Radar Trends em Gestão & Tecnologia

Report Nº 6, Inverno 2007/2008

Edição www.janelanaweb.com e www.gurusonline.tv

Textos de Jorge Nascimento Rodrigues, editor


Sumário:
1. O embrião da clonagem humana - ma entrevista com o cientista Samuel Wood, da Stemagen. A primeira demonstração de um processo que poderá criar células estaminais embrionárias humanas;
2. Balanço científico do ano de 2007 - ano da Genómica pessoal segundo a revista Science;
3. A nossa escolha da tendência de Management de 2007 - um tesourinho escondido. O Mapeamento das redes pessoais;
4. Open Source - a tendência de gestão nas tecnologias de informação 2007;
5. A nossa escolha no Urban Development - as melhores docas do Mundo - Aker Brygge, Oslo.

Outros Reports de trends

1. O embrião da Clonagem Humana

Empresa biotecnológica da Califórnia demonstrou publicamente um processo que poderá criar em laboratório células estaminais embrionárias humanas. O objectivo é o desenvolvimento de uma nova indústria terapêutica. O sector vive um período de optimismo tecnológico.

Uma conversa com o cientista no meio desta "premiére" mundial: Samuel Wood, CEO da Stemagen

O anúncio pela Stemagen

Artigo em destaque
Revista Stem Cells, Fevereiro 2008
«Development of Human Cloned Blastocysts Following Somatic Cell Nuclear Transfer with Adult Fibroblasts»

A primeira "clonagem" de uma célula humana adulta terá sido concluída com êxito por uma empresa de biotecnologia de La Jolla, na região de San Diego, na Califórnia, que publicou os resultados e as próprias etapas do processo na edição de Fevereiro da revista científica Stem Cells, agora disponível. Depois de várias tentativas por outros cientistas desde 2001, que geraram polémica na comunidade académica e falta de confirmação independente, a "clonagem" realizada pela Stemagen, e orientada por Samuel Wood, CEO da empresa, e Andrew French, responsável científico, surge documentada com detalhe, com cobertura de um painel de revisores e com verificação da veracidade da "clonagem" por um laboratório independente, o Genesis Genetics.

O processo partiu da doação de uma célula pelo próprio Wood envolvendo, depois, 25 ovócitos maduros "excedentários" doados por mulheres em tratamento de infertilidade no Reproductive Sciences Center, em La Jolla. A partir daí, com as técnicas da Stemagen, foi possível "clonar" em cultura cinco blastócitos, concluindo-se, assim, a etapa inicial de um projecto de futura criação em laboratório de células estaminais embrionárias humanas capazes de se auto-reproduzir.

Os blastócitos ficam a meio caminho do embrião. Por isso, alguns críticos logo replicaram que ficar a meio caminho não é a descoberta revolucionária que se exige. Saberia a pouco - e, sendo assim, para quê tanto alarido. No entanto como a empresa não é cotada em bolsa alguma (ao contrário de outras que fizeram grandes anúncios no passado), as habituais suspeitas de truque financeiro não se levantaram.

"Até à publicação desta nossa investigação não se sabia se era possível realizar com êxito esta primeira fase", refere-nos Samuel Wood, retorquindo aos críticos "apressados". Recorde-se que tentativas anteriores por outras equipas de cientistas não haviam garantido uma produtividade adequada para esta geração de blastócitos ou foram dadas como fraudes (como o caso do cientista Hwang Woo Suk, em 2005, na Coreia do Sul). A Stemagen fala de uma produtividade de 20% nesta primeira experiência e garante que, já depois do anúncio, melhorou inclusive a eficiência, resultados que irá publicar, em breve.

Transparência aquece corrida

Com a técnica documentada, a Stemagen espera, agora, passar à segunda fase. Ou seja, ao milagre mediático esperado: com a massa celular interna dos blastócitos clonados poder-se-á criar as famosas linhas de células estaminais e, de novo, documentar este processo com uma supervisão transparente de um painel científico. No entanto, Wood admite-nos que a corrida pode ganhar mais velocidade a partir de agora: "Como documentámos cuidadosamente a nossa investigação, indo até à descrição de como fazer os procedimentos que realizámos, é admissível que cientistas talentosos, em todos os cantos do mundo, possam pegar nessa informação que disponibilizámos e replicar os nossos resultados".

