Margarida Abecassis, presidente do Instituto da Inovação da Formação

«Apoiar 'e-learning' é crucial»

O reforço da acreditação da qualidade da formação, a forte aposta em dinamizar o "e-learning" na língua de Camões e o traçar do perfil do financiamento e da avaliação da formação em Portugal são as novas vertentes estratégicas do Instituto para a Inovação da Formação (Inofor), delineadas pela sua recente presidente, Margarida Abecassis.

Ruben Eiras com Margarida Abecasis

Versão adaptada do Expresso

Novos projectos na calha | O site do inofor

Margarida Abecassis Três anos volvidos após a criação do Inofor e com uma direcção renovada, quais são as novas prioridades estratégicas?

MARGARIDA ABECASSIS - Até agora foram certificadas 1975 entidades de formação. Queremos reforçar e valorizar o processo de acreditação através da criação de um selo de prestígio, tipo marca "Inofor". À semelhança do Sistema de Certificação de Qualidade para as empresas, a atribuição de um selo 'Inofor' será uma forma de reconhecimento da qualidade da formação prestada pela entidade. Embora seja necessária uma auditoria técnica e pedagógica às entidades para estas serem acreditadas não queremos actuar como inspectores da formação, mas sim distinguir a qualidade existente no mercado.

E quanto a dinamizar a formação dos trabalhadores pouco qualificados?

M.A. - O aumento das acções formativas para os trabalhadores pouco qualificados é outra batalha a travar. Só que devido à reduzida dimensão das empresas portuguesas, a disponibilidade dos trabalhadores para a formação é diminuta. Por isso, vamos focalizar a divulgação e sensibilização da formação em contexto de trabalho.

O "e-learning" está a ganhar terreno no mercado formativo. Estão previstos alguns apoios específicos para iniciativas nesta área?

M.A. - No plano do "e-learning", o objectivo do Inofor é criar uma incubadora virtual para "start-up's" no segmento da "e-formação". Desta forma, as empresas que possuam 'know-how', mas não a capacidade financeira necessária para avançar com o seu projecto, têm facilitado o acesso ao mercado. Para optimizar esta iniciativa, iremos proceder à ligação dos Centros de Recursos de Conhecimento ao nosso "site", à digitalização de documentos e materiais pedagógicos e formativos que possui, à elaboração de um estudo sobre o estado do "e-learning" em Portugal e à organização de uma conferência internacional sobre a temática em Novembro deste ano.

Mas para a "e-formação" são precisos "e-formadores"...

M.A. - É uma necessidade premente formar profissionais especializados na criação de materiais pedagógicos e no ensino via electrónica. É que uma hora de formação à distância é mais exigente do que o mesmo período em sistema presencial, devido à inexistência do 'calor humano' da interacção pessoal. Por isso, o "e-formador" terá que ser um bom conhecedor da matéria que ensina, construir conteúdos apelativos e interactivos e ser muito competente na ligação com os formandos via Web, ou seja, atender aos seus pedidos em menos de 48 horas.

Que medidas se deverão tomar para tornar a avaliação da formação mais eficaz?

M.A. - Para que seja isenta e credível, o processo deverá ser entregue a entidades externas, como empresas, centros de investigação e universidades. Além disso, também falta uma cultura de avaliação da formação, o que tem um impacto directo na sua qualidade. É por isso que estamos a focalizar muitos esforços na acreditação, para que as entidades vejam vantagens no elevar da sua imagem no mercado se aumentarem a qualidade da sua formação.

Mas qualidade dos formadores também influi directamente na qualidade da formação?

M.A. - Sem dúvida. Esta é uma das grandes razões da má imagem da formação em Portugal. Sendo assim, outra das nossas frentes de luta será pugnar pela qualidade da formação de formadores e dos materiais pedagógicos.

Novos projectos na calha
Estudos Sectoriais - as investigações prospectivas sobre as qualificações de cada sector de actividade análise irá ser alargada a outros segmentos da economia (até agora foram abrangidos 12) e o Inofor irá levar a cabo uma avaliação da sua utilidade social junto dos agentes económicos.
Sistema de Observação do Percurso Profissional de Licenciados (ODES) - será lançado este ano o primeiro inquérito geral a todos os estudantes do ensino superior que finalizaram a formação superior nos anos de 1995 e 1996. O inquérito também será alargado aos empregadores, de modo a identificar a imagem que possuem da entrada dos jovens no ensino superior.
Estudos a decorrer - o Inofor irá levar a cabo dois diagnósticos, a saber, sobre o financiamento e a avaliação da formação. O estudo do financiamento irá contemplar o histórico do sistema em Portugal até 2001, a análise sobre a oferta existente a nível público e privado, e qual o seu impacto na qualidade da oferta formativa. Também serão incluídas análises de outras experiências europeias a este nível, de modo a estabelecer um "benchmarking", isto é, termos de comparação de Portugal com outros Estados-membros. Em relação à avaliação da formação, a pesquisa a ser realizada será focada no desenvolvimento de metodologias e de materiais de apoio para aquela matéria.
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