Hans Ulrich Maerki, presidente da IBM Europa

«UE tem que apostar no 'e-learning'»

A estratégia de Lisboa, em tornar a Europa na economia do conhecimento mais competitiva do mundo em 2010, resultará num fracasso se os sistemas de aprendizagem, formação e ensino europeus não adoptarem em pleno a digitalização dos seus processos e dos métodos de ensino do corpo docente. «Sem possuir uma forma mais produtiva e focalizada na transferência de conhecimento, como por exemplo através do 'e-learning', não será possível à Europa atingir esse objectivo», afirma Hans Ulrich Maerki, presidente da IBM Europa. Isto porque, no terreno, o grande investimento da UE na introdução de tecnologias de informação (TI) nos estabelecimentos de ensino está a descurar um factor essencial: as pessoas. «É completamente estúpido e ingénuo um governante assumir que bombeando as escolas com tecnologias, apenas fornecendo computadores e uma ligação á Internet aos professores e alunos, está a fazer algo com valor para a nação. E esta é tendência dominante na Europa», salienta.

por Ruben Eiras

Artigo publicado no Expresso Emprego

Educação «hi-tech» | O site de educação da IBM

Segundo aquele responsável, se a modernização tecnológica dos estabelecimentos de ensino e dos centros de formação não for acompanhada de acções formativas que mudem os comportamentos e a forma de trabalhar dos docentes, a UE não beneficiará das vantagens competitivas do «e-learning» para o aumento da sua competitividade. «Pelo contrário, está-se a criar outro problema: Gasta-se dinheiro em equipamento moderno que é utilizado segundo métodos de ensino e de transferência de conhecimento antiquados», alerta.

É que no «e-learning» o professor deixa de ser o elemento dominante na transferência do conhecimento para o aluno e passa a assumir um papel de tutor e guia da aprendizagem conduzida pelo formando, como um «coach» (treinador, em inglês). Ou seja, o centro do processo de ensino passa do docente para o aluno. Só que mudar as competências e mentalidade dos docentes mais idosos não é tarefa fácil para os governos europeus.

E o tempo para a mudança na Europa esgota-se. De facto, já só restam cerca de sete anos e meio para concretizar o grande objectivo da Estratégia de Lisboa. «Se a Europa quer mudar mesmo, então que venham novos professores. É que para ser uma economia do conhecimento competitiva em 2010, não há tempo a esperar para que uma geração de docentes venha substituir a actual», refere.

É que no «e-learning» o professor deixa de ser o elemento dominante na transferência do conhecimento para o aluno e passa a assumir um papel de tutor e guia da aprendizagem conduzida pelo formando, como um «coach» (treinador, em inglês). Ou seja, o centro do processo de ensino passa do docente para o aluno. Só que mudar as competências e mentalidade dos docentes mais idosos não é tarefa fácil para os governos europeus.

E o tempo para a mudança na Europa esgota-se. De facto, já só restam cerca de sete anos e meio para concretizar o grande objectivo da Estratégia de Lisboa. «Se a Europa quer mudar mesmo, então que venham novos professores. É que para ser uma economia do conhecimento competitiva em 2010, não há tempo a esperar para que uma geração de docentes venha substituir a actual», refere.

Mas a maioria os governos europeus aparenta passar ao lado da questão. Um exemplo prático deste autismo característico da Europa está à vista de todos, com a crónica escassez de profissionais TI no mercado de trabalho. «Algumas das economias que pertencem à UE não colocaram como prioridade o combate à lacuna das competências TI e por isso o problema cresceu nas proporções que se conhecem», observa. Para inverter esta situação, o responsável da IBM sugere que Bruxelas indique a cada país a percentagem da população que deve formar em TI no longo prazo para conseguir ser competitivo com o resto da Europa.

«Prodi e a sua Comissão têm de perceber que a infraestrutura de tecnologias de informação (TI) deve ser utilizada como base para o objectivo da Estratégia de Lisboa, mas não só tendo como prioridade o 'e-governement' - a racionalização dos processos da administração pública -, mas também a transferência do conhecimento no 'e-learning' e inculcar esta linha de acção nos alvos prioritários dos Estados-membros», sugere Hans Ulrich Maerki.

A via para concretizar esta meta preconizada por aquele executivo da Big Blue assenta na concertação entre o sector privado, o mundo académico e o Estado no que concerne à política de educação e formação de cada país da UE. «Isto porque nem a indústria do sector privado, nem o sector académico, nem o Governo por si sós conseguem resolver isto, porque nenhum sozinho tem o dinheiro suficiente», reitera.

Mas Hans Ulrich Maerki alerta que esta cooperação entre o público e o privado só funciona se a indústria obter vantagens financeiras desta operação. Pragmático, sublinha que os motivos que levam privado a ajudar o público são de natureza económica. «Senão, a empresa não está a demonstrar responsabilidade social, está é a deitar dinheiro pela janela fora», salienta. «Só que as empresas também que demonstrar boa vontade, ao reduzirem significativamente a sua margem de lucro numa parceria com o sector público», contrapõe.

Por sua vez, reforça o facto do valor acrescentado deste tipo de parceria - a colocação das competências, dos activos, e do «know-how» do privado ao serviço de todos os cidadãos. «Tem que existir um equilíbrio entre o valor político do Estado em servir bem os cidadãos e a vantagem comercial para os privados. O que interessa no final é que o cidadão seja bem servido», observa.

Educação «hi-tech»
A formação e a tecnologia andam de mãos dadas na Big Blue. Segundo Hans Ulrich Maerki, a IBM está a recriar todo o seu sistema de aprendizagem interna, de forma a criar uma das estruturas de «e-learning» mais avançadas do mundo. O executivo da IBM refere que este é o maior projecto deste âmbito realizado numa grande empresa até hoje. Para concretizar este objectivo, constituíram um instituto de formação avançada composto por uma equipa na qual trabalham em conjunto membros da divisão de pesquisa e dos serviços de aprendizagem da empresa.
No plano da política de cidadania empresarial, a IBM está a desenvolver dois projectos-pilotos a nível da formação superior e técnica baseados num sistema de «e-learning», a saber, o My bschool.com e a Tulip.
O primeiro envolve cinco escolas de negócios na Europa que estão a trabalhar em conjunto na produção e troca de conteúdos para MBA. «Assim fica mais económico, porque nenhuma tem que desenvolver o currículo só por si e cada uma concentra-se no conhecimento que melhor domina», explica Hans Ulrich Maerki.
O segundo projecto é o Tulip, que envolve sete universidades técnicas, as quais funcionam no mesmo sistema do My bschool.com - «e-learning» em módulos -, só que focalizado nas competências TI. Uma das iniciativas de cidadania empresarial da IBM mais bem sucedidas é o Kidsmart, no qual aquela empresa investe mais 10 milhões de dólares anualmente. Consiste na reconversão de professores e está presente em diversos países, entre eles a África do Sul e a Itália. Projecta-se que provavelmente em breve surja em Portugal uma iniciativa neste âmbito.
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