Aprender ao vivo com quem faz história

Jorge Nascimento Rodrigues com George Roth
na Sloan School of Management em Cambridge


Não estamos a falar de história política ou social. Mas da história das organizações, que sofrem de um paradoxo: a acção é colectiva, mas a aprendizagem lá dentro é individual. Daí resulta uma enorme frustação e um grande bloqueio - as organizações desenvolvem a sua experiência, de fracassos e sucessos, mas não conseguem transformá-la em "memória institucional", não conseguem actuar como um "intelectual colectivo".

As lições são propriedade de algumas cabeças iluminadas dentro da organização que muitas vezes as levam consigo quando saem, ou então estão confinadas a esta ou aquela divisão da empresa, ou, no limite, têm alguma notoriedade pública muito restrita através da eleição como «caso de estudo» por algum académico, que lhe imprime o seu cunho pessoal.

A forma de dar a volta ao problema está a ser tentada por um grupo de investigação ligado ao Center for Organizational Learning (http://learning.mit.edu) dirigido por Peter Senge, na Sloan School of Management. Baptizaram-na de "aprendizagem com a história".

É mais uma das ferramentas de gestão incluídas no projecto "Inventar a Organização do Século XXI". Os dois investigadores mais envolvidos são George Roth, um alemão radicado na América desde miúdo, e Art Kleiner, o jornalista e escritor de temas de gestão, responsável pela Reflection Learning Associates e que participou na equipa de Senge que escreveu The Fifth Discipline Fieldbook (1994, Compra do Livro). Eles divulgaram recentemente na revista Harvard Business Review (edição de Setembro/Outubro 97, artigo «How to make experience your company's best teacher») uma súmula da metodologia que vêm desenvolvendo desde 1994 e que já conta com 15 projectos concluídos em empresas (http://ccs.mit.edu/lh).

Foto de George Roth O ponto de partida é simples: "A melhor forma de aprender é ao vivo com quem faz a história da empresa. Adoptámos uma método narrativo dos acontecimentos escrito a meias entre alguns dos protagonistas dentro da empresa e alguns externos - como foi o meu caso e de Art em projectos que desenvolvemos para o sector automóvel nestes últimos anos", explica-nos George Roth, no seu gabinete de trabalho no Centro dirigido por Senge.

Questionado se isso no fundo não era outra variante do tradicional «estudo de caso» académico, Roth replicou energicamente: "De modo algum. Os estudos de caso são escritos na óptica dos seus autores. Neste caso não! As histórias são contadas em discurso directo pelos próprios envolvidos e a narrativa permite que se percebam as lutas, as dúvidas, as incompreensões e os diversos pontos de vista no terreno. O olhar externo serve apenas para colocar as coisas no contexto. O nosso método destina-se a retratar a história da forma como os participantes a vivem. Os leitores - de dentro da organização - são convidados a tirar as suas próprias conclusões".

Com este método, pretende-se criar um "saber accionável", sublinha. E para quem julgue que se trata de mera retórica, Roth adianta com um balanço muito positivo dos projectos realizados, nomeadamente no sector automóvel norte-americano. Mantendo segredo dos clientes e dos estudos concretos realizados, Art Kleiner adiantou-nos que este ano têm estado a desenvolver um curso para a Ford com a Universidade do Michigão. George Roth, por seu lado, espera estender a aplicação do método a grandes clientes na Alemanha.

A metodologia está a ser sistematizada para ser passada a livro, como sequela do anterior The Fifth Discipline Fieldbook. À equipa anterior - Peter Senge, Charlotte Roberts, Rick Ross, Bryan Smith, Art Kleiner . juntar-se-á Roth. The Fifth Discipline Challenge é o título previsto, para sair em 1999 pela Doubleday (os seus temas podem ser consultados em www.fiedlbook.com).

Contacto de George L. Roth: groth@mit.edu