Business-to-Employee (B2E): um mercado
(ainda) oculto

Depois do B2C e do B2B, vem aí o B2E, isto é, o Business-to-Employee.
Rui Alves, correspondente RH da JanelanaWeb, fala dos primeiros passos
dos novos modelos de negócio online direccionados para a comunidade
dos recursos humanos das organizações, baseados no e-recruitment
e do e-learning. Não obstante o seu grande potencial, o deficiente acesso
aos meios de comunicação informática está a bloquear este salto
de desenvolvimento organizacional.

O mundo da Web está a mudar a face dos negócios. Nivelando o acesso à infra-estrutura de informação, a Internet e as Intranets fornecem poder aos colaboradores, influenciam a comunicação e a colaboração, aceleram a disseminação e o acesso à informação, com repercussão directa nos custos e imediato retorno do investimento.

Simultaneamente, aprender a criar soluções enriquecedoras e flexíveis permanece como um desafio central no desenvolvimento da rede global de comunicação. À medida que esta ganha uma visibilidade omnipresente no novo mundo dos negócios e transforma radicalmente os contornos da economia global, um maior número de organizações encontra um valor efectivo no desenvolvimento de negócios onde os recursos humanos das organizações intervenham directamente.
Actualmente, o que a Internet faz pelos indivíduos e pelas organizações - globalmente expandindo o tipo de informação e transacções online - a Intranet faz pelos colaboradores e empresas, fornecendo acesso directo na visualização e manipulação da informação.

Enquanto muitos analistas focalizam o seu interesse no Business-to-Business (B2B) e no Business-to-Consumer (B2C) - como os dois principais vectores do comércio online - as Intranets apresentam oportunidades e vantagens suficientes para ser, por si só, canais de negócios viáveis. Mas esta não é a realidade portuguesa, onde o próprio B2B dá ainda os primeiros passos, associado à conjugação de interesses económicos de grandes grupos empresariais, num processo de selecção natural das entidades que melhores serviços prestarem neste domínio. No que respeita ao Business-to-Employee (B2E), aparecem no nosso país - se bem que de forma embrionária - as primeiras representações do que poderá ser entendido como novos modelos de negócio online, directamente direccionados para uma grande comunidade: a dos recursos humanos das organizações nacionais. Falo, em concreto, dos negócios de e-recruitment e de - ainda mais escassos - e-learning. Mas tal não é de estranhar num país onde o acesso aos novos meios de comunicação informática, comparável aos restantes países da União Europeia, é ainda tão pouco significativo e deficientemente incrementado.

Defendamos, no entanto, um atitude pró-activa quanto ao futuro das TIC em Portugal, especialmente quanto à penetração das tecnologias e ferramentas da Nova Economia nas organizações que possuímos. Neste cenário, uma razão central para se iniciar um canal Business-to-Employee (B2E) reside na possibilidade de se fornecer valor aos colaboradores, valorizar talentos e competências e desenvolver recursos de conhecimento que representem factores de competitividade estratégica das nossas empresas.

As soluções de Employee Services

O impacto das tecnologias de informação ganha uma importância crescente na gestão de recursos humanos. Cada vez mais, esta função da gestão vê-se perante a necessidade de gerar maior valor às organizações, desenvolvendo novos serviços e reduzindo custos. Mas como pode esta necessária concentração em iniciativas que dêem suporte às actividades de uma gestão efectiva das pessoas - através das tecnologias de informação e comunicação que favoreçam o desenvolvimento de novas competências - pode ser garantida?

Uma resposta a isto pode ser fornecida pelas organizações que começam a equacionar a implementação de soluções de Employee Services - sistemas automatizados self-service para gestores e colaboradores, possibilitados pela utilização de ferramentas web friendly.

