Revelações 2004

Casos de Empreendedorismo Português seleccionados

Por Jorge Nascimento Rodrigues e Ruben Eiras, Janelanaweb.com, Janeiro de 2004
Versão reduzida publicada no semanário português Expresso


História 1 - Investigador do "Improviso" premiado no Brasil

Miguel Pina e Cunha: o melhor com o paper «All that Jazz»

Miguel Pina e Cunha, de 38 anos, professor da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, especialista português em "improviso organizacional" - uma corrente emergente na doutrina do management - foi galardoado com o prémio de autor do melhor artigo de gestão publicado em português na Revista de Administração de Empresas, a principal revista latino-americana da área, editada pela Fundação Getulio Vargas de São Paulo.

O artigo científico juntava no título o jazz com a improvisão na gestão, dois ingredientes, provavelmente estranhos para o leitor. Com o título "All that Jazz: Três aplicações do conceito de improvisação organizacional", o especialista português desenvolvia a ideia das relações do improviso com a criação de estruturas mínimas de organização, com a inovação em ambiente de turbulência e com a gestão da mudança. A metáfora do jazz - que vive da improvisação dos músicos num quadro de estruturação mínima de regras e de comportamentos - é hoje usada por uma corrente nova de teóricos da gestão nos Estados Unidos e na Europa para explicar uma forma de gerir que une a capacidade de reacção flexível em situações complexas e inesperadas com uma estrutura mínima presente.

A potencialidade portuguesa

Miguel Pina e Cunha é um dos integrantes dessa corrente, tendo já participado em diversas obras colectivas sobre o tema, publicadas em inglês. Licenciado em Psicologia tirou um mestrado em comportamento organizacional e acabou por doutorar-se em 1998 em gestão. Um percurso similar a muitos outros psicólogos que acabaram por cruzar a sua formação de origem com o management.

O especialista português é um dos defensores da capacidade de improvisação como uma das vantagens competitivas, quando ela segue os passos do jazz - ou seja, quando une improviso e estrutura organizacional mínima. No quadro do ambiente turbulento do mundo de hoje, Miguel Pina e Cunha defende que os gestores portugueses têm uma vantagem potencial, pois estão habituados a gerir «à beira de um ataque de nervos», como gosta de frisar (o que, aliás, já originou um título de artigo). O passo que é necessário dar é passar do "desenrascanço" no fio da navalha para uma capacidade de improviso com a absorção de regras de organização mínimas e de reflexão estratégica mais assumida. O mote é: «manter a incrível capacidade de improvisação, mas suportá-la em estruturas mais adequadas», referiu-nos Miguel Pina e Cunha. «A capacidade de improvisação é importante se existir um complemento de planos e de objectivos, e não em sua substituição», adverte o investigador. Passo que o professor julga ver na nova geração de empreendedores e gestores portugueses, uma camada mais cosmopolita capaz de misturar as características bem portuguesas, e ancestrais, do improviso com as boas práticas mais flexíveis do management de origem anglo-saxónico, hoje dominante na literatura popular e académica de gestão.

O investigador português está a co-organizar um debate sobre as características da gestão no Sul da Europa no quadro do 20º colóquio do European Group for Organizational Studies (EGOS), que se realizará de 1 a 3 de Julho de 2004 na Universidade de Liubliana, na Eslovénia.

Referências na Web
Artigo premiado (Revista de Administração de Empresas, volume 42, nº3, 2002)
Sítio da Revista de Administração de Empresas
Sítio do EGOS
E-mail do professor Miguel Pina e Cunha

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