Portugueses «rejeitam» formação contínua

Apenas 3% da população activa nacional frequenta acções de formação e de educação. Os dados vêm registados no último relatório da Comissão Europeia denominado «A Situação Social na União Europeia». A média da UE é de 8%. De acordo com aquele documento, Portugal só é ultrapassado pela Grécia, país que ocupa o último lugar na aprendizagem ao longo da vida: somente 1% dos trabalhadores participam em acções formativas e educativas. A formação contínua é mais frequente nos países nórdicos, na Holanda e no Reino Unido.

Análise de Ruben Eiras

O sítio da Comissão Europeia, secção Emprego e Assuntos Sociais

A análise por escalões etários revela que as pessoas mais velhas e detentoras de qualificações inferiores possuem menos probabilidades de participar em acções de formação do que as mais jovens e mais qualificadas, já que a percentagem de participação diminui à medida que o escalão etário aumenta. O «gap» geracional da força de trabalho portuguesa combinado com a sua baixa qualificação é uma possível explicação para esta situação que compromete a competitividade do país.

Segundo aquele relatório, em relação ao total da população activa, Portugal é a terceira nação que emprega em maior quantidade trabalhadores mais velhos entre os 55 e 64 anos (51,7%), logo atrás da Suécia (64,3%) e da Dinamarca (54,6%). A média do espaço europeu é de 37,5%.

Só que Portugal não possui uma mão-de-obra com o elevado nível educacional daqueles países escandinavos, factor que condiciona a capacidade de aprendizagem e o valor atribuído pelas pessoas ao investimento na sua qualificação. Com efeito, cerca de 76% da nossa população activa só possui até seis anos de escolaridade.

A distribuição do rendimento em Portugal é a mais desigual da UE. A análise do relatório mostra que ao nível da UE, os 20% mais pobres da população auferiam 8% do rendimento total em 1998 (dados mais recentes), enquanto que os 20% mais ricos recebiam 39% do total do rendimento, isto é, cinco vezes mais. A disparidade entre os mais pobres e os mais ricos no território português é de 7,2 vezes mais. As nações mais igualitárias em termos de rendimento são a Dinamarca (2,7), a Finlândia (3,0) e a Suécia (3,4).

E embora as mulheres portuguesas sejam das que mais trabalham na Europa - com uma taxa de emprego de 60,3%, quando a média dos Quinze é de 54% -, este factor ainda não se reflectiu na sua ascensão às posições de poder. De facto, no total da força de trabalho do governo português, apenas 10% das funções são ocupadas por mulheres, contra a média europeia de 25%.

Entretanto, aquele relatório mostra alguma melhoria na diminuição da sinistralidade do trabalho em Portugal. A taxa de incidência de acidentes graves no emprego (93%) já está a aproximar-se da média europeia, que é de 90%. Este valor é calculado segundo o número de acidentes no trabalho por 100 000 milhares de pessoas empregadas.

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