Movimento cria Sociedade
para a Aprendizagem Organizacional

O movimento da "aprendizagem organizacional" (inspirado no conceito da "learning organization" popularizado por Peter Senge) acaba de criar uma sociedade, pensada como uma estrutura em rede de parceiros institucionais, empresariais e individuais, com o nome de The Society for Organizational Learning, Inc (SOL). Apesar de ser uma "organização não governamental sem fins lucrativos", é mais do que o que estamos habituados a conhecer nesse terreno. A SOL funde em si características típicas dessas organizações que proliferaram nos anos 80, com o espírito das sociedades científicas e com a dinâmica e funcionamento das redes de parceiros empresariais. Não pretende ser (mais) um dinossauro organizacional, mas uma estrutura leve apoiada numa rede global de redes.

Por outro lado, se até aqui estavamos habituados a ouvir falar de uma relação comunidade científica-comunidade empresarial, a SOL pretende envolver numa rede de "colegas" (de parceiros e pares) as três comunidades que têm trabalhado na área da aprendizagem organizacional, ou seja, não só aquelas duas, como também uma mais difusa que pode ser agrupada no chapéu de "consultores", e que tanto inclui os propriamente ditos, como cidadãos envolvidos neste tipo de movimento.

A SOL Inc. nasce nos Estados Unidos, mas pretende vir a ser um "network" mundial de estruturas do mesmo género a nível local, nacional e multinacional, que, no prazo de um a dois anos, se possam federal e interconectar em torno de uma SOL Internacional. Os fundadores reclamam mesmo a ideia de a desenharem como uma organização em fractal, um conceito criado pelo matemático francês Benoit Mandelbrot, que os informáticos e, mais tarde, os teóricos do management começaram a usar para representar formas aparentemente caóticas, mas realmente organizadas, só que com um infinito número de detalhes de pormenor, à semelhança das núvens por exemplo (pense-se na diversidade, flexibilidade e elasticidade de um tipo de organização assim).

Criada a partir do Center for Organizational Learning, fundado por Peter Senge em 1991 na Sloan School of Management, uma das escolas do Massachusetts Institute of Technology (MIT), a SOL conta já com vinte empresas e mais de uma centena de investigadores e consultores como membros da primeira hora. O próprio MIT é a primeira instituição de investigação e ensino fundadora, e multinacionais conhecidas, como a AT&T, a Chrysler, a EDS, a Federal Express, a Ford, a Harley Davidson, a Hewlettt Packard, a IBM, a Intel, a Merck, a Morgan Stanley, a Shell, a Texas Instruments e a Xerox, puseram o seu nome no acto de lançamento da SOL. Aliás, a maioria destas grandes empresas já eram parceiras do Centro liderado por Senge desde o princípio dos anos 90, e com o seu apoio desenvolveram diversas "experiências" piloto de aprendizagem no campo organizacional. Alguns dos resultados deste trabalho anterior podem ser consultados em The MIT Organizational Learning Network (em http://learning.mit.edu, na área de "Idea Exchange").

A compreensão da necessidade de dar um salto no tipo de relacionamento até então havido, levou um grupo daquele Centro do MIT em conjunto com algumas daquelas empresas a iniciarem um processo de reflexão estratégica em meados de 1995. "Chegámos à conclusão de que as metas e as actividades de uma comunidade de aprendizagem tão ampla e tão diversa como a nossa não cabiam no tipo de relacionamento que tinhamos e que também não se ajustavam ao género de organizações que conhecíamos", afirmam os proponentes da SOL. O que explica o porquê do convite feito a Dee Hock, um personagem menos badalado internacionalmente, mas que foi o fundador e líder da Visa International, uma empresa, de raíz europeia, que todos conhecemos (por causa dos cartões de crédito) e que cada vez mais é apontada como "modelo" de organização do século XXI, por gurus dos dois lados do Atlântico.

O segredo da VISA, dizem teóricos como Peter Senge, nos Estados Unidos, ou Charles Handy, na Europa, é estar desenhada e funcionar como uma estrutura empresarial de supervisão e direcção de uma rede de associados (são mais de 20 mil instituições financeiras filiadas) que operam em torno de um conjunto de princípios básicos e operativos. O seu princípio fundador é uma "economia de conexões".

NOTA: A SOL conta com quatro categorias iniciais de membros com direito de voto: empresariais (quota para 1997 de 80 mil dólares), instituições de investigação (quota ainda por estabelecer), investigadores e consultores a título individual (quota de 200 dólares para 1997). Até final do ano, será criada uma quinta categoria, sem direito a voto, denominada "membro correspondente". A informação sobre a SOL ainda não está disponível no «site» do Center for Organizational Learning (em http://learning.mit.edu), mas poderá ser obtida por fax pelo telefone 001-617-252-1998 ou por email junto de Nadine Chase (nchase@mit.edu).