Teletrabalho no Feminino

Primeiro Centro de Teletrabalho criado por mulheres nasce no Norte
estando a ser incubado pela Associação Nacional de Empresárias.
Com um ano de vida e 12 mulheres activas, o Centro culmina o Projecto
«Vida Nova» cujos resultados são apresentados a 2 de Dezembro no Porto num seminário internacional sobre o tema que trará a Portugal Gil Gordon,
um dos especialistas americanos, que com Jack Nilles tem desenvolvido consultadoria nesta área

Jorge Nascimento Rodrigues

Doze mulheres, na maioria antigas desempregadas há mais de um ano, dão vida ao primeiro Centro de Teletrabalho a funcionar em Portugal, em instalações da Exponor, em Matosinhos. Representando um pequeno investimento de 4 mil contos (cerca de 20 mil euros), o Centro foi incubado pela Associação Nacional de Empresárias (ANE) no âmbito de um projecto piloto baptizado de «Vida Nova» - por extenso «Possibilidade de uma Vida Nova» - financiado conjuntamente pela Iniciativa Comunitária Emprego no eixo «NOW» (acrónimo para New Opportunities for Women, Novas Oportunidades para Mulheres) e por outro Programa comunitário denominado Leonardo da Vinci.

Dirigido a mulheres com problemas de inserção no mercado de emprego, o «Vida Nova» formou 30 mulheres com idades superiores a 24 anos e com habilitações mínimas do 12ºano. Na sequência dessa fornada, 12 passaram a frequentar diariamente o Centro e inclusive foi incubada uma primeira empresa feminina de prestação de teleserviços, a WIN-Women in Network, na maioria constituída por mulheres com licenciaturas. Esta jovem empresa presta serviços em áreas como traduções, organização de eventos, marketing directo, construção e gestão de bases de dados, consultadoria jurídica, serviços administrativos, edição e revisão de texto, e pode ser consultada via Web no seu endereço em www.ane.pt/win.htm.

O Centro vai dar a conhecer-se publicamente na próxima semana no âmbito de uma Conferência Internacional sobre Teletrabalho organizada por aquela Associação de empresárias, encerrando, deste modo, o projecto «Vida Nova». Segundo Ana Maria Rodrigues Ribeiro, presidente da ANE, o objectivo é prosseguir com o Centro, mesmo após a conclusão do projecto, havendo possibilidade de o integrar no âmbito do Plano Regional de Emprego para a Área Metropolitana do Porto e de o inserir numa rede europeia de Centros, a Expertic, com outros pólos no norte de Espanha e de França.

No âmbito do projecto foi elaborado também um Manual de Teletrabalho que estará em breve disponível na Web na página do projecto (em www.ane.pt/vnova.htm). Participaram como parceiros no «Vida Nova» a European Women's Management Development International Network, representada em Portugal pela presidente da ANE, a Agesfal e a Comissão para a Igualdade de Direitos da Mulher, pela parte portuguesa, e mais 4 entidades em Espanha, uma em França, outra em Itália e mais outra na Alemanha.

A Conferência Internacional que irá decorrer no próximo dia 2 de Dezembro no Porto, para além da apresentação deste caso pioneiro no Norte, irá discutir experiências similares em Espanha, França, Itália e Alemanha e trará a Portugal Gil Gordon, um dos consultores americanos em teletrabalho mais reputados internacionalmente, e Nicole Turbé-Suetens, presidente da Associação Francesa de Teleactividades.

Este projecto da ANE iniciou-se com a identificação de um leque de profissões possíveis de se enquadrarem no regime de teletrabalho tendo em conta a realidade do Norte do País e contou com Jack Nilles, o californiano «pai» do teletrabalho, como um dos seus primeiros inspiradores.

O FUTURO SEGUNDO GIL GORDON
Gil Gordon Gil Gordon, depois de Jack Nilles, é um dos consultores internacionais em teletrabalho mais conhecidos. Tendo iniciado as suas actividades de consultadoria na área nos anos 80, e tendo inclusive trabalhado com Nilles, edita desde 1984 uma newsletter, única no género, a Telecommuting Review, que, desde 1995, pode ser acedida a partir da Web no «site» animado pela Gil Gordon Associates, hoje sedeada em New Jersey.
Gordon co-autorou em 1986 um livro intitulado Telecommuting: How to Make It Work for You and for your Company e mais recentemente Teleworking Explained. Distribui periodicamente uma newsletter «on line» com actualizações ao seu «site» na Web (em www.gilgordon.com), que é um dos directórios mais completos sobre a temática do teletrabalho.
O consultor americano virá ao Porto falar em particular do futuro do teletrabalho. Segundo nos afirmou, «o número de teletrabalhadores irá quase duplicar nos próximos cinco anos, mas essa força de trabalho terá um carácter muito fluido». «Os teletrabalhadores passarão de uns 8 ou 9 milhões hoje em dia para uns 15, mas os que trabalharem num dado dia neste regime não serão, na sua maioria, os mesmos que irão fazê-lo no dia seguinte», explicou-se Gil Gordon, chamando a atenção para esta característica.
Ele não tem dúvidas do impacto da Internet e da Web no trabalho e na forma como estas estão a facilitar o teletrabalho a tempo parcial ou permanente. Afirma ainda que se assistirá no mundo empresarial a um fosso cada vez maior entre os empregadores «inteligentes» e os conservadores, que, segundo Gordon, irão perder paulatinamente os seus melhores quadros em virtude da oposição ao ensaio de soluções inovadoras.

LINKS RECOMENDADOS:

  • O Site de Gil Gordon
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