Algumas dicas para uma carreira fora de portas

Na era dos empregos globais

por Ruben Eiras

Se possui, ou está prestes a possuir, uma licenciatura e é ambicioso, já alguma vez considerou a hipótese de optar por uma carreira de dimensão internacional, que lhe proporcione a oportunidade de conhecer o mundo, uma boa remuneração e múltiplas perspectivas para o seu desenvolvimento pessoal e profissional?

O novo ambiente económico europeu exige cada vez mais que existam profissionais com experiência internacional. Em breve, será um lugar-comum as multinacionais operarem à escala mundial para desenvolverem forças de trabalho internacionais. Todavia, o «fermento» da mudança tarda a chegar a Portugal. Contudo, o número de estudantes que optam por estudar e trabalhar no estrangeiro é cada vez maior.

Se acha que tem muito para oferecer ao mercado de trabalho, então porque é que não embarca também na «aventura» de uma carreira internacional?

Para que tal aconteça, primeiro é preciso saber que género de carreira escolher, quais os requisitos mais procurados pelas empresas globais e o provável impacto que este padrão de trabalho terá na sua vida.

«Por um lado, poderá trabalhar para uma organização global no seu país de origem ou no estrangeiro. A outra alternativa é trabalhar num país, mas com viagens frequentes para outros pontos do globo, por fim, existe a possibilidade de exercer a actividade profissional em vários países», esclarece Charlotte Dupoizat, consultora da EMDS, uma empresa especializada em recrutamento internacional., sediada na Bélgica.

Assim, logo que tenha escolhido o tipo de carreira a desenvolver, o próximo passo é a identificação dos requisitos procurados pelas empresas internacionais.

Apesar do valor intrínseco do currículo académico ser uma mais-valia considerável, as entidades empregadoras procuram competências de relacionamento interpessoal que consigam lidar com um ambiente multicultural e evidência de experiência internacional do candidato.

Em concreto, «as empresas necessitam de profissionais que não só sejam capazes de operar transnacionalmente, como também consigam colmatar as lacunas de competências em vários pontos do planeta em determinadas áreas-chave da organização», sublinha Charlotte Dupoizat.

Nesta Perspectiva, e de acordo um estudo da EMDS Consulting, as competências essenciais requeridas para um cargo deste género são a capacidade de análise e decisão, de iniciativa, flexibilidade e adaptabilidade, gosto pelo desenvolvimento pessoal, compreensão do negócio, capacidade de trabalho em equipa e boa comunicação. Além disso, também é necessário dominar pelo menos mais do que dois idiomas, ter visão estratégica, capacidade de organização e de liderança. Naturalmente, o candidato também terá que evidenciar uma «empatia multicultural» e que é capaz de lidar com a constante mobilidade.

De facto, a exigência de uma carreira internacional é muito maior do que uma de dimensão doméstica. Por isso, as empresas tendem a efectuar uma abordagem centrada na personalidade, habilidade e experiência do candidato e não na reputação da instituição universitária onde este obteve a sua formação.

Agora chegamos à fase da candidatura. Esta pode ser realizada segundo duas vias - a reactiva e o proactiva. A primeira implica responder aos anúncios de ofertas de trabalho publicados. Assim, terá que descobrir as melhores fontes de informação para o mercado de emprego do país e da actividade profissional que deseja «atacar». Pode ser que existam organizações que o possam ajudar nesta procura (ver caixa).

Neste âmbito, uma forte tendência é o recrutamento via Internet. A maior parte das empresas globais já utilizam este novo método para encontrar os seus novos profissionais.

Em relação à segunda via de candidatura, a proactiva, esta envolve pesquisar onde provavelmente as oportunidades de emprego existam e fazer uma abordagem especulativa. Este pode ser um método muito poderoso, dado que muitas das ofertas de trabalho nunca são publicadas em anúncio. Por exemplo, se ao ler um jornal detectar que uma multinacional se está a expandir para novos países, porque não lhes envia a sua carta de apresentação e o «curriculum vitae»?Ainda assim, uma das maneiras mais eficazes de conseguir um emprego continua a ser a «tradicional» rede de contactos. Finalmente, tenha em conta que no princípio de qualquer carreira - internacional ou nacional - terá que ser flexível e mobilizar todos os seus recursos disponíveis, de modo a utilizar todas as oportunidades para o desenvolvimento das suas competências, mesmo no posto de trabalho mais frustrante e desprovido de conteúdo. Mas não desanime. Se a sua ambição não for pequena, verá que o esforço valerá a pena.

Se estiver interessado em prosseguir uma carreira além-fronteiras, aqui estão alguns sites que o ajudarão a obter informação e esclarecimento sobre as oportunidades de emprego e de desenvolvimento de experiência internacional:
  • http://europa.eu.int/en/comm/dg22/leonardo/inclist.html
  • www.cordis.lu/
  • www.aiesec.org./index.html
  • www.emdsnet.com/applynow

  • A União Europeia também proporciona estágios. Só a Comissão Europeia disponibiliza 650 por ano e com uma duração de 5 meses. A candidatura é realizada por meio do preenchimento de um formulário específico. Os pedidos deverão ser feitos para o seguinte endereço: Bureau de Stages, Secretariat General, European Comission, Rue Beillard 68, 1040m Brussels
    Aqui vão algumas «dicas» para uma carreira «fora-de-portas»:
  • Procure por semelhanças, não diferenças
  • Seja flexível e aberto a mudanças e compromissos
  • Fale constantemente com os seus colegas
  • Compreenda o ambiente de negócio nos vários países
  • Compreenda as implicações do EURO na Integração Europeia
  • Esteja atento ao uso crescente dos mercados internacionais de capitais das empresas europeias
  • Fale diversas línguas
  • Mantenha-se actualizado dos avanços das tecnologias de informação

  • ...e boa sorte!
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