Segurança domina 52% das empresas americanas

Um ano depois do ataque terrorista que obliterou o World Trade Center, cerca de 52% das organizações nos EUA tomaram como prioridade principal a introdução de medidas de alta segurança no local de trabalho. Esta é uma das conclusões de uma sondagem efectuada pela Society for Human Research Development (SHRM) e eePulse, uma consultora especializada em produtividade, intitulada «Implicações do Ataque à América na Política de RH», que abrangeu cerca perto de 7500 profissionais de recursos humanos.

Análise de Ruben Eiras

Artigo publicado no Expresso Emprego

O sítio da SHRM

O inquérito da SHRM revela que os norte-americanos tornaram-se mais focalizados no aprofundar dos seus relacionamentos, possível indicador de uma mudança social profunda. Com efeito, cerca de 43% dos empregados tornaram-se mais atenciosos para com o seus colegas, a família e os amigos. «Em todo o país os inquiridos relataram que as relações entre as pessoas no trabalho mudaram desde o 11 de Setembro», refere Theresa Welbourne, presidente da eePulse.

Todavia, a segurança predomina como sendo a questão central no mundo laboral americano. Com efeito, cerca de 42% da força laboral desenvolveram expectativas sobre um maior índice de segurança no trabalho. Além disso, verificou-se uma quebra de 33% nas viagens de negócios e mais de 30% dos empregados hesitam em efectuar viagens de trabalho.

A pressão psicológica também registou aumentos entre a mão-de-obra americana. Perto de 29% dos empregados reportaram um crescimento do nível de stresse no local de trabalho e 23% dos trabalhadores tornaram-se mais cautelosos na manutenção do ambiente laboral. A nível do processo de recrutamento também se verificaram alterações, com um aumento de 26% na profundidade do escrutínio do currículo e dos antecedentes dos candidatos. Devido a este facto, a importância do departamento de RH aumentou 17% dentro das organizações.

Em comparação com a sondagem efectuada pela SHRM no ano passado logo a seguir ao 11 de Setembro, cerca de 32% dos inquiridos em 2001 esperavam que a formação em gestão de crises aumentasse, facto que apenas se constatou em 18% no presente ano. Por sua vez, 14% dos profissionais de RH previam um aumento da adopção do teletrabalho, quando neste ano somente 4% confirmaram esta tendência. E contra os 17% que anteviram a diminuição de privacidade dos empregados em resultado dos ataques, só 4% relataram a introdução de medidas com este objectivo.

Contudo, só 41% das empresas estão preparadas para voltar ao «normal do negócio» em 2002, contra 73% no ano passado. «Muitos profissionais de RH sobrestimaram a capacidade de recuperação das suas empresas, porque o impacto económico e o efeito emocional nos empregados dos ataques afectaram muito mais as organizações nos meses que se seguiram do que esperavam», explica Debra Cohen, directora de investigação da SHRM.

Quanto à política organizacional para a força de trabalho, uma esmagadora maioria de 59% das empresas encetaram uma política de «porta aberta» que permite aos empregados discutirem com a gestão todas as suas preocupações. Outras mudanças neste plano envolvem 54% de crescimento na permissão aos empregados do adiamento ou cancelamento de viagens de negócios, um aumento de 54% dos planos de segurança laboral, de 52% das colectas para ajuda solidária, de 42% de iniciativas para doações de sangue, de 34% para a constituição de uma «task force» para as questões de segurança, de 20% na formação sobre a diversidade racial e étnica e de 17% na organização de programas de voluntariados.

Para a comemoração do aniversário do 11 de Setembro, até ao passado dia oito 45% das organizações não tinham nada planeado. Dentro das iniciativas anunciadas, 32% irão observar um momento de silêncio, 24% colocarão a bandeira americana a meia haste e 15% das empresas irão oferecer fitas vermelhas, brancas e azuis ou pins para os empregados usarem.

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