O "papel" do futuro ou como Gutenberg
ficaria de boca aberta

Jorge Nascimento Rodrigues
no Media Lab

Não é nada cómodo "folhear" um livro no ecrã de um computador ou pegar no portátil e ir ler, digitalmente, "Being Digital", escrito por Nicholas Negroponte, para a cama ou para a praia.

Os próprios ecrãs de cristais líquidos também não possuem outra propriedade: não são flexíveis, não dão para recriar o "ambiente" gutenberguiano da obra impressa.

O Gutenberg Digital

Joseph Jacobson É por essa razão que no Media Lab há um grupo que se tem dedicado ao fabrico de um papel electrónico e de um livro do mesmo género. "A ideia é criar um ´display` que se pareça com o papel, o que conseguimos dando ao papel real - ou podemos fazê-lo com outros materiais flexíveis, como o tecido - uma nova textura, através de um processo químico de microinserção de umas pequenas ´bolinhas`, mais pequenas que um ´pixel`, que rodando criam palavras e imagens", mostra-nos Joseph Jacobson, o responsável pelo projecto, que já esteve no Norte de Portugal em lua-de-mel.

Com este tipo de "papel", o grupo lançou-se para o "Scientiae Liberorum", o tal livro integral electrónico, composto de "displays" inseridos em folhas reais de polpa de papel e com um dispositivo (talvez na lombada) que permita ligá-lo a um computador.

Explica o nosso interlocutor: "O leitor só terá de o ´carregar` de ´bits`, depois de se ter conectado a uma editora na Net. Quando terminar a leitura, só tem de apagar o que leu e voltar a puxar novo texto". Tão simples quanto isso, mas muito complicado de chegar ao protótipo.

Entretanto, Jacobson e o grupo têm em curso um outro projecto irmão que já "fabricou" um papel reutilizável um sem número de vezes e uma impressora que executa esse serviço de impressão, limpeza e reimpressão, sem "toner" nem químicos. O processo é optotérmico.


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