Este anúncio vem na sequência de um conjunto de investigações científicas em torno da biotecnologia com aplicações humanas que disparou desde o conhecido projecto de sequenciação do genoma humano em 2001. Rapidamente, um sector emergente de investigação liderado por empresas privadas se posicionou no terreno e vive um período de optimismo tecnológico.

A década em curso parece assistir a uma aglomeração gradual de descobertas que podem vir a prefigurar uma revolução tecnológica tão importante - e tão radical - como a desencadeada pela demonstração do efeito do transístor em 1947, que abriria as portas para a computação e mais tarde para a internet e a Web.

FAST INTERVIEW
2 PERGUNTAS A SAMUEL WOOD
CEO Stemagen
P: Devido à enorme 'espuma' mediática em torno da clonagem humana desde 2001, que arrastou capas especulativas nas revistas Time e Wired, a comunidade científica está sempre muito desconfiada. Como se protegem dessa tentação?
R: Precisamente por causa disso, temos sido extremamente cautelosos. Só publicamos os nossos resultados depois de uma revisão e verificação completa por terceiros. Por isso, também, em virtude do cepticismo que à partida esperávamos, resolvemos que os nossos processos e documentação fossem transparentes. Creio que apresentámos um volume irrefutável de dados que qualquer um pode verificar.
P: Com o temor sobre a clonagem humana reprodutiva - ou seja, a surpresa de um dia destes alguém apresentar em conferência de imprensa uma "Dolly" humana -, como vêem o futuro desta indústria emergente?
R: Nós estamos na área da clonagem humana terapêutica a partir de células estaminais embrionárias, o que encerra grandes esperanças no tratamento para milhões de vítimas de doenças degenerativas - como Parkinson ou Alzheimer - e de problemas de nascença.

2. Balanço do Ano de 2007: O ano da genómica pessoal

Nasceu a genómica ao gosto de cada um. A revista Science considerou a investigação sobre a diversidade genética humana como o acontecimento científico de 2007. Uma área que abre as portas a um novo segmento de negócio ligado à medicina personalizada e à genómica "recreativa".

Artigo em destaque
BREAKTHROUGH OF THE YEAR
«It's All About Me»

Mais de meio século depois da revelação da célebre estrutura em hélice dupla do ADN (ácido desoxirribonucleico, onde está contida toda a nossa informação genética) numa carta submetida à revista Nature (em Abril de 1953) e quatro anos volvidos sobre o mapeamento da quase totalidade do genoma humano (em Abril de 2003), a revista Science resolveu eleger como acontecimento de 2007, o nascimento de uma "nova indústria" - a genómica pessoal.

A base deste novo sector da biotecnologia assenta num conjunto de investigações científicas em torno da diversidade genética humana, das suas variações de pessoa para pessoa. A pesquisa científica focalizou-se, agora, na identificação do que faz a diferença entre cada um de nós. "A sequência do 'eu' tornou-se uma possibilidade real", sublinhou a revista científica.

A viragem tem repercussões importantes na indústria do sector. "Há menos de um ano, as grandes notícias [na genómica] centravam-se nas variações entre os humanos e os 'primos' primatas. Agora, passámos de querer saber o que no nosso ADN nos diferencia como humanos para procurar descobrir o que no meu ADN me diferencia pessoalmente", explica a Science. O segredo está no 0,1% do ADN que me torna diferente do leitor. Este "residual" contém as variações genéticas que nos diferenciam uns dos outros, incluindo os riscos de doenças específicas ou a resposta pessoal aos medicamentos no caso das terapêuticas. Em suma, na sequência do ADN ocorrem variações mínimas que conferem a cada um de nós uma pequena diferença (absolutamente única) no perfil genético.

Genómica recreativa

Esta porta está a abrir não só o campo da medicina personalizada, como o negócio da sequenciação pessoal. Inclusive criou espaço para o que alguns já chamam de "genómica recreativa", baseada na curiosidade de cada um pela sua individualidade (o que lhe pode trazer surpresas desagradáveis) ou pelo contacto com comunidades que partilhem de perfis semelhantes, o que faz levantar os cabelos a muitos bioéticos. É o caso da 23andMe.com, financiada pelo Google, que foi seleccionada como "pioneiro tecnológico" de 2008 pelo World Economic Forum, que reuniu em Davos em Janeiro.

