Revelações 2003

Casos de Empreendedorismo Português seleccionados

Por Jorge Nascimento Rodrigues, editor de janelanaweb.com
e gurusonline.tv, Janeiro de 2004

Versão reduzida publicada no semanário português Expresso


História 5 - MIT escolhe «start-up» portuguesa para case study de empreendedorismo

Grupo Chiron no «Lab Global» do Curso do Centro de Entrepreneurship da Sloan Management School

Sítios de referência no artigo:
Centro de Empreendedorismo do MIT
Laboratório Global de Empreendedorismo
Sítio na Web do grupo Chiron

As jovens empresas portuguesas de tecnologia estão a entrar nos ouvidos da alta roda dos círculos norte-americanos do management. Um pequeno grupo ligado ao desenvolvimento de sistemas de informação e à prestação de serviços de aplicações às empresas (que na gíria se designa por "ASP") foi, agora, escolhido como "caso de estudo" de empreendedorismo pelo prestigiado Massachusetts Institute of Technology (MIT), em Cambrigde/Boston. O grupo Chiron que fechou 2003 com 3,5 milhões de euros de facturação e que conta com a Logoplaste como investidor institucional (detendo 25%) foi seleccionado como uma das "start-ups" fora do Estados Unidos que durante três semanas em Janeiro vai ser estudado ao pormenor por quatro "fellows" da Sloan Management School do MIT. Ligada a esta escola de negócios funciona um Centro de Empreendedorismo que desenvolve anualmente "Laboratórios Globais" de análise de jovens empresas que sejam "globais" na sua estratégia desde tenra idade. Em edição anterior, foi escolhida por exemplo uma jovem empresa brasileira, a S&V Consultoria e Tecnologia do Brasil, de São Paulo, considerada uma das estrelas da nova vaga do empreendedorismo brasileiro em 2003 pela revista Você S/A.

Depois da escolha pela revista "Fortune" de outra jovem empresa tecnológica portuguesa - a Out Systems (LINKAR para a História 4) - como uma das revelações internacionais de 2003, a escolha realizada pelo curso do MIT vem chamar a atenção para uma geração de empreendedores portugueses dos últimos cinco a sete anos que se posicionaram nos novos negócios ligados à revolução tecnológica mais recente.

A primeira Chiron nasceu em 1996 porque a NASA mudou a vida no Monte de Caparica a um professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e a outros investigadores que com ele embarcaram no desenvolvimento de um sistema de informação ambiental para o Centro Espacial John F. Kennedy, na Flórida. Com este projecto a três anos, o "bichinho" empreendedor "atacou" João Ribeiro da Costa, o líder do grupo, Henrique Bentes de Jesus e Rodrigo Oliveira, que criaram uma empresa cujo primeiro cliente "estava lá fora" e num sector muito exigente. Em 1999 lançavam o primeiro "filho" do grupo, a Chiron 2, e em 2000 arriscaram lançar o primeiro "ASP" em Portugal, a e-Chiron, que, entretanto, evoluiu do conceito original para o de fornecedor de serviços integrados em regime partilhado (o que hoje se chama na gíria "IT utility", por semelhança com o fornecimento de serviços na área da energia). Fruto de uma reestruturação, o grupo está hoje focalizado apenas em duas empresas e está sediado em Miraflores, na área urbana de Lisboa. Pretende «colocar de pé este ano uma estratégia coerente de internacionalização», sublinha João Ribeiro da Costa, que vê o "exame" do MIT como um exercício de reflexão estratégica muito oportuno.

O grupo sempre adoptou, desde a fundação da Chiron, uma metodologia de reflexão e planeamento estratégico muito rigorosa envolvendo todos os seus quadros - algo que é, em regra, desconhecido nas PME. «Em termos de grupo, a estratégia é definida anualmente, no final de cada ano, procurando olhar para a frente a três anos, e em pormenor para o ano seguinte», conclui Ribeiro da Costa.

João Ribeiro da Costa
  • Nascido: 1957.
  • Licenciado em: Engenharia Civil, IST.
  • Doutoramento em: Análise sistemas, Universidade Lancaster, Reino Unido.

  • Países em que viveu na sua carreira académica de mestrado ou doutoramento:
    Só vivi períodos curtos (muitos) de 1 a 3 semanas, nos EUA e Reino Unido. Dei aulas regulares na Universidade de Londres e Universidade de Parma (Itália).
    Primeiro cliente:
    NASA.
    Data da primeira visita ao primeiro cliente:
    Maio 1995.
    O que mais o impressionou nessa primeira visita:
    A disponibilidade para ouvirem um estrangeiro, a empatia criada, abertura para reconhecerem o que podiam aprender connosco, decisão imediata de tentar atrair alguém que os podia ajudar a avançar mais rápido (para além do ambiente "espacial" de todo o Kennedy Space Center).
    Qual foi o "click" que o levou a tomar a decisão de ser empresário:
    Foi mais a conjugação de três "clicks": o projecto da NASA, a necessidade (salário de professor não chegava para manter a família) e na minha Universidade (UNL/FCT) passou a ser bem visto criar empresas.
    Empresa portuguesa que mais admira:
    Logoplaste.
    Empresa que internacionalmente mais admira:
    IBM.
    País em que gostaria de viver depois de Portugal:
    Estados Unidos.
    Horas em computador:
    40 a 80 por semana.
    Número de "e-mails" recebidos por dia:
    50 a 100.
    Uso de "messenger":
    Sim.
    Uso de vídeo-conferencia:
    Raramente.
    Gadgets diários com que anda nos bolsos:
    Telemóvel e Palm T3.
    Viagens ao estrangeiro em média por ano:
    6 a 12.
    Quantas revistas científicas ou técnicas lê por mês:
    5 a 10.
    Se tivesse que "vender" o seu grupo num pequeno slogan, que diria:
    Quando está doente vai ao barbeiro (como na idade média) ou tem um médico dedicado em casa? Os seus problemas de IT são demasiado importantes para não recorrer a Profissionais, utilize serviços de IT apropriados e foque-se no seu negócio.
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