Conferência Novas Tecnologias e Gestão de Recursos Humanos

Na era do "e-RH"

por Ruben Eiras

A gestão de recursos humanos electrónica - já designada por "e-RH" - está a chegar a Portugal. "Softwares" de gestão integrada de recursos humanos, "e-learning", recrutamento "online" e inquéritos de clima social através da Internet foram algumas das ferramentas apresentadas e discutidas na conferência "Novas Tecnologias e Gestão de Recursos Humanos", decorrida a 19 e 20 de Outubro na Quinta Patino em Cascais.

Em regra geral, as principais vantagens destas novas aplicações informáticas para a gestão das pessoas consistem na redução do tempo do tratamento da informação e no aumento da rapidez dos processos. É a gestão das pessoas na Nova Economia.

Uma das utilizações inovadoras no recrutamento electrónico foi apresentado pela Siemens. Para recrutar uma grande quantidade de profissionais altamente qualificados para desenvolvimento de "software", a multinacional alemã criou um "site" específico para a concretização da tarefa, denominado "Challenge Unlimited - Talent Tracer".

O potencial cibercandidato entra num jogo, em que passa a fazer parte de uma equipa, com a qual progressivamente vai ultrapassando as etapas da competição.

Os vários níveis do jogo contêm baterias de testes psicotécnicos que são aplicados automaticamente e definem em matéria de segundos o perfil do "jogador-candidato". Ao longo do jogo, o candidato pode visualizar o balanço da sua performance e no final decide se envia ou não os resultados obtidos. Se tal se efectivar, então o jogador passa a ser candidato à função.

«O jogador tem noção de que está a ser auto-avaliado. Por isso, só envia os resultados se sentir que está preparado para responder à nossa exigência profissional», esclarece Arnaldo Cruz, do Sistema de Qualificação e Treino da Siemens Portugal. «Desta forma, conseguimos uma informação mais rica do que um currículo, pois através do jogo obtemos um pré-teste dirigido às áreas que queremos, com valores claros e quantificados do perfil de cada um. Assim os dados são mais facilmente trabalháveis», explica aquele responsável. «Além disso, para atrairmos os profissionais da Nova Economia, temos que dar uma imagem inovadora e de desafio da empresa, para que possamos retê-los e obter frutos a longo prazo», reforça.

No plano da gestão integrada recursos humanos, o exemplo foi dado pelo Grupo Amorim, pioneiro do "e-RH" em Portugal, dado que já possui um sistema informatizado nesta área desde 1997. Segundo António Manso de Almeida, director de recursos humanos daquele grupo económico, a grande vantagem desta ferramenta reside na centralização de toda a informação dos recursos humanos da organização, sendo possível obter os dados detalhados sobre a pessoa, a função que desempenha, as acções de formação que frequentou e o impacto na sua performance desde esse momento.

«Esta ferramenta suprime todos os processos burocráticos e mecânicos de tratamento da informação, libertando-nos para a gestão das pessoas propriamente dita, ou seja, para a sua motivação e satisfação no trabalho e aumento da produtividade», refere o dirigente. Por outro lado, como o sistema está baseado numa plataforma Web, cada trabalhador pode visualizar a situação dos seus vencimentos, da sua avaliação de desempenho e outras informações afins. No entanto, António Manso de Almeida contrapõe que a maioria dos utilizadores ainda não estão preparados "para utilizar a 100% o sistema" e que para rentabilizá-lo terão que apostar em formação específica para o efeito.

No que diz respeito ao "e-learning" - a aprendizagem via electrónica -, as posições extremam-se entre as vantagens e as fraquezas desta ferramenta de formação "online". «Embora seja verdade que o "e-learning" facilite a formação contínua, flexibilize os horários de formação e contribua para reter e desenvolver o "know-how" da organização, a realidade é que porém, 70% dos projectos a nível mundial nesta área já morreram», afirma Horácio Covita, director do Centro de Recursos de Conhecimento do Instituto de Inovação de Formação.

De acordo com aquele responsável, a falta de acessibilidade à Internet, o ainda reduzido numero de pessoas a navegar na Web e as má qualidade dos conteúdos formativos "online" impedem o desenvolvimento da aprendizagem electrónica em Portugal. «Qualquer modelo neste momento está concebido do ponto de vista tecnológico e não baseado na pedagogia. Enquanto não existirem tutores especialmente formados para a aprendizagem 'on-line', esta nunca será de qualidade», remata Horácio Covita.

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