Esta tendência é atribuída ao desenvolvimento do projecto HapMap lançado em 2002 que se destinou a mapear um palavrão científico que dá pelo nome de variações polimórficas únicas nos nucleótidos (estes são elementos básicos do ADN) - em inglês dá pelo acrónimo SNP - a partir de uma amostra de 270 pessoas bem diferentes, oriundas de Ibadan (da etnia ioruba), da Nigéria, de Tóquio, no Japão, de Beijing (da etnia Han, que representa 92% da população), na China, e de norte-americanos descendentes de europeus. O projecto entrou numa nova fase, envolvendo um consórcio de 72 entidades científicas e algumas empresas dos Estados Unidos, Reino Unido, China, Hong Kong, Canadá, Japão, Tailândia e Nigéria, que visou mapear mais de 3,1 milhões de SNP durante 2007. Este trabalho permitiu a publicação de mais de uma dúzia de estudos este ano.

3. Tendência 2007 de Gestão: Um tesourinho desaproveitado

A sua rede de contactos pessoais tem valor de mercado e é um instrumento decisivo para a gestão do conhecimento dentro da empresa. A nossa escolha de Management no balanço de 2007.

O mapeamento da rede social pessoal no mundo digital tem valor de mercado. As empresas estão a descobri-lo.

O mapeamento da rede social pessoal no mundo digital tem valor de mercado. As empresas estão a descobri-lo.

O disparo do uso das ferramentas da Web 2.0, ligadas ao denominado software social, criou um novo tipo de rede profissional e técnica e mesmo de interesses pessoais extra-emprego, incluindo comunidades de hobís e mesmo de consumidores e fãs, ou pacientes de determinadas doenças.

Depois de um período de euforia no uso pessoal, o mundo dos negócios começou a olhar estas redes como um tesouro organizacional por aproveitar. Uma das multinacionais que primeiro se embrenhou na rentabilização deste novo espaço digital foi a IBM. No decurso do ano passado lançou uma oferta de software social ligada à plataforma Lotus Connections (que já vai na versão 1.02) que é amplamente usada pelos empregados, e no final do ano avançou com uma ferramenta, baptizada de 'Atlas'.

No dizer de Christopher Lamb, gestor mundial de software social da IBM, o 'Atlas' trata-se da melhor aplicação para visualizar a riqueza dessas redes, quer pelo próprio utilizador individual como pelos gestores (ver entrevista). As suas funcionalidades permitem mapear o potencial de uma rede pessoal com base na forma "natural" como emergiu. E não com base nas tradicionais classificações ou taxionomias ligadas ou à posição de cada um na estrutura formal da organização, ou às descrições contratuais e legais do trabalho que se desempenha ou eventualmente em relação a alguns eventos isolados (projectos, conferencias, artigos científicos).

Uma revolução no conhecimento

Esta nova forma de visualizar e analisar as redes pessoais está a ter um impacto enorme numa das áreas da gestão mais críticas da actualidade, a gestão do conhecimento (o famoso "knowledge management", na designação inglesa, ou simplesmente KM).

Um dos investigadores da IBM, Luis Suarez, conhecido como guru da gestão do conhecimento, e que anima o The Knowledge Management Blog a partir de El Tablero de Maspalomas (Las Palmas, Canárias), já referiu que estamos a assistir a "uma mudança de paradigma" nesta área. As redes sociais e as ferramentas para a sua gestão permitem resolver problemas práticos que as aplicações de gestão do conhecimento mais antigas encontravam como barreiras a uma melhor eficácia.

Como as redes sociais se baseiam num processo emergente, espontâneo, o conhecimento tácito (que as ferramentas da gestão do conhecimento tinham dificuldade em captar) de cada utilizador encontra canais "naturais" para se expressar e codificar. A informação que corre nas veias das redes sociais estrutura-se dinamicamente, em função da taxionomia que o próprio protagonista, utilizador, define. A gestão do conhecimento parece ter encontrado a sua caverna do tesouro.

