Caricatura: Kevin Kelly
A Tábua das Doze Leis

Adaptado por Jorge Nascimento Rodrigues



1 - A lei suprema da conexão
O valor económico advém de interconectar todo o tipo de objectos aparentemente "estúpidos". Os computadores com «chips» talvez sejam 500 milhões no ano 2020, mas os objectos e outras máquinas com «chips» que não são computadores atingirão 1 trilião. O desafio é que este imenso "resto" se conecte entre si no seio da rede. É o poder económico dos "estúpidos" conectados.

2 - A lei da abundância
Quanto mais nós na rede, maior valor económico. Cada unidade adicional na rede aumenta o seu valor unitário e o da própria rede. O poder económico vem da abundância e não da escassez (como é o caso do petróleo ou do ouro, na economia industrial). Mais dá mais e atrai mais na economia digital, e não menos.

3 - A lei do crescimento não linear
Depois de um período de incubação, de muito trabalho e criatividade, o crescimento subitamente passa a exponêncial. O caso da Internet é provavelmente o melhor exemplo.

4 - A lei da epidemia
O significado precede o súbito momento de viragem. O que é preciso é estar atento, descobrir o sentido do que está ainda "encoberto", e posicionar-se antes da viragem. Com esta, a economia em rede comporta-se como um doença infecciosa, e então já é tarde para ganhar vantagem competitiva.

5 - A lei dos rendimentos decrescentes
Numa arquitectura de rede o círculo é virtuoso. A multiplicação dos ganhos não depende do sucesso individual, mas do conjunto, da vantagem cooperativa em rede.

6 - A lei do preço invertido
Quanto melhor e mais massificado for um produto, mais barato terá de ser, com um preço, no limite, roçando a borla. É uma lógica muito cruel. As curvas do preço e da qualidade divergem cada vez mais, ao contrário da economia industrial em que maior qualidade permitia convencer o cliente a pagar um extra.

7 - A lei da generosidade
A riqueza pode advir a seguir ao gratuito. Os produtos ou serviços para se massificarem na economia digital, para ganharem a maior quota de mercado, poderão ter de ser gratuitos. O caso já de antologia do «browser» da Netscape inaugurou esta lógica. O segredo está em aguentar esta fase inicial protocomercial.

8 - A lei da dependência umbilical
O sucesso ou insucesso de uma dada empresa no mundo digital depende do destino da rede em que se insere. A lógica ganhadora tem de ser alimentar primeiro a rede, fazer todos ganharem, o que pode incluir a cooperação-competição.

9 - A lei da obsolescência
No pico do sucesso, prepare-se para abandonar o que tem êxito, e inovar. Aprenda a desaprender o presente e o passado. É preciso saber matar na hora certa a galinha dos ovos de ouro.

10 - A lei da substituição
O tangível começa a ser substituído pelo intangível no coração dos conceitos de negócio. Por exemplo, não se falará mais de um automóvel com «chips», mas de um «chip» com rodas... Nesta inversão no conceito do negócio, abre-se um mar de oportunidades para a criação de valor.

11 - A lei do desequílibrio
É preciso passar da absorpção do choque da mudança (o choque do futuro de Alvin Toffler) para a gestão de uma situação de agitação permanente. O valor cria-se através da inovação permanente, e não da protecção do status quo.

12 - A lei das oportunidades
A produtividade não é a questão prioritária. A produtividade é uma preocupação para robôs. A prioridade para os humanos é a imaginação na descoberta e no aproveitamento de oportunidades. Nas palavras de Peter Drucker: "Não se amarrem a resolver problemas, soltem-se a procurar oportunidades".