Seminário "E-learning nas PME" da AEP

Um mercado por desbravar

Confiança e incerteza foram as notas dominantes do seminário "E-learning para PME" organizado Associação Empresarial de Portugal (AEP), em Janeiro de 2001, na Exponor. É que a par do tom evangelizador sobre as virtudes e potencial da formação via electrónica ("e-learning"), a discussão foi sempre condimentada com um pertinente ponto de integorração sobre o rumo e viabilidade do "e-learning" em Portugal.

O site da AEP | Centrar no formando
Leia o primeiro estudo sobre o e-learning em Portugal

1. Entre as várias vantagens mencionadas sobre a aprendizagem via electrónica, o destaque foi para a redução de custos. Segundo os dados apresentados por Rui Almeida, consultor da Novabase, o "e-learning" pode cortar mais de metade dos custos que as empresas acarretam ao desenvolverem acções de formação. Vantagem considerável, dado que a maioria das empresas portuguesas considera a formação como um custo e não como um investimento. «Este factor pode servir de incentivo à formação nas empresas, mas o 'e-learning' não se adequa a todos os tipos de trabalhadores. Só aos mais qualificados», ressalva aquele responsável. E tendo em conta que 76% da população activa nacional tem até seis anos de escolaridade, logo o mercado é pequeno. «A única via é trabalhar com a massa crítica que existe», observa.

2. Uma realidade do "e-learning" para a qual Portugal ainda não acordou são as universidades empresariais. «A vantagem das empresas criarem as suas próprias universidades é que reduzem os custos de formação, orientam-na à medida das suas necessidades e criam uma cultura de aprendizagem no seu pessoal», refere Marisa Eboli, professora na Universidade de S. Paulo. «Mas isto só é aplicável a grandes empresas», salienta. E 99% do tecido empresarial português são PME...

3. O outro "calcanhar de aquiles" da formação à distância é a "e-pedagogia" e as novas competências do "e-professor". De facto, o debate sobre esta matéria atravessou todos os painéis e o consenso está longe de ser alcançado. «Tudo depende da qualidade dos conteúdos», salienta Sérgio Garcia, director da iChange World no Brasil, uma empresa multinacional de "e-learning". «Se ela for assegurada, a retenção de conhecimento no formando pode melhorar até 60%», refere aquele especialista. «Mas o 'e-learning' também exige muita auto-motivação e disciplina do aluno e atenção redobrada do professor em responder o mais rápido possível às dúvidas do formando, de modo a reforçar a ligação humana. Portanto, o problema do 'e-leraning' são as pessoas e o desenhar de conteúdos de caordo com as suas necessidades e personalidades. E ainda ninguém encontrou um modelo perfeito», acrescenta César Souza, professor na Wharton Business School.

4. Neste plano, um caso de sucesso português é o da PT Inovação, com a plataforma Formare. Resultado de seis anos de investigação, atingiu um nível de de formação de 74%. Um dos factores que contribuiram para este valor é a centralização no formando. «Por exemplo, quando há a discussão de um capítulo no IRC, são contabilizados os alunos que participaram e os que não participaram. Aqueles que não o fizeram, o 'help-desk' do curso telefona-lhes para casa para saber qual a razão da falta. Assim, o aluno tem a percepção de que a instituição se preocupa com ele. Isto é dar o toque humano e criar a ligação aluno-professor», explica Arnaldo Santos, director do projecto.

5. No entanto, num ponto todos estiveram de acordo: um curso totalmente via Internet é impossível. «O 'e-learning tem que ser complementado com sessões presenciais. A interacção pessoal entre os alunos e estes e o professor é crucial para uma aprendizagem sólida», remata Horácio Covita, director do Centro de Recursos de Conhecimento do Inofor.

O estado da formação à distância em Portugal
Aqui ficam as principais conclusões e propostas do primeiro estudo sobre "e-learning" em Portugal realizado pela Paradigma Consulting e que foi apresentado no seminário sobre o tema realizado pela AEP:

A realidade...

  • O principal objectivo pedagógico a alcançar com o "e-learning", o desenvolvimento da capacidade de auto-aprendizagem - mais vulgarmente conhecida por "aprender a aprender" - no formando, não foi identificada nos programas de formação à distância portugueses. Estes só se dirigem a um público qualificado, que já é capaz de gerir o seu processo de aprendizagem. Portanto, fica hipotecada a possibilidade da formação à distância combater a info-exclusão. Pelo contrário, pode acentuar mais a clivagem digital.
  • Não é prática corrente o formando poder configurar e contribuir com conteúdos próprios para o sistema de formação à distância, de modo a adequá-lo à medida das suas necessidades e a criar maior interactividade.
  • Também não foi identificada a intenção de criar redes e comunidades virtuais informais entre os ex-formandos de modo a potenciar a aprendizagem contínua
  • É consensual a existência de sessões presenciais na formação à distância. Os conteúdos base são ensinados em sala e os exercícios, casos e questões dos formandos são realizadas "on-line".

    ... e as propostas

  • Estruturar os módulos de formação focando as competências a desenvolver no formando e não as matérias. Os módulos deverão possibilitar o aluno aprender de acordo com a sua disponibilidade e ritmo próprio. O sistema de "e-learning" deverá estar ancorado na ideia de projecto individual de formação ou de desenvolvimento de competências.
  • Os módulos devem ser construídos com base na resolução de problemas de acordo com o perfil profissional do formando e com o objectivo pedagógico a atingir. Isto exige interacção entre o grupo e o tutor para a resolução dos problemas propostos. Estes deverão ser concretos, de acordo com o quotidiano profissional ou para o desenvolvimento de ideias inovadoras, que suscitem novas oportunidades de negócio.
  • A realização de projectos individualizados deverá incluir além dos materiais pedagógicos de apoio, instruções de pesquisa (endereços "on-line" de instituições e fontes de conhecimento) sobre a informação necessária.
  • Os projectos individualizados permitirão ainda a partilha de experiências entre os formandos (através de "chat rooms", vídeo conferências e encontros presenciais), numa perspectiva de aprendizagem contínua. A interacção do grupo iria desenvolver as competências do saber-estar e do saber relacionar-se. Isto exigirá uma tutoria especializada e uma avaliação contínua das competências do formando.
  • Monitorizar o impacto na carreira do formando da acção formativa para avaliar a eficácia do sistema de "e-learning".
  • Possibilidade de reconhecimento das unidades de crédito obtidas na formação à distância serem reconhecidas numa universidade, de modo a permitir a continuação de estudos conducentes a graus académicos.
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