FAST INTERVIEW
3 PERGUNTAS A CHRIS LAMB
Gestor sénior do software social na IBM, Research Triangle Park, Carolina do Norte
P: Por que razão decidiu a IBM lançar o Atlas?
R: Como os empregados da IBM usam software social, as suas redes profissionais cresceram extraordinariamente e era necessária uma forma fácil de visualizar a rede e as suas relações. Essa ferramenta ajuda individualmente cada um a ter essa visão, bem como permite aos gestores, a nível organizacional, obter uma ideia das competências existentes.
P: Qual é o aspecto diferenciador?
R: A tecnologia de visualização marca a diferença em relação a tudo o resto que existe no mercado de software social. A ferramenta permite vários ângulos de observação e análise das redes sociais existentes na organização e inclusive com base na navegação até seis graus de separação ajuda a encontrar facilmente as competências.
P: Depois de um ano de testes internos, poderá chegar ao mercado?
R: Esperamos, no futuro, que esta ferramenta se aplicada em portais e sítios externos possa trazer uma melhor compreensão das comunidades de clientes.

4. Open Source: a tendência 2007 na gestão das Tecnologias da Informação

Investidores estão de olho no software livre. A década em curso assiste a uma clara emergência do "open source". Deixou de ser uma moda acantonada em nichos para se impor no mercado das soluções empresariais.

O novo ano começou sorrindo para o movimento do software livre - conhecido pela sua designação inglesa de "open source". A multinacional californiana Sun Microsystems acaba de comprar esta semana a sueca MySQL AB por 800 milhões de dólares em dinheiro e 200 milhões em opções de acções.

Os dois suecos e o finlandês fundadores da empresa especializada em soluções de bases de dados viram reconhecida a sua ousadia em desafiar os dois fornecedores de soluções proprietárias naquele segmento, a Oracle e a Microsoft. Curiosamente, segundo a Fortune de 10 de Janeiro de 2008, a MySQL era uma das três empresas do movimento "open source" que a revista vaticinava como pertencendo ao clube das prováveis cinco mais "quentes" entradas em bolsa em 2008.

Os suecos tinham como companheiros de futuro sucesso bolsista (apesar dos prognósticos de risco de "crash" em 2008 das bolsas americanas) duas empresas do Silicon Valley do movimento "open source", a Ingres (também na área das bases de dados, desafiando a Oracle) e a SugarCRM (virada para as soluções de gestão da relação com o cliente - CRM em inglês - atacando no terreno das multinacionais da área).

O ponto de viragem

Estes factos e prognósticos são sintoma de algo novo. Segundo José Ruivo, vice-presidente da ESOP-Associação de Empresas de Software Open Source, estamos a assistir a uma mudança. "O movimento deixou de ser uma moda para se tornar numa solução fiável e com larga aceitação no mercado", refere, para salientar, de seguida, que o capital de risco começou a inundar este sector desde 2000. O investimento nos últimos sete anos já ultrapassou os 1000 milhões de dólares (€685 milhões), e só no ano passado concretizou-se 30% desse montante global.

Os analistas referem que a mutação do movimento "open source" de algo acantonado em nichos para a concorrência aberta na oferta de soluções empresariais é particularmente visível nas áreas de CRM, ERP (planeamento de recursos empresariais), "business intelligence" (inteligência estratégica nos negócios) e bases de dados. Os responsáveis empresariais de decisões nas áreas de informação e tecnologia - que os americanos designam por CIO e CTO - começaram a olhar para esta oferta alternativa. "O que aconteceu nos últimos anos é que deixou de ser apenas utilizado por pequenos nichos e comunidades de programadores para passar a ter uma oferta forte para o mercado empresarial", aclara o nosso interlocutor.

Uma das áreas onde as soluções "open source" dominam a 80% é a dos gigantes da Web, como o Google, o Yahoo e o YouTube. Também na área das tecnologias móveis a entrada tem sido de leão: a Nokia é um dos gigantes afectos ao "open source" e o Google lançou com 30 multinacionais uma plataforma designada Android baseada numa aliança, a Open Handset, em que se encontra a Telefónica espanhola.

Os mais entusiasmados afirmam que "o "open source" tornou-se o ponto principal da corrente ("mainstream", dizem em inglês)" e vaticinam que "as restrições proprietárias artificiais estão em colapso". O ano de 2008 pode ser o teste dessa euforia.

5. A nossa escolha no Urban Management:
As melhores 'Docas' da Europa

A A DIFA premiou em 2006 a zona ribeirinha de Oslo, o distrito de Aker Brygge, como o melhor local com qualidade de vida do Continente e como 'case study' de gestão e renovação urbana e de inovação de modelo de negócio. Fomos ver o caso a Oslo.

