Inofor reforma acreditação

As principais mudanças prendem-se com a obrigatoriedade da entidade formadora realizar uma auto-avaliação da sua actividade, a introdução de elementos específicos para a validação de sistemas de «e-learning» e a criação de um código de ética para a actividade da formação.

por Ruben Eiras

Artigo publicado no Expresso Emprego

O site do Inofor

Segundo Madalena Estevão, a coordenadora daquele organismo, o objectivo destas alterações são a elevação dos critérios de exigência e uma melhor clarificação dos fundamentos de decisão de acreditação, «a fim de dar maior transparência e rigor ao sistema e à qualidade da formação presente no mercado».

Para tal, foram clarificados os procedimentos de renovação da acreditação, revisto o processo de candidatura - elaboração de novos formulários e de uma nova forma de organização do Dossier de Acreditação - e atribuídos novos critérios para o prazo de acreditação.

A partir de agora a oferta formativa passa a estar classificada por áreas de formação, as formas de acompanhamento do processo formativo foram diversificadas e os requisitos de acreditação também foram alvo de clarificação e revisão.

Em concreto, a auto-avaliação que as entidades formadoras têm de efectuar consiste no balanço da sua actividade, repartido em três grandes critérios, a saber, as técnicas de formação aplicadas, a estratégia de desenvolvimento seguida e os públicos-alvo visados.

Para assegurar a veracidade da auto-avaliação das entidades formadoras, foram criados um formulário com a finalidade de verificar as alterações operadas a nível das metodologias de formação e um sistema de controle e monitorização das várias fases do processo formativo.

Este último obriga a entidade a recolher informação sobre cada etapa da formação, desde o diagnóstico até à avaliação. «Com o cruzamento de todos estes dados com a auto-avaliação realizada pela entidade, será possível detectar prováveis discrepâncias entre as duas fontes de informação e assim assegurar a sua veracidade», explica Madalena Estevão.

Quanto às entidades que fornecem serviços de formação a distância em sistema de «e-learning», os critérios de validação abrangem os recursos humanos, a metodologia, a concepção da plataforma tecnológica e dos conteúdos.

A nível da força de trabalho da entidade formadora, esta deverá possuir um especialista com formação em metodologias de concepção e desenho de estratégias e programas de e-learning ou detentor de experiência relevante na área.

A metodologia a ser aplicada deverá ser específica à concepção de cursos a distância suportada em ferramentas de autor integradas em sistemas de gestão de aprendizagens e conteúdos. Esta metodologia deve estar em conformidade com os canais de distribuição e as opções pedagógicas assumidas.

Os produtos de «e-learning» concebidos devem contemplar a definição de objectivos de aprendizagem, a estruturação de itinerários de aprendizagem a distância, de unidades e sequências de aprendizagem e a definição de momentos de consolidação e aplicação de conhecimentos e aprendizagens. Também são avaliadas a acessibilidade, a navegabilidade, e as funcionalidades dos canais de comunicação.

No que diz respeito aos conteúdos de aprendizagem, também foram discriminadas as características segundo as quais deverão ser estruturados. Pela primeira vez em Portugal um organismo público (neste caso o Inofor) determina a adopção dos «standards» internacionais de «e-learning» para a concepção de conteúdos e utilização de plataformas. A estandardização (ou normalização) consiste num acordo sobre um conjunto específico de características que um produto ou processo deverão exibir.

No caso do «e-learning», o Inofor recomenda que as entidades formadoras sigam as normas do SCORM (Sharable Coursewere Object Reference Model), um conjunto de especificações técnicas desenvolvido pelo Departamento de Defesa dos EUA, que estão disponíveis no sítio www.adlnet.org. e do ASTD, um modelo de certificação de cursos online que possui 19 «standards» (www.astd.org).

Outra inovação desta reforma é a criação do Regulamento de Acreditação, uma espécie de código de conduta e ética de mercado que a entidade formadora deve seguir. O Inofor passa assim a actuar como uma entidade reguladora do mercado de formação. «Assim, se existirem queixas dos formandos por má conduta, já podemos actuar porque existe um quadro oficial de ética de conduta. Se a entidade for dada como culpada, podemos retirar a sua acreditação», remata Madalena Estevão.

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