Radiografia da Nova Economia em Portugal

600 empresas criadas desde 1995
«Dot-com» lusas (grandes e minúsculas) facturaram 45 milhões de contos
em 1999, segundo estudo da Dun & Bradstreet

Jorge Nascimento Rodrigues

Versão reduzida publicada no semanário português Expresso

PERFIL DA NETECONOMIA LUSA
  • 590 empresas criadas desde 1995
  • 134 empresas tiveram um valor de facturação em 1999 de 45 milhões de contos
  • 4000 trabalhadores empregados em finais de 1999
  • Cada trabalhador da Nova Economia produziu mil contos por mês em 1999
  • 48% (282 firmas) foram constituídas no ano 2000, sobretudo de Setembro a Dezembro, já depois do «crash» nas bolsas
  • 57% não tinham pessoal até final de 2000 (334 firmas sem empregados declarados)
  • 80% são sociedades por quotas
  • 81% (das empresas que declararam quadros de pessoal) são microempresas (de 1 a 10 empregados)
  • Pouco mais de duas dezenas são spin-offs de grupos ou subsidiárias de multinacionais
  • 53% foram constituídas no distrito de Lisboa, com destaque para o concelho da capital e o triângulo Oeiras-Cascais-Sintra
  • 13 empresas facturaram em 1999 mais de 500 mil contos e só 5 tinham mais de 100 empregados
  • Nenhuma tinha mais de 500 trabalhadores
  • Das 590, apenas 3 não desenvolviam qualquer actividade à data e 1 fechou portas por ter sido integrada (a IP Global)
  • Apesar dos «crashes» do NASDAQ norte-americano e da própria Bolsa portuguesa terem decorrido no princípio do segundo trimestre do ano passado (2000), quase metade das empresas envolvidas na Nova Economia no nosso país foram criadas ao longo desse ano e em particular nos últimos quatro meses.

    O efeito psicológico dos dilúvios bolsistas parece não ter afectado as decisões dos empreendedores e dos grupos portugueses até finais de Fevereiro deste ano (2001). O espectro das falências, também, ainda não é visível - apenas 3 firmas não apresentavam actividade e só uma foi abatida à lista por ter sido integrada num grupo (a conhecida IP Global).

    Fruto dessa constituição tão recente, a maioria não tinha ainda declarado quadros de pessoal nem facturação. As 134 que apresentaram contas de 1999 empregavam nos seus quadros cerca de 4000 pessoas e facturaram 45 milhões de contos, ou seja cada trabalhador da Nova Economia produziu, em média, mil contos por mês ao longo desse ano.

    O levantamento efectuado pela Dun & Bradstreet num estudo exclusivo para o semanário EXPRESSO apurou a constituição, desde 1995 até Fevereiro de 2001 (inclusive), de quase seis centenas de firmas nas áreas de programação e software, web, tecnologias de informação e material electrónico, «spin-offs» de grupos empresariais e subsidiárias de multinacionais na área «dot-com», «holdings» para a Nova Economia e empresas de comunicação, publicidade e media. O ritmo de constituições disparou em 1997 (mais do dobro das criadas em 1996) e acelerou em 2000.

    O universo dessas firmas é tipicamente constituído por microempresas - das que apresentaram quadros de pessoal, 81% tinham ao serviço menos de 10 empregados, e 71% facturavam menos de 50 mil contos em 1999.

    A maioria absoluta destas novas firmas foi criada no distrito de Lisboa, com particular peso no concelho da capital e no «triângulo» Oeiras-Cascais-Sintra.

    Um grupo de oito empresas já apresentou mais de um milhão de contos de facturação à data da última divulgação de dados registada nesta base de dados (nalguns casos 1998, noutros 1999 ou mesmo 2000) - SAP, Mobifin, Cesce, Whatevernet, Telepac II, Onitelecom, Maxitel e Contactsoft, por grau de importância. Apenas 5 empresas no universo analisado pela Dun & Bradstreet tinham mais de 100 trabalhadores.

    PAINEL DE INDICADORES
     Constituição de empresas (1995 - 2001) 
     1995: 21
     1996: 34
     1997: 73
     1998: 88
     1999: 89
     2000: 282
     2001 (Jan e Fev): 3

    Volume de Vendas (1999)
     Até 10 mil contos - 43 empresas
     De 10 a 50 mil - 42 empresas
     De 50 mil a 500 mil - 36 empresas
     De 500 mil a 1 milhão - 8
     Mais de 1 milhão - 5

    Pessoal empregado (1999)
     De 1 a 10 empregados - 208
     De 11 a 100 - 43
     De 101 a 500 - 5

    Principais «clusters» distritais
     Lisboa (sem triângulo) - 239
     Porto - 89
     Triângulo Oeiras, Cascais e Sintra - 71
     Braga - 32
     Setúbal - 31
     Aveiro - 27
     Faro - 25
     Coimbra - 23
     Nota: Distritos com mais de 20 empresas
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