Uma abordagem self-service da gestão das pessoas permite a manutenção de informação de recursos humanos, por parte do próprio empregado, sem a intervenção tradicional de uma área administrativa. E as possibilidades de aplicação são muitas: visualização e manutenção de dados pessoais, visualização de dados de processamento de salários, desempenho, procedimentos. Objectivo: fazer com que estes colaboradores, gradualmente, comecem a utilizar a tecnologia necessária para os tornar actores na sua própria gestão, assumindo maior responsabilidade e intervenção ma gestão de recursos humanos, na sua própria gestão.

Menos papel e mais comunicação

Os benefícios que se podem retirar deste novo tipo de abordagem da gestão da informação, em recursos humanos, são simultaneamente quantitativos e qualitativos. Quantitativos - no que diz respeito a redução de custos - quando permitem a redução do tráfego de call centers e das áreas administrativas, a minimização dos custos em formulários e papel, impressões e distribuição da informação, oferecendo um melhor serviço aos colaboradores.
Ainda neste domínio, o benefício do acesso a uma solução informática do tipo cliente / servidor, sem a necessária instalação e gestão de software especializado, reveste-se de especial importância, se bem que a gestão e manutenção de uma página html deve ser reportada como um novo encargo. Por outro lado, identificam-se benefícios qualitativos - diversas vezes intangíveis - nomeadamente no que toca a redução do tempo anteriormente consumido em tarefas rotineiras e administrativas (frequentemente são até eliminadas); e distribuição e disseminação de informação interna, aos colaboradores, de forma útil e de agradável acesso, que verdadeiramente implica as pessoas na sua pesquisa. Informação mais precisa e obtenção de um feedback valorativo, por parte dos colaboradores - dada a facilidade de interacção - representam ainda benefícios qualitativos deste tipo de soluções. Estes benefícios representam também uma vantagem significativa para as áreas de gestão de recursos humanos das organizações que, transferindo a responsabilidade de gestão da informação para os próprios colaboradores, permite redireccionar os seus esforços para o suposto core destas unidades: fazer desenvolver as suas pessoas.

O que é preciso para desenvolver o B2E

Desenvolver uma solução Business-to-Employee implica criar uma Intranet viável e geradora de valor que seja mais que um web frontend suportado num ERP. As Intranets de sucesso - leia-se "as amplamente utilizadas pelos colaboradores" - suportam-se numa estratégia global e consistente de identificação das aplicações e das abordagens que melhor servirão, no longo prazo, uma organização. Que informação, transacções e dados serão distribuídos / acedidos através de uma solução self-service? Que aplicações deverão ser priorizadas? De que forma poderão, os colaboradores, aceder à informação? De que formação necessitam para que a utilização das ferramentas online seja bem sucedida?
Seguidamente, torna-se necessário proceder a uma avaliação da infra-estrutura técnica necessária, nomeadamente dos sistemas informáticos disponíveis, redes e aplicabilidade dos frontends. Que requisitos devem ser garantidos no sentido de se assegurar um acesso facilitado, por parte dos recursos humanos, às ferramentas disponibilizadas? A consistência e riqueza desta infra-estrutura condicionará, decerto, a segurança e nível de utilização das diversas funcionalidades através da Intranet.
Há ainda que equacionar os processos de negócio a transformar. Que processos devem ser transformados ou redefinidos por forma a serem disponibilizados e complementados pela Intranet, com a implicação e participação dos colaboradores de uma organização?
Por último, a cultura e os valores. Também estes devem ser alvo da atenção de uma organização que se preocupe com o impacto das novas ferramentas na sua população. Como podem as pessoas ser atraídas para a intervenção num novo modelo de negócio? Não raras vezes, a maior resistência às novas tecnologias - por exemplo, na construção e edificação de uma Intranet - surge por parte de áreas funcionais que necessitam rever o seu modo de intervir no negócio, o que pode implicar um esforço significativo. Mas decerto necessário ao desenvolvimento de uma nova cultura, adaptada a esta nova forma de negócio.

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