O novo fôlego da Sloan School of Management

Jorge Nascimento Rodrigues no MIT


Logotipo: Mit Sloan Quando se fala das «catedrais» da gestão o nome que vem logo na ponta da língua é a Harvard Business School, de Boston, com a sua influente revista Harvard Business Review e com um portfólio de gurus que põe de sentido qualquer leigo. Basta recordar Michael Porter ou Rosabeth Moss Kanter.

Mas, apenas separada por um rio e umas pontes, está a Sloan School of Management, integrada no «campus» do Massachusetts Institute of Technology. Ela procura, hoje, um novo fôlego. Entre os projectos que a poderão projectar como local de inovação em gestão está a iniciativa "Inventar as Organizações do Século XXI", dirigida a partir do Centre for Coordination Science (http://ccs.mit.edu/21C/), liderado por Thomas Malone (email: malone@mit.edu), uma das referências americanas em matéria de "organização virtual".

O tema é aliciante - estudar exemplos emergentes e desenhar a organização empresarial ou sem fins lucrativos que se imporá no próximo século. Durante o final do século XIX vimos nascer a grande empresa liderada pelos capitães da indústria e tornada produtiva pela "organização científica do trabalho" de Taylor. Com o início do século, descobriu-se o novo modelo multidivisional gerido por um corpo profissional de gestores e assente na produção de massa, que haveria de ser descrito magistralmente pelas primeiras obras de Peter Drucker baseadas na observação de um exemplo vivo, a General Motors dirigida durante muitos anos por Alfred Sloan (que daria o nome a esta escola do MIT).

"Mas este modelo entrou em crise claramente nos anos 80. A realidade começa a trazer sinais de novos tipos de organização. A investigação que temos feito aponta para dois cenários futuros possíveis: as redes de pequenas empresas por um lado e os conglomerados globais baseados em alianças, que baptizámos de «países virtuais»", refere-nos Thomas Malone, que à frente de um grupo de investigadores trabalhou estes cenários com Peter Schwartz, do Global Business Network e uma das referências mundiais na metodologia da cenarização.

Os casos concretos das redes de pequenos «peixes» vamos encontrá-los no têxtil na região de Prato, na Itália - a mesma «Itália do Meio» que apaixonou Porter para o seu modelo de «clusters» industriais -, no sector cinematográfico de hoje, na Semco brasileira de Ricardo Semler (o empresário que virou guru graças à Harvard Business Review e à Fortune) ou na produção de calçado desportivo (a Nike é o modelo sempre citado de marca que serve de chapéu a este tipo de rede) ou no software. Por outro lado, os «países virtuais» de grandes conglomerados globais levam nomes de marcas conhecidas, sejam originalmente americanas, japonesas ou europeias.

Os casos mais «vanguardistas» de quase-federações de empresas que enterraram o modelo multidivisional de Sloan têm sido citados amiúde: a ABB, a GE ou a Johnson and Johnson. Amanhã inclusive estes conglomerados sem fronteiras poderão ter siglas tão bizarras como Shell/Daewoo, Sony/Microsoft, GE/Toyota, Exxushita, fruto de alianças globais entre parceiros disputando a hegemonia na economia digital.

Esta é uma das três linhas de investigação do projecto. As outras duas são a criação de uma base de dados e de um Manual. Entre os patrocinadores contam-se - imagine-se - um consórcio norueguês (a Confederação da Indústria, a Norsk Hydro, a Escola de Gestão norueguesa e a Telenor), a União de Bancos Suíça, a McKinsey, a AT Kearney e a Eli Lilly americanas, a Siemens Nixdorf alemã, a British Telecom inglesa e a Lucky Goldstar coreana. O custo de uma «ligação» deste tipo à fronteira do saber em matéria de organizações custa 75 mil dólares por ano para um patrocinador normal e 200 mil no mínimo para um grande patrocinador.

Para nos explicar melhor o projecto, Tom Malone concedeu-nos uma entrevista. A par das três linhas de investigação centrais, desenrolam-se muitos outros projectos sob este chapéu da organização do século XXI. Estivemos também de visita a um outro, na área da aprendizagem organizacional ("aprender com a história").