Aker Brygge no Turista Virtual
Aker Brygge (norueguês)

Para o turista é obrigatória uma ida às docas de Oslo na zona portuária de Pipervika, para um almoço ou um jantar cedo, ou apenas para um passeio, ou algumas compras no centro comercial. O nome é rapidamente fixado, ainda que difícil de pronunciar: Aker Brygge. Não é uma "ilha" isolada, onde só se possa chegar por automóvel, e depois de passar por terra de ninguém. Fica a escassos minutos, a pé, do centro da cidade, numa linha de continuidade "pedestre".

O marketing norueguês dirá que é "cinco em um": um espaço único que mistura restauração, comércio, entretenimento, escritórios e habitação, sem trânsito nas ruas. A diferença de função depende do andar. Vive-se numa lógica "horizontal" - come-se, compra-se e diverte-se junto à frente ribeirinha olhando para a marina, trabalha-se a nível dos andares intermédios (33% de espaço de escritórios) e habita-se nos últimos pisos com uma vista agradável para o fiorde (cerca de 400 apartamentos) inclusive com passagens aéreas. Rompeu-se com a ideia de zonas mono-funcionais (blocos de habitações, zonas só para edifícios de escritórios, áreas de comércio, distintas). O design dos prédios é original e o espaço público é simpático e convidativo, com recantos particularmente artísticos. A ideia central foi criar "vida entre edifícios".

Este modelo de espaço urbano integrado de 260 mil metros quadrados (1/6 da Expo lisboeta), de renovação de uma das partes das antigas docas do porto de Oslo, foi premiado no ano passado pela alemã DIFA Union Investment Real Estate, que todos os anos escolhe um caso exemplar. Foi considerado "o de mais alta qualidade de vida na Europa". Esta parte da frente ribeirinha do porto de Oslo transformou-se inclusive num distrito próprio da cidade para facilitar a sua gestão, sendo um empreendimento integralmente privado, que, no entanto, se articulou com o planeamento público. O modelo de negócio e de gestão urbana está por isso sob observação atenta em todo o mundo.

Uma das figuras no centro do conceito é o dinamarquês Jan Gehl, hoje com 71 anos, cujo gabinete de arquitectos de Copenhaga é o "pai" da ideia da "vida entre edifícios" - título de um livro de Jan publicado em 1971. Este dinamarquês tem uma máxima: "Primeiro viver, depois os espaços, e só depois os edifícios - não o inverso". Uma das suas ideias aplicadas nas docas de Oslo foi equilibrar o espaço de restaurantes e lojas com a via pública. "Somos por um ambiente pedestre amplo - no Verão temos diariamente 35 mil pessoas de um lado para o outro na 'promenade' de Aker Brygge", diz-nos Louise Grassov, do gabinete de Gehl.

Até 1982, Aker Brygge era um tradicional espaço de estaleiros e armazéns que sofreu um choque profundo da globalização. Foram os próprios donos dos estaleiros que criaram o projecto de desenvolvimento imobiliário que foi politicamente aprovado em 1988. O conjunto de quatro fases demorou até 1998. Criaram-se 5000 postos de trabalho e a zona recebe 14 milhões de visitantes por ano.

Os analistas encontraram em Aker Brygge um paradigma original em relação a outros casos mais conhecidos de zonas ribeirinhas renovadas, como Puerto Madero em Buenos Aires, a Esplanada em Helsínquia, Venice em Los Angeles, Fisherman's Wharf em São Francisco, o "Pier" de Brighton e Canary Wharf (Londres), no Reino Unido, Port Vell, em Barcelona, ou mesmo o "Bund" em Xangai. O êxito do conceito já levou à criação de mais um novo distrito ribeirinho (cerca de ½ do espaço de Aker Brygge), quase contíguo, que começa a ser habitado este ano e terminará em 2012, designado Tjuvholmen, onde se localizará um Centro Internacional de Arte e uma torre panorâmica. Mas, Louise Grassov acha, no entanto, "que o novo plano não tem o mesmo entendimento sobre a qualidade urbana".

copy; Janelanaweb.com, Jorge Nascimento Rodrigues, 2008

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