Geo-Protagonistas
III - O Elefante

Índia: O elefante da Ciência

Objectivo: em 2020 ser o maior centro de conhecimento do mundo

«A vantagem da Índia não é, apenas, o custo - é o custo associado à competência de alto nível, tendo em conta o enorme reservatório de talento que é», R. A Mashelkar

Jorge Nascimento Rodrigues, editor de janelanaweb.com, Fevereiro 2005

Entrevistas em inglês a R. A. Mashelkar e Ashish Arora em Transition Report

Em apenas uma geração, a Índia quer subir à posição de potência científica mundial, deixando bem para trás os Estados Unidos e a Europa. Depois da abertura da economia indiana em 1991, o segundo país mais populoso do mundo transformou-se, em quinze anos, no "paraíso" mundial do "off-shoring" em tecnologias de informação. Conquistou, também, a capa das revistas internacionais como a segunda grande potência emergente, desde que um relatório da Goldman Sachs de Outubro de 2003 a colocou ao lado da China como as duas "surpresas" do novo século.

Agora quer passar à etapa seguinte. Nos próximos quinze anos, a Índia quer ganhar o estatuto de "plataforma global de conhecimento", segundo R. A Mashelkar, o director do Conselho Científico e de Investigação Industrial da Índia (CSIR). «Posso predizer, com alguma segurança, que em 2020 será o centro de produção de conhecimento número um do mundo», acentua este cientista conhecido por ter definido um "road map" para a afirmação geo-estratégica da Índia sob o lema "TI-Talento Índia".

A convicção deste nativo de Goa - a antiga colónia portuguesa na Índia - deriva de duas vantagens significativas da Índia: um "stock" de capital humano de 3 milhões de cientistas e tecnólogos e a mais elevada "produtividade" científica do Planeta (medida em artigos científicos e citações anuais em função do PIB per capita), ultrapassando, com alguma folga, os EUA e a China. «A vantagem da Índia não é, apenas, o custo - é o custo associado à competência de alto nível, tendo em conta o enorme reservatório de talento que é», sublinha-nos Mashelkar, que é, também, presidente da Academia Nacional de Ciências.

A mesma opinião é partilhada por Ashish Arora, um indiano que é professor de economia e políticas públicas da Universidade norte-americana de Carnegie Mellon. «A Índia é o lugar certo para localizar determinado tipo de operações de investigação & desenvolvimento», refere este exemplo da diáspora científica deste país (a que os indianos designam por "bollystan").

Arora e Mashelkar coincidem, também, nas razões "estruturais" que poderão garantir a sustentabilidade deste sonho até 2020: a Índia é a maior democracia do mundo (619 milhões de votantes) «com um largo consenso desde 1991 sobre a direcção da economia e das reformas», e terá em 2020 a maior classe média do planeta (mais de 600 milhões). Os estrategos sublinham, ainda, que, em 2015, já será das nações mais jovens (50% da população terá menos de 20 anos).

Finalmente, no plano geo-económico, Mashelkar e Arora convergem na ideia de que a Índia e a China serão "complementares" e não concorrentes e que um certo tipo de "triângulo estratégico do Sul" se está já a formar entre a Índia, o Brasil e a África do Sul. Nesta óptica, a China seria uma potência do "Norte".

ÍNDIA NO SÉCULO XXI
  • País mais populoso do mundo em 2050: 1500 milhões (mais do que a China que ficará nos 1400 milhões); a posição actual inverter-se-á
  • 3ª potência económica mundial em 2050, segundo a Goldman Sachs
  • Plataforma mundial de ciência - número um na produção de conhecimento em 2020
  • Taxas de crescimento ascendentes: 8% até 2007 (compare-se com 5,5% em média nos últimos dez anos); alguns analistas falam de 10% em média como "standard"
  • "Off-shoring" de serviços avançados, não só nas TI, mas também na engenharia e na medicina
  • Reversão da fuga de cérebros: a perca de talentos ascende a um equivalente a 2 mil milhões de dólares por ano; os analistas salientam sinais de reversão desta tendência nos últimos três anos
  • Número um em classe média: 50% da população poderá atingir um estatuto médio (em paridade de poder de compra), o que transformará a Índia no maior mercado de consumo do mundo, à frente da própria China, da Europa e dos EUA
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