Só 22% das empresas realizaram formação

Entre 1998 e 2000, somente 22,1% do tecido empresarial português realizou ou promoveu acções de formação profissional. Esta é a principal conclusão do inquérito «Impacte das Acções de Formação Profissional nas Empresas 1998 - 2000», efectuado pelo Departamento de Estatística do Trabalho, Emprego e Formação Profissional (Detefp) do Ministério do Trabalho e Segurança Social. Ou seja, em três anos, quase 80% das empresas nacionais não efectuou qualquer tipo de acção formativa.

Análise de Ruben Eiras

Artigo publicado no Expresso Emprego

O sítio do Detefp

De acordo com o inquérito, em relação ao total das empresas, o sector financeiro foi aquele que registou o maior investimento em formação, com 71%, seguindo-se o segmento da produção e distribuição de electricidade, gás e água (52.6%), o da educação (45.1%), das actividades imobiliárias, alugueres e serviços prestados às empresas (44.8%). Os valores mais baixos situam-se nos sectores das pescas (6.9%) e da construção (6.8%). O sector das indústrias transformadoras só efectuou 10% de acções formativas.

As categorias profissionais onde se registaram menor frequência em acções de formação profissional são justamente as de menor qualificação. Ao longo dos três anos referidos no estudo, os operários, artífices e trabalhadores similares, operadores de instalações e máquinas, trabalhadores de montagem e empregados não qualificados só contabilizaram entre 35% a 40% do total dos investimentos de formação. Em contraste, os escalões profissionais mais qualificados são os que levam a maior fatia das acções formativas, entre 50% e 65%, respectivamente.

No entanto, as empresas que levam a cabo iniciativas de formação não recorrem a fontes de financiamento públicas, mas sim aos seus próprios recursos. Com efeito, em 2000, mais de 93% das acções formação foram financiadas pelas próprias empresas e apenas 24,1% receberam apoio público. Nos outros dois anos transactos a tendência similar.

A explicação para este comportamento é dada no estudo «Evolução das Políticas de Formação nas Empresas», publicado recentemente pelo Observatório de Emprego e Formação Profissional, coordenado por Rui Moura, docente e investigador em sociologia do trabalho na Universidade Autónoma de Lisboa, que justifica a baixa utilização pelas empresas dos fundos públicos para formação devido à excessiva burocracia exigida no processo de candidatura.

A área de formação com maior percentagem de participação em acções de formação profissional é a de "engenharia e fabrico", com 16,4%. A «teoria e prática de informática» vem logo a seguir (14,7%). O valor mais baixo situa-se no «trabalho de escritório» com 1.3 %.

No âmbito da empregabilidade e das condições de trabalho, o impacte da formação profissional foi maior na adaptação do empregado ao posto de trabalho e menor na redução do horário laboral.

O estudo refere que as empresas que realizaram acções de formação não só possuem o dobro da probabilidade de aumento da produtividade, da qualidade e da competitividade do negócio, como também no que diz respeito a alterações radicais na estrutura tecnológica e organizacional.

A magnitude da mudança causada pela formação profissional foi sentida com maior impacto na alteração da tecnologia utilizada e no elevar da qualidade dos produtos e serviços prestados. Todavia, das empresas que efectuaram acções de formação, a maioria (45%) classificou as acções formativas como tendo «alguma influência». Cerca de 30% avaliaram como tendo «muita influência».

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