Mitos da Afluência


Existem alguns "mitos" sobre os investimentos na China que, 18 anos após o início das reformas, talvez valha a pena revêr. Eles são basicamente cinco:

1. O mercado "um bilião"
A China tem 1,2 mil milhões de habitantes, mas 72% vivem nas zonas rurais e o seu rendimento anual é de apenas 120 dólares (menos de 25 contos por ano!). Não deixa porém de ser verdade que a fatia detentora de redimento passível de ser aplicado em consumo é já suficientemente aliciante para qualquer produtor, e se muitos chineses não podem comprar aparelhos de vídeo, já podem adquirir champô ou detergente estrangeiros.

2. Mão-de-obra barata e abundante
É certo que o ordenado anual médio de um operário na China é de 360 dólares (menos de 70 contos por ano). Mas também é certo que a produtividade é extremamente baixa, que os operários chineses esperam que os empregadores assumam responsabilidades sociais e que se tornam necesários dispendiosos programas de formação. Por outro lado, os gestores escasseiam, o que obriga à utilização de expatriados, com o correspondente acréscimo de custos.

3. Tudo o que é estrangeiro se vende
No final dos anos 80, princípio dos anos 90, parecia que bastava um produto ser estrangeiro para se vender. Entretanto, o consumidor chinês tornou-se mais selectivo, e pese embora o atractivo dos bens importados se a qualidade não provar, o consumo será rapidamente abandonado.

4. Leva muito tempo até se terem lucros
O mercado chinês não é fácil. O enquadramento legal é incipiente, as relações são complicadas e as infra-estruturas insuficientes. Muitas grandes empresas levaram oito anos (Coca Cola) ou mais, antes de começar a ter lucros. Contudo, neste momento, considera-se quatro anos o período máximo para se passar do vermelho ao preto. De contrário, é melhor ver o que se está a passar.

5. Há lugar para todos
Tendo em vista a dimensão da China, muitas empresas assumem que o país chega para todos. Não é bem assim e os que primeiro chegaram têm uma grande vantagem inicial. Nas cidades mais importantes e onde o poder de compra é maior, as empresas degladiam-se na conquista de quotas de mercado.


Textos originais publicados na Revista Macau © Virgínia Trigo
Reprodução On-line ou em papel não permitida sem autorização prévia.

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