Estudo sobre o impacto do "e-business" na gestão de recursos humanos

«e-RH» aproxima gestão das pessoas do negócio

Na Nova Economia, as empresas estão a ficar mais dependentes dos departamentos de recursos humanos (RH). Esta é a principal conclusão do estudo de "benchmarking" sobre o impacto do "e-business" na gestão de recursos humanos elaborado pela consultora PriceWaterHouseCoopers, na Europa e Médio Oriente. Os resultados europeus foram divididos em seis regiões, estando os valores de Portugal agregados nos resultados da Europa do Sul. De acordo com aquela investigação, a gestão de recursos humanos naquela região não está muito distante da média europeia nas dimensões em análise.

Análise de Ruben Eiras

O site da PriceWaterHouseCoopers

Ideias-chave
  • O departamento de RH deve ser gerido como um negócio
  • Os empregados devem ser encarados como criadores de valor e não como um custo
  • A gestão de RH requer medição de desempenho e focalização no cliente
  • Os serviços de não essenciais de RH deverão ser eliminados
  • Os recursos deverão ser providenciados para criar serviços de RH de valor acrescentado
  • O departamento de RH deve tornar-se parceiro do negócio e criar novos tipos de serviços
  • Os recursos humanos deverão ser geridos com o mesmo vigor que os custos de capital
  • 1. No plano do aumento da importância do RH nas empresas, o estudo identifica como factores prinicipais a maior mobilidade no trabalho e as novas tecnologias. Devido à escassez de talentos no mercado de trabalho, o sucesso empresarial assenta cada vez mais no recrutamento, na formação e na retenção dos melhores profissionais. Por sua vez, a constante mudança tecnológica origina uma contínua alteração dos processos de negócio e respectivos conhecimentos especializados. Prova disso são as prioridades da gestão de recursos humanos no ano 2000 que o referido estudo identifica: desenvolvimento da liderança, mudança cultural e organizacional, comunicação interna e recrutamento. Em relação ao ano passado, a média de crescimento de importância destas categorias ronda os 20%.

    2. Gestão de RH mais próxima do negócio Este aumento teve efeito directo na redução da distância entre as prioridades da gestão de recursos humanos com as das empresas (crescimento, redução de custos e melhoria da qualidade, por exemplo): em relação a 1999, encurtou cerca do dobro. «Isto indica que a gestão das pessoas está a ganhar peso e tem um impacto significativo nas decisões estratégicas das empresas», comenta Afonso Sampaio Sousa, responsável pelo estudo em Portugal. Contudo, há um longo caminho a percorrer na eficiência e produtividade dos departamentos de recursos humanos. Segundo o estudo, os processos administrativos - pagamentos, sistemas de informação e administração - levam 38% do tempo de um departamento de pessoal. Em contraste, o tempo despendido em formação e recrutamento e selecção totaliza apenas 10% e só 3% é gasto no desenvolvimento da gestão (embora o desenvolvimento de liderança seja considerada uma prioridade).

    3. Os centros de serviços partilhados Por outro lado, actualmente, a função de RH encontra-se melhor integrada nos processos de negócio das empresas, através dos centros de serviços partilhados - uma unidade que concentra todos os serviços e processos administrativos. As principais utilizações são para a formação, recrutamento e selecção, administração de recursos humanos, avaliação de desempenho, "assessment" e gestão de competências. Os grupos empresariais que adoptaram esta solução conseguiram um rácio de 145 empregados para um funcionário de RH (a média europeia é de 57 para 1), aumentando assim a eficiência e a produtividade.

    4. A vaga do "b2e" A opção por um "software" de gestão integrada de recursos humanos - como o ERP da SAP ou o Oracle - também contribui para esse ganho de eficiência, dado que acelera o tratamento da informação e a introdução dos dados, através das opções de "self-service" dirigidas aos empregados. «Um portal interno permite aos trabalhadores realizarem alterações administrativas - marcar férias, os descontos e assim por diante - sem terem que se deslocar ao departamento de pessoal», explica Afonso Sampaio Sousa.
    Neste plano, uma nova tendência é o "business-to-employee" (b2e), portais que oferecem soluções personalizadas de notícias, recursos, aplicações e serviços electrónicos aos empregados. Outra das funcionalidades deste conceito são as ligações múltiplas entre a organização, os fornecedores e outras entidades, que permite aos empregados obterem um conhecimento mais global da empresa e aumentarem a sua participação na actividade da organização.
    «Com os processos administrativos mais automatizados e céleres, os responsáveis pelos recursos humanos ficam mais libertos e capazes para se concentrarem no mais importante: gerir pessoas com estratégia. Mas para tal, as funções de RH têm que adoptar o conceito de 'e-business', para se tornarem em 'e-rh'», denota aquele consultor.
    No entanto, segundo Afonso Sampaio Sousa, esta transformação ainda está a acontecer a passo lento, principalmente em Portugal, «devido à pequena dimensão do tecido empresarial e baixa qualificação da força de trabalho nacional».

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