Estudo do Cedefop revela

«E-learning» domina 20% da formação
em Portugal

Cerca de 60% dos fornecedores de formação portugueses oferecem serviços de «e-learning». Todavia, a taxa de utilização da aprendizagem electrónica nas acções formativas é somente de 20%. A formação via Web é utilizada em empresas com mais de 500 trabalhadores. Este é o primeiro retrato concreto da realidade do «e-learning» em Portugal traçado pelos dois inquéritos, «Aprendizagem electrónica e formação na Europa» e «Opinião dos utilizadores sobre a aprendizagem electrónica», realizados pelo Cedefop, o organismo europeu de formação.

Análise de Ruben Eiras

Artigo publicado no Expresso Emprego

O site do Cedefop

As variações entre os Estados-membros da UE neste mercado são significativas. Na Finlândia todas as entidades formadoras possuem serviços de formação via electrónica e na Suécia perto de 95%. No que respeita ao tempo de formação, cerca de metade é dedicado em e-learning na Suécia, 40% na Itália e na Grécia, 20% na Dinamarca, 15% na Áustria e Irlanda e abaixo dos 10% na Bélgica.

Segundo Eva Smirli, uma das investigadoras que participou nestes estudos, esta baixa taxa de utilização do «e-learning» em Portugal deve-se ao desenvolvimento incipiente das técnicas de formação via electrónica. Os elevados valores encontrados nos países nórdicos são resultado da existência de um sistema de formação contínua nas empresas. A excepção é a Dinamarca, onde a formação presencial continua a dominar o mercado.

Por sua vez, as receitas dos fornecedores de serviços de «e-learning» na Europa aumentaram cerca de 70% no ano passado. Além disso, em média europeia, a aprendizagem electrónica já é responsável por mais de 30% das actividades formativas dos organismos de formação públicos e privados, quando esta percentagem situava-se nos 18% no ano 2000.

Todavia, a desconfiança dos utilizadores nos meios electrónicos de formação caminha de mão dada com o crescimento do mercado. De acordo com aquelas pesquisas, cerca de 32% dos professores e formadores indicaram que as suas competências na preparação de especificações pedagógicas ou de ferramentas de aprendizagem electrónica eram «fracas» e apenas 17% afirmaram possuir um nível de competência «muito bom» ou «excelente» neste domínio. Além disso, mais de 60% dos inquiridos consideram que a capacidade para animar e estimular os formandos num espaço de trabalho virtual constitui um factor muito importante.

Quanto às receitas obtidas pelos fornecedores de serviços de «e-learning», estas registaram uma aumento de 100% ao ano em países como a Finlândia, França, Alemanha e Espanha, enquanto que as receitas nos outros países se situam num nível muito inferior.

Colin McCullough, um dos responsáveis do Cedefop pela realização dos inquéritos, afirma que é preciso «mais esforço» na divulgação de informações, na concertação e troca de opiniões e de experiências e que «os responsáveis políticos deverão reforçar o seu empenho nesta matéria».

Aquele especialista sublinha também que apesar do optimismo presente no mercado e do apoio mediático às vantagens do «e-learning», os resultados do inquérito mostram que os formadores possuem uma «falta de autoconfiança que supera o optimismo geral». Os estudos foram realizados através do sítio da Aldeia Europeia da Formação do Cedefop (www.trainingvillage.gr) e baseiam-se num conjunto de sete inquéritos realizados durante o ano de 2001.

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