Brincando com o "Silas"

Pode parecer inacreditável, mas a realidade virtual que se comercializa no mercado está praticamente obsoleta. Tem pouco de ergonómico (são totalmente incómodos todos esses capacetes, luvas e óculos) e é extremamete lenta. "Muitos fabricantes - escreveu Negroponte em "Being Digital" - continuam a perder de vista o essencial - a resposta rápida e a comodidade são mais importantes que a resolução de imagem".

É dentro desta filosofia que, no Media Lab, uma equipa desenvolve um projecto baptizado de "ALIVE" (com vida) - que, no entanto, quer dizer, em inglês, "Artificial Life Interactive Video Environment".

Nuria Oliver, uma jovem espanhola de Alicante que integra a equipa, começou o seu doutoramento, mergulhada numa "sala inteligente" brincando com o Silas.

"Não há aqui luvas, nem estranhos capacetes. O utilizador está totalmente livre desses elementos. Basta entrar nesta sala virtual, adaptada com câmaras de vídeo e microprocessadores. Não há aqui fios e você pode interagir completamente com o Silas, aquele cão virtual, ali no ecrã, e naturalmente dar-lhe ordens, acariciá-lo, como estou agora a fazer. O Silas é um protótipo do que chamamos ´agentes autónomos` que habitam este mundo virtual", explica-nos Nuria em castelhano, o que deixa os colegas americanos perplexos.

O conceito de "agente autónomo" tem sido desenvolvido no Media Lab. Não se trata de "robots" físicos, mas de personagens digitais, agentes de "interface", puro "software" que, dotado de inteligência artificial, interage connosco, mas também toma decisões sem nos pedir licença (a dado passo, Silas quer ir à rua fazer chichi, depois apetece-lhe beber leite).

"As aplicações deste ambiente de realidade virtual são múltiplas. No entretenimento, como é óbvio, mas também na formação, no ensino, só para dar alguns exemplos", prossegue a nossa interlocutora, citando outros dois casos: um de um jogo de vídeo com personagens deste tipo, já concluído, e outro que consiste numa professora de aeróbica puramente digital.