Estudo europeu sobre a Sociedade da Informação em 28 regiões revela pontos fracos de Lisboa e Vale do Tejo (Portugal)
Empresas muito atrás de cidadãos na webização
Mais um artigo da série "Estratégias Urbanas de novo em foco"
Coordenadas do estudo (que não está disponível na web)
Resumo dos resultados obtidos pelo estudo realizado pelo BISER - Benchmarking the Information Society - eEurope Indicators for European Regions, relativamente a um relatório a ser divulgado em finais de 2003.
Coordenação da Empirica da Alemanha, com participação do Danish Technological Institute da Dinamarca, Local Futures do Reino Unido, Salzburg Research da Áustria, Departamento de Sociologia da Universidade de Roma, em Itália, e Work Research Center da Irlanda.
Das 211 regiões da classificação NUTS II foram escolhidas 28, entre as quais Lisboa e Vale do Tejo em Portugal e Catalunha e Castela e Leão em Espanha.
Jorge Nascimento Rodrigues, editor de janelanaweb.com, Novembro 2003
Quadro de "benchmarking" com as 28 regiões
RADIOGRAFIA DA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO EM LISBOA E VALE DO TEJOO principal ponto fraco da mais importante região portuguesa é o atraso relativo da "webização" do tecido empresarial em relação à "média" europeia. Um dos indicadores fundamentais hoje em dia para essa avaliação é o de acesso à Internet por banda larga (por exemplo via ADSL ou TV cabo) por parte das empresas. O estudo realizado pelo BISER - Benchmarking the Information Society - eEurope Indicators for European Regions revela que a Região de Lisboa e Vale do Tejo (RLVT) está entre as 10 mais atrasadas das 28 regiões escolhidas para amostra entre as 211 da classificação europeia das unidades territoriais conhecida por NUTS II. O estudo será divulgado no final do ano por esta entidade europeia que fornece indicadores estatísticos sobre o progresso das regiões europeias em termos de Sociedade de Informação e de Economia do Conhecimento. O projecto BISER foi financiado pelo programa comunitário Informação Sociedade Tecnologia (conhecido pela sigla IST).
"Webização" em atraso
Nas cinco posições cimeiras em termos de banda larga usada pelas empresas estão, por ordem decrescente, as regiões de Fyn (ilha da Dinamarca, onde fica a cidade de Odense), Catalunha, Liège (Bélgica., junto à fronteira com a Alemanha), Ilha de França (região metropolitana de Paris) e Castela e Leão. A RLVT tem 25% de penetração da banda larga nas empresas enquanto estas cinco têm taxas superiores a 50%. No entanto, em termos de acesso à banda larga no mercado residencial, a região portuguesa encontra-se entre as cinco primeiras, em quinto lugar, depois de Liège, Fyn, Friesland (norte da Holanda) e Ilha de França. O que significa que há um fosso muito nítido entre a "webização" doméstica portuguesa - das mais avançadas na Europa, ainda que com taxas de penetração de apenas 20% - e a empresarial. Em contraste com Portugal, a nossa vizinha Espanha apostou claramente na prioridade à "webização" empresarial.
A radiografia do tecido empresarial revela, ainda, que a "webização" de funções e processos de negócio está muito atrasada. Os níveis de utilização da Web para funções de vendas e compras pelas empresas são dos mais baixos em termos da amostra das 28 regiões. O próprio uso dos sítios e portais empresariais para anúncio de vagas de empregos é relativamente baixo
A radiografia do tecido empresarial revela, ainda, que a "webização" de funções e processos de negócio está muito atrasada (ver quadro). Os níveis de utilização da Web para funções de vendas e compras pelas empresas são dos mais baixos em termos da amostra das 28 regiões. O próprio uso dos sítios e portais empresariais para anúncio de vagas de empregos é relativamente baixo. O estudo revela que há nitidamente problemas de competências e de formação em tecnologias de informação e comunicação nas empresas portuguesas.
Corrida acelerada
Mesmo em indicadores onde a nossa posição é honrosa, a comparação com a "média" da amostra revela uma corrida muito acelerada na Europa. Apesar de 80% da população da RLVT usar telemóveis, a região apenas se situa 8% acima da "média" das 28 regiões analisadas. Mesmo com 53% de utilizadores de computadores com mais de 15 anos e com 42% de acesso à Internet em casa, a região está abaixo da "média" da amostra. Apesar de 67% usarem a Internet no posto de trabalho, a região está, também, muito abaixo da "média" da amostra. A nível empresarial, em 14 indicadores, apenas em dois a região portuguesa está acima da "média" - no uso de serviços de "eGov" (governo electrónico) e na utilização de EDI (electronic data interchange, na designação anglo-saxónica), troca directa entre empresas de informação electrónica, o antepassado das actuais "extranets".
Contudo, em alguns indicadores, a RLVT está muito acima da "média" da amostra - no acesso doméstico por banda larga via DSL ou cabo e nos utilizadores particulares e empresariais de "e-Gov", como já referimos, e na troca de correio electrónico a nível regional, o que revela fluxos de interacção e comunicação avançada na grande Lisboa
Contudo, em alguns indicadores, a RLVT está muito acima da "média" da amostra - no acesso doméstico por banda larga via DSL ou cabo e nos utilizadores particulares e empresariais de "e-Gov", como já referimos, e na troca de correio electrónico a nível regional, o que revela fluxos de interacção e comunicação avançada na grande Lisboa. Os mesmo sinais positivos em relação à "média" da amostra podem ser observados no grau de identidade dos cidadãos com a "webização" da sua região (o que revela uma crescente cultura tecnológica), no uso semanal da Internet e na própria utilização de sistemas de "e-learning" (ensino e aprendizagem via Web). São, também, encorajantes os indicadores relativos ao teletrabalho multi-local (em casa ou em mobilidade) e à tele-cooperação no trabalho (relações através de correio electrónico com clientes, fornecedores e colegas), indicadores que se situam ligeiramente acima da "média" da amostra.
| Quadro
de "benchmarking" com as 28 regiões RADIOGRAFIA DA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO EM LISBOA E VALE DO TEJO (comparações com a média da amostra) |
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Uso pela população
Acima da média (melhores posições portuguesas)
Abaixo da média (piores posições portuguesas)
Uso pelas empresas (% dos inquiridos)
Acima da média (melhores posições portuguesas)
Abaixo da média (piores posições portuguesas)
Fonte: Biser, 2003, Relatório a divulgar em final do ano; www.biser-eu.com |
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