A elite das boas práticas

A ideia da Price Waterhouse (PW) foi falar da gestão pela boca dos executivos máximos de empresas que manifestamente deram a volta com sucesso aos problemas nos últimos anos. Os temas escolhidos foram a globalização, a mudança radical, a liderança, a cultura, a inovação e a criatividade e, finalmente, as relações com os clientes. O projecto inicial lançado por Colin Price, da PW de Londres, e William Dauphinais, da PW de Nova Iorque, era agrupar num livro as «lições pela boca dos CEO».

Ao fim de quase dois anos é publicado Straight from the CEO - The World's Top Business Leaders Reveal Ideas That Every Manager Can Use, na Simon & Schuster, que apresenta uma galeria invejável de 31 casos, repescados sobretudo na Europa, com alguns oriundos dos Estados Unidos, do Japão e de outros países da Ásia. Com o apoio de «partners» da PW nos diversos países, a selecção foi aturada.

Em Portugal, coube a Carlos Mota a decisão de encontrar a «representação portuguesa». «A Vulcano prefigurava um caso singular e convidámos Pais de Sousa para o efeito; foi com grande satisfação que recebemos a sua plena adesão», refere aquele «partner» da PW.

No caso concreto, a equipa dirigente da empresa portuguesa líder do mercado europeu de esquentadores «roubou» há uns anos aos japoneses a filosofia e a prática do «kaizen», a expressão nipónica para a melhoria contínua dos processos produtivos.

«Foram duas sessões intensas de trabalho, que me levaram a uma melhor compreensão do que ocorrera nestes anos na Vulcano, que nós na PW havíamos acompanhado, e do valor da experiência prática dos executivos que no dia-a-dia fazem as coisas acontecer, que me levam a crer que são uma fonte de conhecimentos que ultrapassa tudo quanto se possa aprender com as teorias e as modas de gestão», conclui Carlos Mota.

Dentro dessa convicção, vemos passar pela galeria de casos alguns «gigantes» da classe dos executivos com mais prestígio mundial, como Percy Barnevik, da ABB, que deixou uma impressão muito forte nos editores. Dele copiaram a citação de que «ainda estamos prisioneiros do taylorismo» e o conselho de que os trabalhadores não deveriam «continuar a ser olhados como mercadorias, como uma máquina especializada em certas funções - o que leva a que provavelmente apenas dez por cento da sua capacidade intelectual seja usada».

A par da ABB e do seu modelo de «federação de culturas nacionais», a Europa está esmagadoramente representada - o grupo Carlsberg, a Royal Dutch/Shell, a Siemens, a Alcatel e a British Airways, a título de exemplo. No nosso vizinho ibérico, foi escolhida a Iberdrola. Dos EUA veio o caso muito badalado da Compaq, e ainda a Monsanto e o Chase Manhattan Bank, entre outros.

Para os interessados, uma apresentação mais desenvolvida da obra será publicada numa próxima edição da revista «Executive Digest» com entrevistas aos co-autores e entrevistas em exclusivo com CEO.