Euroformação 2002

Governo junta educação e formação

O Governo vai articular o sistema educativo com o de formação inicial, para melhorar a inserção dos formandos no mercado de trabalho. Para cumprir esta nova política, será criada a Direcção Geral de Formação Vocacional (DGFV). A medida foi anunciada por David Justino, ministro da Educação, aquando da sua intervenção no Euroformação 2002, subordinado ao tema «Produtividade e Competitividade - Desafios para as Pessoas e Organizações», organizado pela AIP e que se realizou nesta semana no Centro de Congressos de Lisboa.

Análise de Ruben Eiras

Artigo publicado no Expresso Emprego

Neste plano, o responsável da pasta educativa sublinhou que o actual sistema de educação é «um criador de desigualdade», porque a má inserção profissional do capital humano provoca impactos negativos no desenvolvimento local e regional.

Para inverter esta situação, uma das principais linhas de acção da DGFV é a racionalização do sistema de formação inicial. «Há muita sobreposição de cursos, duplicação de competências e até competição entre organismos públicos. Há que acabar com isto e gerar sinergias entre os vários sistemas educativos e formativos», declarou o ministro.

A rentabilização dos conteúdos educativos e formativos é outro dos objectivos desta medida. «Há muitas iniciativas dispersas, desagregadas e mal aproveitadas. Temos de as congregar de modo a criar plataformas de produção de conteúdos organizadas e eficazes», reitera. O ministro assegurou que o processo será totalmente compatibilizado com o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), instituição que detém uma grande parte das soluções de formação inicial e de inserção profissional.

Em concreto, a DGFV incorporará a articulação dos centros de formação do IEFP nos graus de formação de nível II e III, as escolas profissionais e a reconfiguração do ensino tecnológico com base nos parâmetros da inserção profissional. David Justino exemplifica como o novo sistema irá funcionar: «Um aluno que conclua o 9º ano e deseje entrar no mercado de emprego terá de frequentar um curso profissionalizante que será ministrado no centro de emprego da sua área». Uma das mudanças imediatas deste novo organismo é a integração da Agência Nacional de Formação de Adultos (Anefa) dentro da DGFV, desaparecendo a actual designação.

O ministro da Educação avançou ainda que esta orientação política será reforçada pela criação da Lei de Bases da Educação e Formação Vocacional, que estará concluída no final de 2003, «em estreita sintonia», frisa, com a Lei de Bases da Formação Profissional que deverá ser lançada pelo Ministério da Segurança Social e do Trabalho até Dezembro deste ano.

David Justino adiantou que também está a delinear uma estratégia de «e-learning» enquadrada dentro do plano de desenvolvimento da sociedade de informação e de «e-formação», focalizada na criação de um sistema de aprendizagem ao longo da vida. Todavia, não revelou pormenores, dada a fase embrionária do projecto.

A nível de recursos humanos para a DGFV, o ministro da Educação revelou que irá reaproveitar muitos dos professores desempregados para formadores neste novo sistema. Quanto à provável oposição dos lóbis que dominam o sector da formação inicial face a esta mudança política, David Justino responde que «ou aceitamos os lóbis ou aceitamos o país».

Página Anterior
Canal Temático
Topo da Página
Página Principal