Desemprego high-tech sobe em flecha nos EUA

Análise de Ruben Eiras

Ler artigo da Business Week | Gabinete de Estatísticas do Trabalho dos EUA
Leia a reportagem da Business 2.0 sobre o pesadelo laboral americano
da Nova Economia

Conheça na CNN as previsões para o aumento do desemprego nos EUA

O arrefecimento da economia dos Estados Unidos e a queda do Nasdaq - o índice bolsista das acções tecnológicas - está a causar as primeiras vítimas entre as fileiras das empresas high-tech americanas. Os primeiros sinais indicam que afinal o desemprego na Nova Economia poderá ser tão incisivo como na Velha.

Ideias-chave
1 - Mês de Janeiro marcado nos EUA por reduções de pessoal em empresas industriais, de media e da Web
2 - O trabalho temporário caiu 3%, a maior quebra desde a última recessão
3 - Rentabilizar o investimento em TI e aumentar a produtividade, cortando nos custos, é uma das razões da supressão de postos de trabalho. A queda do Nasdaq também está na origem do aumento dos despedimentos

1. Despedimentos em catadupa. De acordo com um artigo da revista Business Week, a Lucent Technologies anunciou a 24 de Janeiro que iria despedir 16000 trabalhadores. No mesmo dia, o gigante AOL Time Warner eliminou 2000 postos de trabalho. Entretanto, a Textron, uma grande empresa industrial, declarou que iria suprimir 3600 empregos e a Norfolk Southern Corp planeia cortar 2000 postos de trabalho. O portal Excite@Home relatou que irá diminuir a sua força de trabalho em 250 empregados e a J. C. Penney Co, uma rede de distribuição, afirmou que irá encerrar cerca de 50 lojas, sem especificar o número de postos de trabalho perdidos.
Mas há mais. A CNN despediu recentemente 400 trabalhadores e a Motorola vai eliminar 2500 postos de trabalho fabris A Gateway anunciou a 11 de Janeiro que irá reduzir 10% da sua força de trabalho e a MarchFirst, uma das maiores empresas de consultoria na Web, declarou que iria despedir 550 trabalhadores. E isto sem contar com as falências sucessivas das empresas «dot.coms», que já atiraram para o desemprego perto de 20000 trabalhadores.

2. Um outro sinal é a queda livre do trabalho temporário. Segundo os dados do Gabinete de Estatísticas do Trabalho dos EUA, de Dezembro a Setembro do ano passado, o emprego nas empresas de trabalho temporário e em outras empresas de pessoal caiu 3% - 115 mil trabalhadores -, a maior queda desde a última recessão, que se deu entre 1990 e 1992.

3. Rentabilizar o investimento em TI e incerteza da recuperação bolsista. De acordo com Michael J. Mandel, o autor do referido artigo, esta vaga de despedimentos é a evolução lógica da Nova Economia. «Durante os anos noventa, os grandes investimentos em tecnologias de informação acrescentaram muitos postos de trabalho em muitas empresas», salienta. De facto, durante a última década, o pessoal nos departamentos de informática aumentou vertiginosamente para manter e organizar as redes informáticas internas, ao mesmo tempo que a súbita necessidade de qualquer empresa ter uma presença na Internet inundou o mercado de trabalho com exércitos de Webmasters e produtores de conteúdos.
Mas agora o ciclo está a inverter-se. «As empresas estão a tentar absorver os investimentos que já fizeram», ressalva Michael J. Mandel. «Em vez de contratar hordas de novas pessoas para instalar e manter novos sistemas, as empresas estão a focalizar-se em utilizarem a sua tecnologia de informação mais intensivamente do que nunca para cortar custos por automatizarem as transações, cortar os pessoal médio e nivelando a produção. Querem aumentar a produtividade e retirar o máximo da tecnologia com menos recursos e custos», explica aquele jornalista. Além disso, há demasiada capacidade no mercado e as fusões geram sempre cortes nos custos. «Se a bolsa de Wall Street continuar fraca e o Nasdaq não recuperar, serão inevitáveis mais despedimentos», remata Michael J. Mandel.

4. E na Europa? A Nova Economia nem teve tempo de nascer no Velho Continente. As últimas estatísticas mostram uma descida no desemprego, mas este ainda se mantém a um nível elevado: 7,5%. A incerteza paira sobre a natureza da descida: será estrutural ou conjuntural? Se for resultado das reformas, talvez a Europa esteja à porta de uma década de prosperidade e pleno emprego. Caso contrário, se os EUA entrarem em recessão, levam o Velho Continente consigo. Há que esperar e ver...

Página Anterior
Canal Temático
Topo da Página
Página Principal