NO ALTO MAR

A Tall Ships Youth Trust, criada em 1956, é a escola de vela sem fins lucrativos mais antiga do mundo. Nos últimos 50 anos, já passaram pelos veleiros desta organização - actualmente, o "Prince William" e o "Stavros S. Niarchos" - mais de 65 mil jovens com idades compreendidas entre os 16 e os 25 anos. «A nossa missão visa o reforço da auto-confiança e o desenvolvimento pessoal dos jovens em interactividade, perante o stress de trabalhar de dia ou de noite e de viver com outras pessoas num espaço confinado - explica Bob Stephenson, capitão do "Prince William" - também promovemos viagens de entendimento com jovens israelitas, palestinianos, ingleses, gregos, turcos e indonésios; cadetes da Royal Navy; e jovens encaminhados pelas autoridades policiais». Um verdadeiro "melting-pot"!

Como não consegue preencher a totalidade do ano com viagens para grupos e associações de jovens, a Tall Ships também realiza cruzeiros para adultos, dos 18 aos 75 anos, nas Caraíbas, no Mediterrâneo, no mar do Norte e nos Açores. «Quanto mais lugares preenchermos, mais baratas ficam as passagens para os jovens, que são subsidiadas em 25% do seu preço de custo pela organização - revela o comandante - mesmo assim, temos um orçamento muito pesado para manter os dois navios (2,25 milhões de libras anuais/3,26 milhões de euros), as tripulações permanentes (18 pessoas) e uma dezena de pessoas em terra». No Reino Unido, a instituição conta com o apoio de 60 grupos de angariação de fundos e selecção de jovens candidatos a marinheiros. Saber nadar e falar inglês são os únicos requisitos necessários. A bordo, os jovens podem tirar o certificado de "competent crew" da RYA (Royal Yachting Association).

Tendo já efectuado cinco viagens com escuteiros açorianos a bordo, a Tall Ships pretende incrementar esta parceria a nível internacional. «Esta viagem cimentou e alargou o relacionamento entre o escutismo e a Tall Ships Youth Trust, que confia cada vez mais nos escuteiros e ajuda a promovê-los. Ao ponto de ter as suas embarcações, pelo menos, um mês por ano nos Açores», frisou Luís Machado, chefe do Agrupamento de Escuteiros Marítimos de Ponta Delgada.

Tratando-se de actividades especiais pelas verbas necessárias à sua realização, a sua concretização só é possível com a aprovação de diversos projectos regionais. «A inscrição dos escuteiros é feita por um valor simbólico e existem mesmo casos em que as inscrições foram suportadas pelo escutismo, porque não se pretende que seja uma actividade elitista», sublinha Luís Machado. Para o futuro, existe a nível da região, a intenção de candidatar esta actividade a um programa de juventude europeu, enriquecendo-a com a participação de escuteiros de outros países (Alemanha, Bélgica, Espanha, Reino Unido, Hungria, Roménia e Turquia).

Além da calorosa hospitalidade das gentes que habitam as ilhas açorianas, os britânicos da Tall Ships encontraram múltiplas facilidades para atracar e reabastecer os seus veleiros nos portos do arquipélago. Para a credibilização dos Açores e das suas gentes junto dos britânicos da Tall Ships, muito contribuíram episódios como o ocorrido logo no primeiro ano de visita do veleiro às ilhas, com um dos principais financiadores da organização. Após ter levantado uma avultada soma de dinheiro no balcão de uma instituição bancária em Vila Franca do Campo, o referido empresário perdeu a carteira. À noite, esta ser-lhe-ia devolvida intacta no hotel em Ponta Delgada pela pessoa que a encontrou e o conseguiu localizar através do talão emitido pelo caixa do banco.

Viagem Anterior
Canal Temático
Topo da Página
Página Principal
Viagem Seguinte